OPINIÃO

O seu filho está viciado em tecnologia?

Como pais, preocupamo-nos muito, e bem, com a saúde dos nossos filhos, com o seu bem-estar, a sua felicidade, o seu desempenho escolar e por aí fora. É altura de nos preocuparmos também com o tempo que passam ao telemóvel.

 

Basta olhar em volta. Os miúdos passam cada vez mais tempo agarrados aos ecrãs do smartphone ou do tablet, que geralmente é deles e já não emprestado pelos pais. Que efeitos tem isto nas crianças?

Ivone Patrão, psicóloga, investigadora do ISPA e autora do livro Geração Cordão, sobre a dependência dos adolescentes portugueses das tecnologias, estima que a maioria dos adolescentes portugueses tenha telemóvel e, destes, cerca de 42 por cento utiliza-o, segundo o estudo levado a cabo no ISPA, em média seis horas por dia.

«Hoje, para muitos jovens e adolescentes, o telemóvel é uma extensão de si próprios. Estão sempre ligados, com medo de perder alguma coisa do que está a passar-se nos grupos a que pertencem. Comunicam até através do telemóvel, mesmo quando estão fisicamente uns com os outros», diz Ivone Patrão, que revela que os pais não têm ainda muita consciência destes fenómenos cada vez mais comuns, nem das suas consequências.

«É fundamental que os pais estabeleçam regras e, sobretudo, que deem o exemplo», alerta Ivone Patrão, que defende o desligar de todos os dispositivos tecnológicos da família a partir de certa hora.

«Se estão sossegados no quarto, deve estar tudo bem. Há a ilusão por parte dos pais de que estão sob controlo. Mas se entrarem no quarto, a horas em que os miúdos já deviam estar a dormir, vão encontrar muitos lençóis luminosos». E lençóis luminosos são mau sinal.

A psicóloga, que faz questão de salientar os aspetos positivos da relação das crianças e adolescentes com as novas tecnologias, nomeadamente no desenvolvimento de competências e de criatividade, chama a atenção para a importância de monitorização e estabelecimento de regras por parte dos pais.

Como pais, preocupamo-nos muito, e bem, com a saúde dos nossos filhos, com o seu bem-estar, a sua felicidade, etc. É altura de nos preocuparmos também com o tempo que passam ao telemóvel.

«É fundamental que os pais estabeleçam regras e, sobretudo, que deem o exemplo», alerta Ivone Patrão, que defende o encontro de aparelhos tecnológicos a partir de certa hora, num cesto próprio para o efeito. E a desculpa de que precisa do telemóvel como despertador não é válida. Não será preciso lembrar que há relógios, analógicos ou digitais, que cumprem essa função específica.

Como pais, preocupamo-nos muito, e bem, com a saúde dos nossos filhos, com o seu bem-estar, a sua felicidade, o seu desempenho escolar e por aí fora. É altura de nos preocuparmos também com o tempo que passam ao telemóvel.

Não demonizando o tão estimado e inseparável aparelho, há que garantir um uso adequado e com conta, peso e medida. Como em tudo, o problema está no uso excessivo. É esse que devemos prevenir, sobretudo se afeta o sono, a saúde, o humor, a concentração e o bem-estar.