OPINIÃO

Como ensiná-los a ser felizes?

Miúdos felizes têm muito melhores resultados. Pense nisso e continue a ler.
Os pais de Bárbara e Miguel Rodrigues educam-nos a ser responsáveis pelos seus atos: positivos e negativos. Fotografia de Orlando Almeida/Global Imagens

Para que os filhos e os alunos aprendam a matéria com notas altas e tenham muitas atividades extracurriculares – o que os faz chegar ao fim do dia estafados e com muitos trabalhos de casa – alguns pais e professores esquecem o essencial: ensinar é fazer deles pessoas completas, mais do que fazê-los decorar conteúdos. Vale a pena pensar nisto, agora que as aulas vão começar.

Delfina Velez foi perdendo a fé inabalável no ensino à medida que ia sentindo o desencanto de tantos estudantes. Ao dar aulas, reparava que em diferentes turmas havia miúdos cansados, frustrados, tristonhos, como se aprender lhes sugasse a energia em vez de abrir horizontes. Alguns colegas resignavam-se, mas Delfina sempre teve uma sensibilidade incomum para os seus alunos. Nunca baixou os braços. Vê-los crescer, para ela, sempre foi menos passar de ano e ter boas notas e mais ensiná-los a viverem felizes no mundo real. Com 38 anos, professora de Português/Francês durante 13 anos, mãe de três filhos, sabe bem que é de pequenino que se desenvolve a autoestima e resiliência que fazem a diferença na idade adulta. «Os professores, dado o excesso de turmas e toda a carga burocrática, sentem necessidade de cumprir os programas escolares, solicitando trabalhos de casa como forma de reforço e consolidação de conteúdos», diz. «As escolas oferecem um horário contínuo: o dia escolar torna-se longo e o tempo para descanso quase inexistente.»

Com uma licenciatura, duas pós-graduações e uma especialização, foi docente, diretora de turma, coordenadora de projetos e da biblioteca em várias escolas de Albufeira. Sentiu as dificuldades de ensinar trinta alunos numa sala, alguns com necessidades educativas especiais, sem roubar tempo ao lazer que deviam ter em casa, mais tarde. No papel de mãe, por outro lado, sabe como é duro gerir os tempos familiares quando cada professor se esquece que os alunos têm uma dezena de disciplinas além da sua, e lhes enviam permanentemente tarefas para concretizarem fora das aulas. «Não sei se consigo passar aos meus filhos a mensagem adequada quando eles assistem à deceção de uma mãe que toda a vida lutou e estudou tanto para agora se desfazer de grande parte dos seus sonhos.» É que no ano passado, devido à alteração das regras dos concursos de admissão, Delfina ficou desempregada.

Maria e Fábio Velez, filhos de uma professora, são sobretudo estimulados a competir consigo próprios. Fotografia de AlgarvePhotoPress/Global Imagens

Maria e Fábio Velez, filhos de uma professora, são sobretudo estimulados a competir consigo próprios. Fotografia de AlgarvePhotoPress/Global Imagens

Os filhos, Maria e Fábio Velez, 8 e 12 anos respetivamente, parecem-se com a mãe nos traços, mas sobretudo na capacidade de se maravilharem com o desconhecido. Ele é curioso, atento, sério, brilhante a tocar violino e a fazer cálculos de cabeça. Já andou com o nariz enfiado em revistas científicas e os olhos apontados ao céu, a querer perceber os mistérios do universo. Agora o interesse é o karaté e a fotografia, que aprende sozinho. Maria é tão tímida quanto destemida, ajeita-se na música, educação física e expressão plástica que tem na escola (apesar de preferir informática, se pudesse escolher) e é ótima no hip hop e na guitarra. Estudantes do quarto e do oitavo anos, têm dias preenchidos e adormecem estourados. Mas sabem problematizar, questionar a realidade, pensar por si próprios. Acima de tudo, Delfina tenta levá-los a dar o seu melhor, competindo apenas consigo mesmos. «Que alcancem o maior número de experiências e as ferramentas para ganharem asas e voar. Tento educá-los para os afetos, para os valores que considero basilares na formação do ser humano.»

