OPINIÃO

Portugueses Extraordinários

Conheça as portuguesas por detrás do projeto Reklusas, que ajuda presidiárias a desenvolverem as suas capacidades.

Começou em 2010, num projeto de voluntariado, e hoje está transformado em instituição e marca de acessórios, com um volume de negócios de cinquenta mil euros em 2012. Inês Seabra e Mafalda Lima Raposo ajudam as presidiárias a manter-se ocupadas e, mais importante, a criar.

Foi enquanto voluntária da Associação Dar a Mão que Inês Seabra (à esquerda), licenciada em Turismo, conheceu a realidade das reclusas do Estabelecimento Prisional de Tires – e foi também aí que nasceu a ideia de arranjar uma forma de potenciar as capacidades destas mulheres e fornecer-lhes as ferramentas para a reinserção e a reintegração social e profissional.

A Inês juntou-se Mafalda Lima Raposo, formada em Gestão, amiga e também com uma longa história de voluntariado. Juntas criaram a Reklusa, uma Instituição Particular de Solidariedade Social e marca de acessórios de moda fabricados por reclusas do Estabelecimento Prisional de Tires (e, recentemente, também da Carregueira).

Mais do que o dinheiro que lhes dá para começarem uma nova vida após o final da pena, o projeto constrói nestas mulheres a confiança, a autonomia e a sensação de que se é capaz. E não muda apenas a vida das presidiárias. «Entre os aspetos mais gratificantes estão as amizades que se constroem e as parcerias que se fazem», diz Inês.

Na oficina onde trabalham com as reclusas, em Tires, não existem julgamentos, não interessa o que aquelas mulheres fizeram naquela outra vida que tinham antes ou que crimes cometeram. Interessa, sim, a partilha de conhecimentos – até porque, garantem, o seu trabalho enquanto voluntárias ensina-lhes imenso e torna as suas vidas muito mais ricas – e a preparação de um futuro melhor, para estas mulheres e para a sociedade em que se integram. «Acima de tudo, aprendi a trabalhar em equipa», diz Mafalda. «Já fazia voluntariado há muitos anos, mas com a Reklusa percebi que, para chegar aos outros, temos de trabalhar em conjunto.»

Produzidas em materiais tão diversos como estofos de automóveis, telas sintéticas ou tecidos plastificados, as malas são as coqueluches da Reklusa. E carregadas de simbolismo, como é o caso da clutch «Carta», da coleção outono-inverno 2013, cuja forma é inspirada nas cartas escritas pelas reclusas para as suas famílias.

A partir de 7 de novembro, esta e outras malas vão contar com mais um ponto de venda: a nova casa Reklusa, na Rua das Amoreiras, cedida pela Câmara Municipal de Lisboa, cujos fundos para obras foram conseguidos numa campanha de crowdfunding.

Laura Patrício
Fotografia: Gerardo Santos/Global Imagens