Excesso de peso: Como equilibrar esta balança?

Mais de metade da população portuguesa tem peso a mais no corpo. É no Alentejo que está a maior percentagem. E quanto mais baixa a escolaridade, mais excesso de quilos. Como travar esta epidemia? A educação alimentar faz toda a diferença.

Texto Sara Dias Oliveira

A balança não anda muito equilibrada. As percentagens mostram um país com peso a mais: 57,1% da população nacional tem excesso de quilos no corpo. Eles mais do que elas. Eles são 59%, elas 55%.

Os dados do Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física revelam que 81% dos idosos têm peso a mais; e para cima de metade dos adultos, dos 18 aos 64 anos, 58,1% mais precisamente, têm excesso de peso. Nas faixas etárias mais jovens também há motivos para preocupações: 32,3% das pessoas dos dez aos 17 anos saem fora do que seria conveniente no que ao peso diz respeito, e 25% das crianças (menos de dez anos) têm excesso de peso.

32,3% dos adolescentes portugueses têm excesso de peso e 25% das crianças com menos de dez anos pesam mais do que deviam.

O mesmo inquérito revela que a maior percentagem de excesso de peso está no Alentejo, com 63,4%. Seguem-se os Açores com 61,6%. O Norte e a Madeira têm percentagens semelhantes: 58,6% no Norte e 58,2% na Madeira. O excesso de peso na zona Centro anda nos 56% e no Algarve nos 55%. A Área Metropolitana de Lisboa tem a percentagem mais baixa, mas ainda assim acima dos 50%, ou seja, 53,6%.

E quanto mais baixo o nível de escolaridade, maior o excesso de peso. Os resultados do inquérito indicam que 38,5% das pessoas com estudos até ao 2.º ciclo têm peso a mais. Valores que descem para menos de metade, 17,1%, na população que tem o 3.º ciclo e secundário. Os que têm habilitações ao nível do ensino superior estão nos 13,2%.

Escolhas informadas e saudáveis
O que fazer para travar esta epidemia? A Organização Mundial da Saúde (OMS) propõe uma intervenção centrada na modificação da oferta alimentar. O foco, portanto, deve estar nos produtos alimentares que são disponibilizados para consumo. Mas não basta. São necessárias medidas que permitam à população fazer escolhas mais saudáveis. A educação alimentar faz aqui toda a diferença.

“Importa, assim, intervir ao nível da promoção da saúde: capacitar os cidadãos para escolhas alimentares mais informadas e saudáveis, e garantir que a oferta alimentar facilite as escolhas mais adequadas. Em Portugal assistimos recentemente a progressos a este nível”, refere à NM Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas.

“Ao nível do tratamento, seria importante uma abordagem individualizada nestas pessoas com obesidade, garantindo o acesso a consulta com nutricionista para prescrição da respetiva terapêutica nutricional”, refere Alexandra bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas.

Para travar a obesidade é necessário intervir a vários níveis. “A publicação da Estratégia Integrada para a Promoção da Alimentação Saudável, uma estratégia nacional desenhada de acordo com as recomendações da OMS, foi um marco muito relevante ao nível da saúde pública em Portugal. Esta estratégia visa incentivar o consumo alimentar adequado e a melhoria do estado nutricional dos cidadãos. Importa agora que esta estratégia saia do papel e seja operacionalizada no terreno”, sublinha a bastonária.

Se há excesso de peso, há cuidados a ter, rotinas a modificar. “Ao nível do tratamento, seria importante uma abordagem individualizada nestas pessoas com obesidade, garantindo o acesso a consulta com nutricionista, para prescrição da respetiva terapêutica nutricional, no sentido de se promover uma mudança de comportamento sustentável”, adianta Alexandra Bento.