«Devia valorizar-se muito mais a descoberta, o confronto com situações inesperadas, o respeito pela diferença e o gosto de aprender com ela. Treinar mais a inteligência emocional das crianças e ensiná-las a ver os erros, próprios e alheios, como oportunidades de aprendizagem», diz Nuno Francisco Maia, fundador da Ousar Crescer – Academia de Desenvolvimento Pessoal (ver caixa). Independentemente dos muitos professores apaixonados pelo ensino, que deixam marcas importantes nos alunos, este pai, ligado à formação pessoal e à educação (em atividades de complemento escolar), considera que a escola dá primazia à aquisição de conhecimentos académicos mais do que à transmissão do gosto por aprender.

«QUANDO FALAMOS DE EDUCAÇÃO, as generalizações são perigosas», diz o psicólogo. «Mas aquilo que é aprendido depende em grande parte das capacidades dos próprios alunos, não necessariamente intelectuais, mas sobretudo emocionais e relacionais.» Nuno Maia acredita que a falta de articulação entre as vivências e o conteúdo dos programas curriculares será, talvez, um dos grandes fatores de insucesso e desmotivação hoje em dia. «Não sei se podemos culpar a escola. Penso que estas questões se estendem à sociedade: que posturas valorizamos em casa, no trabalho, nas nossas relações sociais?»

O debate sobre a necessidade de se valorizar a capacidade de pensar dos mais novos, educando-os como um todo, não é novidade. Foi defendido por John Dewey (1859-1952), filósofo norte- americano, professor e reformador da educação, que via a liberdade de pensamento como instrumento para o crescimento físico, intelectual e emocional dos jovens. A mãe, mulher pragmática que confiava aos filhos tarefas para lhes exercitar a responsabilidade, compensou a educação pouco estimulante que recebeu na escola com o entusiasmo pelo mundo em redor. Dewey contestava o facto de o ensino continuar orientado por valores tradicionais, sem integrar as descobertas da psicologia. Para ele, o objetivo da escola devia ser habilitar as novas gerações a responder aos desafios da sociedade, mais do que reproduzir conhecimentos. «A meta da vida não é a perfeição, mas o eterno processo de amadurecimento», dizia.

HELENA ÁGUEDA MARUJO, professora no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) e especialista em Psicoterapia e Aconselhamento Educacional, gosta particularmente deste pensamento deweyano segundo o qual não é possível educação sem vida, nem deverá ser possível vida sem educação. «Estamos entre dois paradigmas de escola totalmente diferentes e é preciso fazer pontes entre ambos. Com o peso dado aos resultados e menos aos processos, a obsessão com a preparação para a vida profissional, perdemos o valor da aprendizagem pela experiência e na ligação à vida. Perdemos a relevância das artes e humanidades, do treino do pensamento crítico e da consciência plena. Arriscamo-nos a não preparar a nova geração para manter viva a democracia e trazer para a esfera pública importantes emoções privadas, como o amor.»

Para a professora, as razões que explicam a necessidade de sobrecarregar as crianças são muitas e complexas: «Ou porque queremos tudo de melhor para os nossos filhos, ou porque queremos prepará-los para um futuro difícil, ou porque não sabemos (ou não conseguimos) estar com eles, brincar, ter tempo, já que a nossa profissão nos escraviza…» Certo é que os excessos não deixam espaço à essencial aprendizagem livre, mas nem assim Helena desanima. «Neste momento há centenas de escolas no mundo, em que Portugal se enquadra, a desenvolver treino de qualidades humanas como o perdão, o humor, a generosidade, de forma cada vez mais entretecida no currículo», diz. Exemplos disso são o Penn Resilience Program, aplicado em vários países anglo-saxónicos, ou os programas de formação para o otimismo levados pelo ISCSP às escolas nacionais. «Construir a felicidade tem de ser um plano partilhado por toda a sociedade civil.»

