OPINIÃO

Como reconstruir a vida depois de um AVC?

O Centro de Reabilitação Profissional de Gaia tem respostas, que são um exemplo, para que os sobreviventes de AVC aprendam a lidar com as suas mazelas, acreditem na vida, e voltem ao trabalho. São serviços especializados que atuam em diversos níveis. Hoje é o Dia Mundial do AVC.

Texto de Sara Dias Oliveira | Fotografia de Shutterstock

O AVC bate à porta de uma forma inesperada. Desarruma vidas. Cerca de 30% dos AVC ocorrem em pessoas que estão numa fase da vida ativa e profissional e há uma tendência para a ocorrência progressiva em idade jovem. E depois? E depois? A resposta pode não ser fácil, mas há alternativas, possibilidades. Há vida depois de um AVC.

O Centro de Reabilitação Profissional de Gaia (CRPG), em Arcozelo, trabalha esta questão, tem programas específicos, e que abrangem várias dimensões, para vítimas de AVC que querem voltar ao trabalho, que querem voltar a acreditar.

«Acreditamos nas pessoas que são afetas por doenças e acidentes, reconhecemos os seus direitos, designadamente o direito a uma vida com qualidade. Não nos resignamos a que sejam consideradas descartáveis», refere Jerónimo Sousa, diretor do CRPG.

Estudos demonstram que os pacientes que regressam ao trabalho após um AVC evidenciam maior bem-estar emocional do que aqueles em que isso não se verifica.

«As deficiências e incapacidades geradas pelo AVC interferem decisivamente na vida profissional das pessoas, gerando recorrentemente o afastamento da vida profissional. Em muitos casos tal não resulta da absoluta incapacidade para o trabalho. Deve-se ainda muito à visão e atitude estereotipada que associa a ocorrência de AVC com sequelas de incapacidade a um encerrar do projeto de vida, bem como à inexistência de apoio especializado para a manutenção do projeto de vida ativa e profissional. São escassos ainda, ou mesmo inexistentes em Portugal, estudos e dados de caracterização desta questão», sustenta.

A avaliação dos impactos dos acidentes e doenças na funcionalidade e das necessidades de reabilitação, a reabilitação funcional, o desenvolvimento psicossocial, a reabilitação neuropsicológica, a readaptação ao trabalho e reconversão profissional, o retorno ao trabalho, são respostas que o CRPG trabalha através de um conjunto de especialistas em várias áreas.

No programa «Reabilitação e reintegração social e profissional de pessoas com deficiências e incapacidades adquiridas» disponibiliza um conjunto de serviços especializados para as pessoas que têm potencial de retorno ao trabalho após AVC, bem como outros acidentes e doenças).

«Após o AVC, quando as pessoas se perguntam o que fazer das suas vidas, o CRPG apoia-as na recuperação no retorno ao trabalho», diz Jerónimo Sousa.

«Após o AVC, quando as pessoas se perguntam o que fazer então das suas vidas, o CRPG pretende apoiá-las na recuperação das dimensões da sua funcionalidade associadas ao retorno ao trabalho e emprego, e concretizar esse retorno», refere o responsável.

«Após o AVC, a retoma do trabalho e emprego – nas situações em que tal seja possível – apoia decisivamente o próprio processo de recuperação terapêutica, constituindo-se como uma condição fundamental para a reconstrução do projeto de vida das pessoas, para o seu bem-estar mental, para a sua reintegração social», acrescenta. Há estudos que demonstram que os pacientes que retornam ao trabalho após AVC evidenciam maior bem-estar emocional do que aqueles em que tal não ocorre.

A reconstrução do projeto de vida das pessoas é fundamental para o seu bem-estar e reintegração social.

«Apesar de em muitos casos ser viável o retorno ao trabalho e emprego, para que tal aconteça importa alterar a visão estereotipada ainda dominante na perceção das próprias pessoas afetadas, suas famílias e empregadores», sublinha Jerónimo Sousa.

É fundamental ainda assegurar apoios técnicos especializados para concretizar a reabilitação profissional dessas pessoas, trabalhando em estreita colaboração com os empregadores, criando as condições para que o retorno ao trabalho ocorra de forma precoce. «

«Essa reabilitação e reintegração profissional contribui decisivamente para a otimização dos níveis de recuperação após acidente e para a promoção da qualidade de vida das pessoas afetadas e das suas famílias», conclui.