De Niro, o veterano dos veteranos

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As muitas facetas do ator de 73 anos.

É o maior ator da sua geração no cinema americano contemporâneo. E é assim que muitos continuam a olhar para Robert de Niro, o homem que se transformou no pugilista Jake La Motta em O Touro Enraivecido e ficou para a história do cinema como Don Corleone no filme da saga O Padrinho. Ou que rapou o cabelo a moicano e estilhaçou o sonho americano em Taxi Driver.

Mas há muitos De Niro – o De Niro das interpretações contidas em filmes como Despertares ou Stanley e Iris, e o De Niro que se reinventou para o público mainstream nas sagas Uma Questão de Nervos e Um Sogro do Pior. E o De Niro menos consensual, que aceita entrar em filmes como Um Avô Muito à Frente ou O Grande Dia (com Diane Keaton).

Em Mãos de Pedra, do venezuelano Jonathan Jakubowicz, interpreta uma lenda do boxe, o famoso treinador norte‑americano Ray Arcel, em especial a sua relação com o pugilista Roberto Durán, outra lenda da modalidade nos anos 1970 e 80. No filme, a reunião do panamiano que roubou hegemonia aos americanos com Arcel marca o momento de regresso ao boxe do técnico, que antes estava proibido de treinar pela máfia ítalo-americana em Nova Iorque.


Leia também a entrevista a Robert De Niro.


De Niro tem uma das suas mais vistosas interpretações dos últimos anos, conseguindo outra espantosa transformação física – daquelas em que ficamos a acreditar que esta mesmo mais velho. Em maio, na edição deste ano do Festival de Cannes, Harvey Weinstein, o produtor do filme, conseguiu montar uma pré-campanha para que esta atuação comece a entrar na lista dos Óscares para melhor ator secundário. E parece ter resultado: mais do que elogios ao filme, Mãos de Pedra esta já conotado com a grande interpretação de De Niro. Se chegar aos Óscares será a oitava nomeação e a possibilidade da terceira estatueta (venceu em 1975 por O Padrinho, Parte II e em 1981 por O Touro Enraivecido) e cala aqueles detratores que acreditam que o seu melhor trabalho faz parte do passado.

Foi precisamente no maior festival do mundo que De Niro foi homenageado pela vasta carreira. E foi lá que falou com a imprensa – nomeadamente com a Notícias Magazine –, apesar de a equipa de promoção de Mãos de Pedra ter avisado que a fama do ator com jornalistas se mantém: dá respostas secas, pragmáticas e com pouco entusiasmo [ver entrevista]. O nova-iorquino é educado, simples, tímido e sem sorrisos expansivos. Mas continua a ter um carisma único. Aos 73 anos tem ainda todas as idades de que o cinema precisa.

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