Os pais de Bárbara e Miguel Rodrigues educam-nos a ser responsáveis pelos seus atos: positivos e negativos. Fotografia de Orlando Almeida/Global Imagens

Os pais de Bárbara e Miguel Rodrigues educam-nos a ser responsáveis pelos seus atos: positivos e negativos. Fotografia de Orlando Almeida/Global Imagens

Para Fedra Rodrigues, a escola e a família têm o dever moral de educar miúdos completos. A filha mais nova, Bárbara, 8 anos, aluna do quarto ano, é aplicada por natureza: a professora Ângela mandou à turma um livro de atividades para as férias e ela concluiu esse e outros dois. Adora os amigos, as aulas, o inglês, a ginástica, a música, o karaté e a natação que lhe preenchem os dias. Já Miguel, no nono ano e prestes a fazer 14 anos, dá-lhe bastante luta por ser gozão, não por falta de talento. «Há tempos teve Excelente a desenho – ainda por cima ele é bom a fazer tudo – e nem se deu ao trabalho de pintá-lo porque já tinha positiva», diz a operadora de impressões heliográficas, de 38 anos. «Tal como tirou a melhor nota a ciências e não fez o trabalho de grupo a seguir. O diretor de turma e eu somos melhores amigos. Estou sempre lá.»

Fedra é tolerante e não exige ao filho notas máximas, apesar de achar que podia tirar cem por centoa tudo se quisesse. «Ele farta-se de trabalhar no colégio, vem para casa despachar os trabalhos até às 19h00, faz karaté de competição todos os dias (descansa ao domingo) e chega muitas vezes a casa às onze da noite. Sei que é complicado gerir isto tudo. O próprio karaté já não é um hobby, por mais que ele adore aquilo acima de tudo. Vai lá para trabalhar a sério.» Alegre e conciliadora, organizadora das festas de aniversário mais divertidas da família, a única coisa que a mãe não lhe admite é a desresponsabilização: os atos, positivos ou negativos, têm consequências. «Este ano houve um dia em que o Miguel me deixou sair de casa – sou eu a encarregada de educação dos dois – e foi dar a caderneta ao pai, cheia de recados, para ele assinar. Passei-me. À noite cheguei e disse-lhe: “Amigo, o karaté acabou para ti. Não há Mundial na África do Sul, não há porcaria nenhuma. Avisei-te o ano inteiro, não fui nada exigente contigo, não esperava isto de ti.” Levei o material todo para a arrecadação. O diretor de turma e o mestre ligavam-me porque ele andava numa tristeza que só visto. E aquilo doía-me, mas o que é que eu podia fazer? Tive de castigá-lo com o que gosta mais.» Miguel lá lhe escreveu uma carta a pedir desculpa; a mãe suspirou de alívio por poder comutar-lhe a pena: «Vi que estava arrependido, deixei-o voltar aos treinos, mas avisei-o de que não lhe comprava mais nada para o karaté: o que quisesse, seria com o dinheiro dele. Fui dura, eu sei. Mas eles têm de aprender a lidar com a frustração para não serem derrotados por ela mais tarde.»

O pedagogo espanhol Javier Urra felicita esta atitude nada facilitista dos pais que percebem, desde cedo, que enfrentar a realidade equipa as crianças para o futuro. «Tendemos a superprotegê-las, a querer afastá-las de toda a dor, em vez de lhes ensinarmos que os momentos maus virão, mas que as pessoas se recriam no sofrimento», diz o especialista. Educá-las é dar-lhes informação para a vida, sem procurar desculpas para torná-las dependentes de nós. «Também é preciso ensinar aos mais novos o perdão e a compaixão. Ensiná-los que o facto de quererem dar os torna altruístas e serão mais felizes assim, porque são responsáveis pelos seus atos e o que fazem tem consequências. Se isto for transmitido desde o primeiro momento passa a ser um processo natural.»

Urra sublinha a importância do «otimismo realista» e do «humor inteligente» no processo de crescimento e, neste ponto, Cristina Baptista acrescenta a sua própria experiência enquanto ortodontista versada em neurociência, fundadora da Associação Sorrir e autora de artigos científicos dedicados ao sorriso: «Somos ensinados desde novos a competir e a esconder emoções, o que tem consequências graves na formação da personalidade dos nossos filhos. Como pode um jovem ajudar outro se confunde tristeza com fraqueza e não sabe sentir empatia?», questiona. «Cuidamos da saúde das nossas crianças, ensinamo-las a ler, a contar, a fazer uma série de atividades, mas esquecemo-nos de trabalhar os afetos e isso resulta em problemas no emprego, nas relações sociais e na família.»

