OPINIÃO

Fique na linha, sem correr riscos

Conheça os perigos das dietas milagrosas e descubra como emagrecer em segurança.

Assim que cheira a primavera chega a febre das dietas. Antes de começar o corte radical de calorias, saiba, porém, que resultados rápidos trazem sempre consequências. Conheça os perigos dos regimes milagrosos e descubra como emagrecer em segurança.

Todos os anos a primavera traz re­gimes da moda. E apesar de al­guns serem tão disparatados que gritam perigo, há muito quem não lhes resista. Afinal quem não quer desfazer-se, em poucos dias, dos quilos acumulados durante a longa estação fria? O problema é que, avisam os especialis­tas, não existem dietas milagrosas, sendo alto o preço a pagar por esse peso perdi­do num abrir e fechar de olhos. Mais ce­do ou mais tarde, o organismo apresen­ta a fatura do esforço e nela podem vir al­terações do metabolismo ou sérios danos à saúde. A Associação Portuguesa de Nu­tricionistas alerta mesmo, na sua página eletrónica, para problemas renais, hepá­ticos ou da tiroide, bem como para fadiga e falta de concentração, sublinhando que, por vezes, os distúrbios podem tornar-se irreversíveis.

A explicação é simples: o corpo não gosta de ser privado de nutrientes essen­ciais. Mesmo os hidratos de carbono e as gorduras, habitualmente banidos da maioria das dietas milagrosas, são im­prescindíveis. Os primeiros são a prin­cipal fonte de energia do organismo e as segundas, além de ajudarem nesta mis­são, são necessárias para a absorção de diversas vitaminas e na produção de vá­rias hormonas, bem como essenciais às membranas das células, especialmente do sistema nervoso e do cérebro. Restrin­gir, sem cuidados nem limites, os alimen­tos que possuem estes nutrientes só po­de dar, avisam os médicos, maus resul­tados. Até porque em ambos os grupos nem tudo tende a engordar, existindo op­ções saudáveis e amigas da silhueta. Pas­sar longos períodos sem comer, ou andar constantemente com fome após as refei­ções, também não é boa estratégia. Não só a ansiedade e o stress aumentam, le­vando a reações extremas, como o corpo fica sem energia, tornando-se mais lento e sensível a ameaças.

«Todas estas situações produzirão um desequilíbrio no organismo, baixando o metabolismo basal, tornando-se assim cada vez mais complicado emagrecer», avisa a Associação Portuguesa de Nutri­cionistas, adiantando: «Dada a restrição exigida por estas dietas, pouco tempo depois há tendência para abandonar o plano e regressar aos hábitos alimenta­res anteriores, havendo a possibilidade de um aumento de peso igual ou supe­rior ao perdido.» Resultado? A entrada no universo ioiô do emagrece-engorda constante, que, além de desgastar os ór­gãos, traz problemas estéticos amplia­dos. Não só estrias, flacidez, rugas e pele baça e seca mas também fragilidade capi­lar e unhas quebradiças.

O que fazer? Se tem excesso de peso, mais do que embarcar em dietas radicais, invista na reeducação alimentar. Como? Aprendendo a comer, todos os dias, de forma saudável e equilibrada, escolhen­do os alimentos certos e as confeções mais salutares. Fundamental é também ter consciência de que, por muito que se desejem resultados rápidos, o emagreci­mento deve ser um processo gradual. Os especialistas falam de uma perda pro­gressiva de cinco a dez por cento do pe­so inicial como uma meta sensata, não sendo de insistir, em circunstâncias nor­mais, em mais de um quilo por semana.

O mais indicado, se os quilos em exces­so forem consideráveis e o ajustamento diário da alimentação não chegar para os demover, é procurar ajuda especiali­zada, junto do médico ou do nutricionis­ta. Eles desenharão um regime adapta­do às necessidades nutricionais e à con­dição física individuais, já que as dietas que funcionam para uns podem não fun­cionar para outros, uma vez que somos todos diferentes. Seja como for, a alimen­tação cuidada dificilmente chegará. Para perder peso de forma consistente e pro­longada, é preciso mexer-se com regu­laridade. Ao fazer exercício várias vezes por semana, entre 30 e 60 minutos, o cor­po livra-se mais depressa dos volumes e melhora a saúde global. Afinal, o importante é entrar na linha sem riscos.

