OPINIÃO

O que é a dor e como lidar com ela

A dor aguda é um sinal de alarme do nosso corpo. A dor crónica não tem qualquer utilidade. E os fármacos não são o único aliado para tratar essa experiência sensorial desagradável.

Texto Sara Dias Oliveira | Fotografia de Shutterstock

É provavelmente uma das experiências humanas mais partilhadas. A dor, seja qual for a sua origem, é um fator determinante para o bem-estar (ou falta dele) e um indicador importante no que respeita à saúde. Não há nenhum aparelho que a meça ou que lhe tire a pulsação. Há, isso sim, analgésicos que aliviam e metodologias terapêuticas que ajudam quem tem dores. Cada caso é um caso, como sempre.

«A dor é sempre uma experiência pessoal, sensorial, e emocional desagradável», diz José Romão, coordenador da Unidade de Dor do Centro Hospitalar do Porto, professor desta área no curso de Medicina do ICBAS – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, do Porto.

Os profissionais de saúde avaliam a dor a partir dos relatos dos doentes. Não há uma máquina que avalie esta experiência emocional.

As dores não são todas iguais. Há a dor aguda, bastante útil, e a dor crónica que não ajuda nada, só chateia. «A dor aguda tem um papel protetor limitado no tempo. É uma resposta a uma estimulação dolorosa», adianta o especialista. É uma forma de o corpo se manifestar quando algo não vai bem. Uma maneira de reagir a agressões internas ou externas. É uma dor que até pode vir por bem quando faz soar campainhas e funciona como um sinal de alarme. Uma infeção terminal grave sem dor é, por exemplo, uma situação muito grave. A dor aguda pode, portanto, ajudar a resolver complicações de saúde.

A dor crónica, pelo contrário, não serve para nada, é chata, e não tem qualquer utilidade. «A dor crónica não tem qualquer vantagem biológica», refere José Romão. É uma dor que remói e que até pode diminuir as defesas do corpo.

«Uma dor acompanhada de outros sinais e sintomas frequentemente deve levar à procura de cuidados médicos.»

«A dor é sempre uma experiência subjetiva, não é muito fácil medi-la, não há nenhum aparelho que o faça.» Por isso, as avaliações feitas pelos profissionais devem ser sempre baseadas no autorrelato. «A pessoa é que se pode autoavaliar». «Não há uma máquina que nos diga se um doente tem dor ou não», sublinha, acrescentando que dor e sofrimento não são coisas iguais – uma matéria que, aliás, continua a ser estudada pela comunidade científica, onde acaba a dor e começa o sofrimento.

E quando é que uma pessoa deve bater à porta do consultório médico quando tem uma dor? Não há uma resposta tipo que abranja todas as situações. Uma dor de cabeça simples, sem sintomas associados, pode passar sem ir ao médico e não significar preocupações de maior.

Mas uma dor de cabeça que aumenta de intensidade deve levar a um gabinete médico, assim como uma dor no peito que passa para o braço e para o pescoço. «Uma dor acompanhada de outros sinais e sintomas frequentemente deve levar à procura de cuidados médicos.»

Os fármacos são uma arma contra a dor, mas há outras terapêuticas, como a fisioterapia e a psicoterapia, que ajudam a aliviar sensações desagradáveis.

E como controlar a dor? Como apaziguá-la? José Romão lembra que há dores mais rebeldes, mais difíceis de controlar com medicação. «Os fármacos são uma arma importante para ajudar a controlar a dor.» «No caso de dor aguda, os fármacos são quase imprescindíveis. Na dor mais crónica, não é tanto assim.

Nestes casos, devemos usar uma metodologia multimodal: fármacos de vários grupos e outras terapias como, por exemplo, fisioterapia e acupuntura», adianta. A psicoterapia e a terapia cognitiva comportamental são outras hipóteses de tratar a dor.

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