FOI A PENSAR NESTA DIFICULDADE que Cristina e a Associação Sorrir criaram a Smile Dance, uma ferramenta de formação de professores e técnicos de saúde que aplicam em grupos de alunos um pouco por todo o país. «Trata-se de um micromusical em que fazemos um primeiro enquadramento – o que é socializar, podemos ou não sorrir para as outras pessoas, quais são os meus medos e talentos, quais as melhores formas de gerir um conflito, como podemos cooperar e alcançar o sucesso escolar – e então trabalhamos esses pilares.» Após a fase de partilha de ideias, as crianças ficam um minuto a dançar os talentos ou os medos, o que for, e já não esquecem os conceitos teóricos. «Serve para passar valores como o autoconhecimento, a cooperação e o afeto, que acredito serem formas de combater o bullying», sublinha.

Gabriel Silva concilia as aulas com o judo, o inglês, a capoeira e a jardinagem. Mas o que gosta mesmo é de bola. Fotografia de Gustavo Bom/Global Imagens

Gabriel Silva concilia as aulas com o judo, o inglês, a capoeira e a jardinagem. Mas o que gosta mesmo é de bola. Fotografia de Gustavo Bom/Global Imagens

Gabriel Silva nunca experimentou a Smile Dance, mas já percebeu que o sorriso é uma arma poderosa de fazer amigos. Tem oito anos, andar gingão de quem parece ter sempre uma bola entre os pés, gosta muito da amiga Matilde, um bocadinho menos (coisa pouca) do resto da turma e bastante menos dos miúdos que batem nos colegas, por não conseguir entender as razões por que o fazem. «A professora Alice ralha com eles e dá-lhes trabalhos extra, mas não adianta», lamenta. A mãe e o avô também lhe ralham quando ele tira piores notas, não porque seja mau aluno – não é –, mas por passar as aulas distraído a pensar no recreio. Se o deixassem, estaria sempre a jogar futebol. É isso que lhe enche as medidas mais do que tudo o resto.

«Entro todos os dias às nove e saio às cinco e meia, para aprender a matéria do quarto ano e ainda inglês, educação física, capoeira e um bocadinho de jardinagem quando é preciso plantar alguma coisa», diz. Às segundas, quartas e sextas tem judo das 18h30 às 19h30, o que obriga a prolongar os trabalhos até depois do jantar (o avô zanga-se um bocado mais com ele nessas alturas em que já estão os dois particularmente rabugentos). Mais do que calcular, memorizar ou relacionar os assuntos, custa-lhe estar sentado quando a escola tem um campo de jogos tão bom. Os amigos são a segunda melhor coisa da sua vida.

«Quando vais ter teste? Já estudaste para o exame? Olha que se não estudas, não passas.» Helena Marujo acredita que, na maior parte dos lares com jovens alunos, estas são as principais narrativas sobre o ensino. «Poucos pais conversam sobre a ideia mais interessante partilhada na aula, e assim vivemos o pânico das avaliações.» Por isso, acredita, surge o medo de falhar naquele momento em que tudo se vai decidir. «Construir um sistema que favoreça o respeito pelo outro é mais fácil do que parece», diz a professora. «Os alunos, sobretudo nos primeiros anos, estão permeáveis de forma maravilhosa ao bom, ao belo, ao ético. São os melhores aprendizes da reciclagem, da agricultura natural e da ajuda ao colega com limitações.» O que é então preciso para mudar a agulha? Talvez fazer das escolas lugares de promoção da virtude humana. Porque, no fundo, saber ser pessoa, no final, é mais importante do que saber debitar de cor as dinastias.