 10 PASSOS PARA COMER MELHOR

[ESCOLHAS CERTAS PARA EVITAR O EXCESSO DE PESO]

» VERDURAS DIÁRIAS

Dão nutrientes essenciais, como vitaminas e minerais, e antioxidantes protetores contra o envelhecimento precoce e doenças graves. Mais: são ricas em fibra e pobres em gordura e calorias. E saciam-nos.

 » NÃO ESQUEÇA AS LEGUMINOSAS

Há quem lhes fuja devido aos hidratos de carbono, mas estes são de absorção lenta, ou seja, acalmam os picos de glicemia… e a fome. Também são ricas em fibra, vitaminas, minerais e alguns antioxidantes. Não é por acaso que são um dos pilares da dieta mediterrânica.

 » USE CEREAIS INTEGRAIS

Sofrem da discriminação das leguminosas, mas, tal como elas, fornecem hidratos de carbono de absorção lenta, pelo que ingeridos sem abusos são boa fonte de energia. Mais: ao serem inteiros oferecem nutrientes importantes. Não fique pelo pão de mistura, experimente arroz ou massa integrais.

» CARNE EM DOSE Q.B.

Ainda não aprendeu que a carne vermelha é rastilho para distúrbios cardiovasculares, cancros, diabetes e outras doenças… como a obesidade? Limite ao máximo o consumo e também não abuse de carnes brancas.

» ESCOLHA BEM AS GORDURAS

Simplificando – as trans são do piorio, as saturadas más e as insaturadas boas… em moderação, claro. Ponha regularmente no prato peixe azul, frutos secos ou sementes, preferindo, para cozinhar e temperar, azeite ou óleos vegetais prensados a frio.

 » EVITE O AÇÚCAR

Além de viciante, tem papel na obesidade e diabetes, estimulando problemas como cancro, doenças degenerativas, distúrbios ósseos e articulares, infeções, entre outros. Reserve-o para dias de festa.

 » CUIDADO COM O SAL

Faz falta ao organismo, mas em pequena dose. Sem limites, é uma das causas das doenças circulatórias, sendo também associado a distúrbios renais, osteoporose, retenção crónica de líquidos e vários cancros.

 » COZINHE

Pesquisas garantem que quem prepara a comida da família tem mais probabilidades de escolher uma alimentação equilibrada, uma vez que conhece e distingue os alimentos e não se limita a misturar conteúdos de pacotes.

» APOSTE EM MÉTODOS SAUDÁVEIS

Confeções leves, em que as gorduras surjam em pequena dose, são melhores para a linha e saúde. Experimente cozer a vapor, saltear no wok, estufar lentamente, grelhar ou assar no forno.

» VÁ COM CALMA E MASTIGUE

Sempre que possível, coma sentado à mesa e com talheres, notando a combinação de ingredientes e sabores – correrá menos risco de escolher maus alimentos. E não esqueça a mastigação lenta, já que a digestão inicia-se na boca.

 

PARA MANTER A SILHUETA…

[NÃO PASSE FOME, USE OUTRAS ESTRATÉGIAS]

» BEBA ÁGUA

Além de hidratar o organismo, ajuda-o a funcionar melhor, sobretudo a nível circulatório. Resultado? Uma expulsão de resíduos acumulados mais eficiente.

» DURMA

Estudos mostram que descansar pouco e mal leva facilmente ao apetite por doces e outros produtos calóricos devido à desestabilização hormonal. Além disso, ajuda ao aumento do stress, o qual também não é amigo da linha…

» APOSTE EM MASSAGENS

Só por si não emagrecem, mas unidas a cuidados alimentares e à atividade física, ajudam, e muito, a livrar o corpo de volumes indesejados, estimulando a drenagem de líquidos e toxinas acumuladas.

» TENHA TRUQUES À MESA

Se o ditado ensina as quantidades – pequeno-almoço de rei, almoço de príncipe, jantar de pobre – porque temos sempre de encher-nos? Opte por pratos mais pequenos, pare de comer antes de se sentir cheio e coma somente quando sentir fome. Escolher texturas consistentes e crocantes também ajuda, já que obrigam a mastigar mais, criando maior saciedade. Em casa, planifique a ementa da semana, fugindo a improvisações rápidas e calóricas.

» FAÇA EXERCÍCIO

Sem ele é difícil perder realmente peso e manter a forma, mas escolha bem a atividade, considerando a sua condição física e estado de saúde. Não se atire à corrida sem saber se tem fôlego para a prova! Aconselhe-se.

Cristina Azedo [vamos-viver-melhor.blogspot.com]
Ilustração: Sofia Bártolo/WHO