As eleições a ter em conta em 2018

Em 2017, milhões de pessoas foram às urnas. A Coreia do Sul elegeu Moon Ja e-in, enquanto que os franceses escolheram Emmenuelle Macron como o novo Presidente da República. O presidente do Irão, Hassan Rouhani, foi reeleito com uma margem maior que no primeiro mandato. Um referendo pela independência da Catalunha gerou uma crise constitucional em Espanha. O primeiro ano de Donald Trump tem gerado inúmeras tensões internacionais, sobretudo com Kim Jong-Un. A eminência de uma guerra nuclear entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte é um dos cenários mais preocupantes de 2018. Mas há outros cenários políticos que vão marcar este novo ano. Estas são as eleições que deve acompanhar.

Texto de Ana Patrícia Cardoso/Fotografia de Reuters

RÚSSIA (março)

As sondagens dão a vitória ao atual presidente Vladimir Putin. Se Putin ganhar as presidenciais, a 18 de março, será o seu quarto mandato. Anteriormente, já serviu dois mandatos de quatro anos, entre 2000 e 2008, e voltou a ganhar em 2012, um mandato de seis anos. A sua popularidade atinge os 80%, e a posição firme na intervenção no conflito na Síria veio cimentar a sua popularidade no país. São conhecidos os casos de opositores que foram presos ou desapareceram. Este ano, a eleição terá particular interesse uma vez que as relações entre a Rússia e os Estados Unidos têm vindo a deteriorar-se no mandato de Trump.

ITÁLIA (maio)

O cenário europeu tem merecido especial atenção no último ano. A surpresa do Brexit, os desafios na governação de Angela Merkel e a tentativa de Macron em revitalizar França são os motivos mais óbvios, mas Itália é o próximo país a ter em conta. A crise que atingiu a Europa, há quase dez anos, afetou alguns países mais do que outros. Itália ficou algures no meio. Fatores como o aumento do desemprego, a crise de migrantes ou a dívida do governo têm levantado duras críticas ao governo. O presidente italiano, Sergio Mattarella, dissolveu o Parlamento, abrindo caminho para a realização de eleições gerais que vão realizar-se em maio. O partido de centro-direita Forza Italia (FI), do ex-primeiro-ministro Sílvio Berlusconi, está na corrida mas precisará formar uma aliança para vencer. Desde a Segunda Guerra Mundial, Itália teve um total de 66 governos.

MÉXICO (julho)

O México foi um dos alvos preferidos na campanha de Trump para a presidência dos Estados Unidos, com a ameaça da construção de um muro (que Trump continua a dizer que vai erguer) a pagar pelos mexicanos . É com este cenário que o México vai a eleições em julho. Enrique Peña Nieto, o atual presidente, sai do cargo com uma taxa de popularidade muito baixa (12%) e envolto em vários escândalos envolvendo casos de homicídio, tráfico de drogas, abuso de poder ou o desaparecimento de 42 professores e alunos em 2014. O aumento do preço dos combustíveis em cerca de 20% (Gasolinazo), em 2017, ditou a descida de popularidade de Nieto e do Partido Revolucionário Institucional, que já chegou a governar o México durante sete décadas seguidas. Andrés Manuel Lopez Obrador, que se posiciona à esquerda, candidatou-se – e perdeu – duas vezes, mas surge agora à frente nas sondagens, muito graças à sua atitude firme contra a posição dos EUA. Nas eleições federais de1 de julho será eleito o presidente, renovados 500 assentos da Câmara dos Deputados e 128 do Senado.

BRASIL (outubro)

O Brasil atravessa uma crise social, política e económica há alguns anos, com vários casos de corrupção entre políticos a virem a público. O impeachment da presidente Dilma Rousseff levantou uma onda de protestos contra o atual presidente Michel Temer, considerado por muitos como o maior corrupto do país. Os brasileiros contam com a eleição de outubro para levar o Brasil a novo rumo. Contudo, o cenário não é muito animador. O ex-presidente Lula da Silva anseia pelo regresso à politica, apesar de ter sido condenado por corrupção em julho de 2017. Apresentou recurso e caso seja absolvido, tem condições para candidatar-se. O outro candidato é Jair Bolsonaro, ex-militar de extrema-direita, conhecido sobretudo pelas declarações conservadoras, anti-LGBT, a favor da tortura e da ditadura militar. Em qualquer dos casos, os candidatos já foram julgados e condenados na justiça.

VENEZUELA (dezembro)

A Venezuela atravessa uma crise profunda, desde março de 2016, em que o Supremo Tribunal de Justiça venezuelano assumiu as funções da Assembleia Nacional, onde a oposição tinha maioria. Considerado um «golpe de Estado», a ação levou à rua milhares de pessoas em protesto. Para além da crise política, a queda dos preços do petróleo (96% da renda do país) reduziu drasticamente os recursos do Estado e muita gente ficou sem o acesso aos bens de primeira necessidade. Nicolás Maduro é o sucessor do ex-presidente Hugo Chávez e integrante do PSUV, partido há 18 anos à frente dos destinos da Venezuela. A oposição há muito espera o fim destes quase 20 anos de governação chavista. Maduro já anunciou que vai recandidatar-se, o que poderá gerar uma onda de confrontos até ao dia das eleições.

 

 

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