Apetite e crescimento no segundo ano de vida

O "Consultório médico" desta semana, por Nuno Jacinto.

O meu filho tem 14 meses e está a comer menos do que era habitual. Dizem-me que pode ser normal mas receio que seja um problema. O que aconselha?
Frederica Gonçalves, V. N. Gaia

No segundo ano de vida, o crescimento das crianças é menor do que até então, sendo normal que não tenham tanto apetite. Nesta idade, as crianças também adquirem uma maior autonomia e vontade de explorar o mundo que as rodeia, pelo que a alimentação muitas vezes fica para segundo plano.

Se o desenvolvimento da criança é harmonioso, se o crescimento é o esperado, se brinca e está geralmente bem-disposta, não devemos ficar preocupados apenas porque está a comer menos do que era habitual.

Pelo contrário, se existirem grandes alterações no crescimento ou a criança mostrar sinais de doença, deve ser avaliada pelo médico que segue a criança e melhor a conhece.

Importa, por isso, seguir alguns princípios que ajudarão a viver de forma mais tranquila esta nova etapa: ter atenção à quantidade de comida que servimos às crianças (doses excessivas só contribuem para que haja obesidade no futuro); garantir que a alimentação é rica e variada; não oferecer apenas alimentos pelos quais a criança tenha um gosto particular; não substituir alimentos saudáveis por doces, comida processada ou pequenos “petiscos” ao longo do dia; fazer das refeições momentos de festa em família para que a criança tenha uma relação saudável com a comida; não menos importante, manter atividade física diária por forma a permitir à criança sentir fome e ser ela a procurar os alimentos.

Também neste campo, devemos compreender as necessidades da criança nesta fase e agir em função delas, o que requer paciência e capacidade de perceber o que é normal e o que nos deve preocupar.

Nuno Jacinto, médico de família, na USF Salus – Évora, e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar

*A NM tem um espaço para questões dos leitores nas áreas de Direito, Jardinagem, Saúde e Finanças pessoais. As perguntas para o Consultório devem ser enviadas para o email [email protected]