OPINIÃO

Vamos falar de cancro na próstata?

Esta sexta-feira, 12 de maio, é o Dia Internacional do Cancro da Próstata, uma doença que afeta cerca de 90 em cada 100.000 homens, em Portugal.

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de Shutterstock

Discutir o assunto continua a causar algum desconforto. Mas, sendo a prevenção a melhor arma contra o cancro na próstata, é importante que se fale do tema. O cancro é a segunda causa mais frequente de morte a seguir às doenças cardiovasculares, e o cancro da próstata é a segunda causa de morte por cancro. Ricardo Pereira e Silva, urologista no Hospital de Santa Maria, esclarece as dúvidas mais frequentes sobre esta doença, que mata 1800 homens por ano em Portugal.

Qual a idade em que há maior probabilidade de ter cancro da próstata?
O cancro da próstata é mais frequente a partir dos 50 anos, altura em que o rastreio deve ser instituído na população masculina em geral. Nos doentes com familiares em primeiro grau com cancro da próstata, a análise do PSA [Antigénio Específico da Próstata] e o toque retal devem ser iniciados mais cedo (pelo menos aos 45 anos).

Quais são os sintomas mais comuns a que os homens devem estar atentos?
Geralmente o cancro da próstata é assintomático e o seu diagnóstico é feito através de rastreio de homens sem sintomas. As alterações do jato urinário, aumento das idas à casa de banho, existência de sangue na urina ou outros sintomas urinários estão principalmente associados à hiperplasia benigna da próstata e não necessariamente ao cancro.

E as causas mais comuns para o aparecimento do cancro da próstata?
Não existem causas bem definidas, tendo sido identificados apenas alguns fatores de risco para o desenvolvimento da doença. A existência de familiares em primeiro grau com diagnóstico de cancro da próstata é um dos fatores de risco mais bem estudados.

É possível prevenir?
Nenhuma medida preventiva (por exemplo dietética) provou ser eficaz, pelo que o diagnóstico numa fase precoce da doença através da realização da análise sanguínea do PSA e do toque retal são essenciais para detetar a doença numa fase em que pode ser oferecido tratamento curativo.

O tratamento mais comum é a cirurgia?
A cirurgia radical da próstata (prostatectomia radical) e a radioterapia (externa convencional ou braquiterapia, com implantação de pequenas sementes radioativas) são os tratamentos mais utilizados.

O tratamento pode ter consequências, nomeadamente afetar a vida sexual do homem?
As consequências do tratamento são menores quando a doença é diagnosticada precocemente. A incontinência urinária e a disfunção erétil (impotência) são duas potenciais consequências dos tratamentos, principalmente quando o tumor é mais agressivo ou está numa fase mais avançada.

Ainda existe um grande estigma para falar sobre esta doença?
Sem dúvida que é um diagnóstico com uma enorme carga emocional associada. No entanto, é essencial esclarecer que o cancro da próstata está associado a uma excelente sobrevivência, com qualidade de vida, quando diagnosticado e tratado atempadamente.

Qual é a percentagem de homens em Portugal com diagnóstico positivo?
Em Portugal, os últimos números disponíveis apontam para uma taxa de incidência (novos diagnósticos) de 90 a cada cem mil pessoas, por ano.

 

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