OPINIÃO

Diferente de tudo

Citröen C4 Cactus: um compromisso entre o antigo e o moderno.

O Citröen C4 Cactus é um SUV barato e sem igual. Na verdade, um compromisso curioso entre o moderno e o antigo, com chegada a Portugal prevista para Junho.

Voltaram os tempos da originalidade Citroën. E em Junho os portugue­ses vão comprová-lo, quando che­gar o Cactus, um SUV que a marca francesa não quer relacionar com a filosofia low cost, mas com algo disso graças ao preço apontado para a casa dos 17 mil euros.

O novo modelo é uma combinação curiosa. Foi construído sobre uma plata­forma alongada do C3 e vai entrar na famí­lia do C4. Pretende concorrer com os SUV do primeiro destes segmentos e as berli­nas do outro… E tudo isto sob formas que casam a ideia de futuro com muito de pas­sado, além de pretenderem apontar para a nova filosofia do estilo Citroën.

Parece muito para um automóvel só e vai mesmo ser preciso conhecer a reação do público para descobrir se a Citroën tri­lha o caminho certo, com esta originali­dade de 4,16 metros de comprimento por 1,73 de largura numa carroçaria inovado­ra para um SUV e mais baixa do que estes costumam ser.

A dianteira é mais sugestiva do que a tra­seira, o perfil marcado por grandes prote­ções plásticas, propostas em quatro co­res para assegurar um contraste a gosto (visam a proteção contra toques na aber­tura de portas ou com os carros dos super-mercados). O tejadilho de estilo flutuante, com duas grandes barras, contribui para a personalidade vincada deste Citroën, que recebe um toque de agressividade através das proteções negras dos guarda-lamas, unidas numa faixa que rodeia o automó­vel e faz como que um remate da carroça­ria. As jantes vão das 15 às 17 polegadas, e quanto maiores, maior o peso e a sugestão de robustez do automóvel.

Diferente por fora, o C4 Cactus trans­porta para o interior outra forma do casa­mento entre o ontem e o amanhã. Por um lado, a tecnologia, um mínino de botões e dois ecrãs, um deles espécie de tablet co­locadoem posição central no tablier. Este, baixo e fino como noutros tempos, apre­senta um porta-luvas no mínimo original, como uma antiga mala, a que nem faltam os pioneses de embelezamento. A solução fez mudar o air-bag para o forro do tejadi­lho… As pegas das portas são também ins­piradas no mesmo estilo e contribuem pa­ra um ambiente bem conseguido. Depois são, como diz a marca, os bancos de espí­rito sofá, à frente originando um banco de estilo corrido, já que os dois lugares são unidos por uma faixa de tecido que cobre o espaço do travão de mão, um simples pu­nho, e pelo apoio de braços.

Na traseira, onde não falta espaço, é tu­do mais simples, de acordo, aliás, com a realidade. Que tem pormenores menos conseguidos, como vidros de abertura em compasso, um banco rebatível apenas por inteiro e o frio do revestimento plásti­co das portas a dispensar as gracinhas que fazem tudo parecer melhor à frente.

Mas tem de ser assim, quando se sabe que foram poupados duzentos quilos no peso, que o mais económico dos diesel poderá conse­guir uma média de 3,1 l/100 com 82 g/km de CO2 e, enfim, que o preço da versão de entra­da pode andar pelos 17 000 euros.

Haverá quatro motores: dois a gasolina (VTI de 82 cv e e-THP de 110 cv) mais dois a diesel (1.6 e-HDI de 92 cv e 1.6 BlueHDI de 100 cv). Não falta, é claro, a caixa robo­tizada, com comandos no volante.

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O Cactus transporta para o interior o casamento entre o ontem e o amanhã. Um tablier baixo e fino como noutros tempos, com bom apoio tecnológico, acessível a um par de lugares de espírito sofá (no topo).

O Cactus (a ficha técnica ainda não está disponível) pretende concorrer com os SUV do primeiro destes segmentos e as berlinas do outro… E tudo isto sob formas que casam a ideia de futuro com muito de passado, além de pretenderem apontar para a nova filosofia do estilo Citroën.

Silva Pires