«PERDER O MEDO DE ERRAR»
Entrevista a Nuno Francisco Maia, psicólogo e fundador da Ousar Crescer – Academia de Desenvolvimento Pessoal

As escolas devem ensinar valores éticos e sociais às crianças ou isso é território da família?
_Creio que é um ditado africano que diz que «é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança». A educação deve ser um confluir de esforços, um trabalho de equipa, um compromisso de toda a sociedade. Não começa nem acaba na escola, e não começa nem acaba na família.
Os educadores e os alunos preocupam-se mais com as avaliações do que com a aprendizagem?
_É mais fácil aceitar que se trabalhe mais horas de português, matemática ou uma língua estrangeira, vistos como úteis para o futuro, do que apostar em artes, atividades ludicopedagógicas ou abordagens menos formais. Vejo professores aflitos para cumprirem programas extensos, adaptarem-se a novas metas curriculares, prepararem-se para avaliações, gerirem turmas grandes e difíceis, e vejo que lhes falta tempo e energia para se envolverem na relação com os alunos, desfrutarem dela e darem atenção a cada um. Também vejo pais sem tempo para estar com os filhos, ou sem esse hábito/desejo, e por isso pouco preparados para o encontro.
O que não se ensina nas escolas, de um modo geral, e devia ensinar-se?
_Esquecemos muitas vezes (não me excluo) de como jogar, brincar, conviver, criar, experimentar, conversar são atividades importantes para a formação da pessoa no seu todo. São importantes, inclusive, para ajudar a pensar melhor. Para treinar o cérebro a procurar mais rapidamente caminhos alternativos, ver as situações de outro ponto de vista, perder o medo de errar.
Tendemos a sobrecarregar as crianças?
_Não existe uma medida certa igual para todas as crianças. Mas há várias razões para esta procura, eventualmente excessiva, de atividades: a necessidade de ter as crianças ocupadas até à hora de os pais as conseguirem ir buscar; a preocupação (ajustada ou exacerbada) de estimular ou desenvolver certas competências; o hábito de os pais terem também agendas muito preenchidas; a falta de hábito de ter tempo para simplesmente estar em família.
Como se constrói um sistema de ensino que favoreça o cuidado com a diferença?
_Há novos conhecimentos científicos na área da psicologia e da neurociência que começam a ser postos em prática em algumas escolas/ /contextos educativos, mas ainda precisam de ser generalizados. Teríamos a ganhar pessoas mais felizes.

PREPARAR O FUTURO
Um aluno com más notas pode tornar-se bom aluno. Além disso, as boas notas só são úteis se exercitarem a inteligência, aumentarem a autoestima e ajudarem quem as tem a abrir-se aos outros. A atitude dos pais é, desde cedo, fundamental para influenciar os resultados.

DÊ OPÇÕES. Permita-lhes escolher e ensine-as a assumir as consequências das suas decisões, sejam elas boas ou más.
INCENTIVE A CRIATIVIDADE. Deixe-as dar largas à imaginação com materiais e brincadeiras e elogie o resultado. Os bons estudantes começam por sê-lo porque os pais aplaudiram os seus primeiros rabiscos. Ensine-os ainda a limpar e a arrumar tudo no final.
OFEREÇA JOGOS ATRATIVOS. É importante que não sejam perigosos, estimulem a imaginação, recorram ao espírito de equipa e lhe ensine a saber parar, perder e ganhar com igual naturalidade.
CONFIE. Ensine-o a distinguir entre um favor que lhe pede e uma ordem a cumprir, elogiando o que faz bem sem enfatizar os erros. Muitas vezes, na relação entre pais e filhos, as palavras de uns não significam o mesmo aos ouvidos dos outros.
SEJA MENOS NEGATIVO. Diga (e mostre) com frequência que valoriza as qualidades, elogiando-as diante de terceiros. Nunca diga a um filho que é imaturo, irresponsável, desajeitado, inútil, desastrado, alguém em quem não se pode confiar e que nunca vai ser ninguém.
ESCUTE. Ainda que diga coisas sem grande sentido ou se disperse, está provado que as crianças com boas notas no secundário aprenderam a ser ouvidas nas suas opiniões antes dos seis anos, e a serem interpeladas com seriedade pelos adultos.

Ana Pago
Fotografia de Gustavo Bom, AlgarvePressPhoto e Orlando Almeida/Global Imagens