Mulheres, muita atenção a estes sinais

Hemorragias uterinas e dores pélvicas devem ser motivo de consulta médica. As doenças ginecológicas, particularmente na idade reprodutiva, podem ter impacto na fertilidade.

Texto Sara Dias Oliveira

Há sintomas ginecológicos a que as mulheres devem estar atentas. A bem da sua saúde. Uma hemorragia uterina anómala e uma dor pélvica não podem, nem devem, passar despercebidas. Qualquer hemorragia em idades precoces, antes da primeira menstruação, ou depois da menopausa, em idades extremas da vida reprodutiva, não é normal. Alterações aos ciclos normais da menstruação, por hemorragia excessiva ou escassa, podem estar relacionadas com alterações hormonais ou com doenças dos órgãos pélvicos.

“A dor pélvica, não sendo exclusiva do aparelho ginecológico, é também um sintoma frequente e relevante que carece de investigação”, revela à NM Alexandre Lourenço, especialista em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital Santa Maria. “Pode estar associada a outros sintomas como febre, hemorragia ou corrimento vaginal anómalo. A dor pélvica intensa ou persistente é um motivo frequente e importante para uma consulta de ginecologia.”

Uma perda de sangue vaginal antes da primeira menstruação ou depois da menopausa deve ser sempre investigada.

Há sintomas mais e menos graves. Doenças com mais e menos riscos. Na adolescência, as maleitas mais frequentes são as infecciosas, alterações da ovulação, e problemas resultantes da contraceção ou ausência dela. “As doenças do útero mais frequentes na idade reprodutiva, pólipos e miomas, são benignas, mas podem ter uma repercussão variável na saúde feminina. Se associadas a hemorragias muito frequentes e/ou abundantes podem originar anemia crónica”, adianta o especialista. O tratamento, muitas vezes, é cirúrgico.

Hemorragias frequentes ou muito abundantes podem provocar uma anemia crónica.

Na peri-menopausa e após a menopausa, a disfunção ovulatória e posteriormente a ausência de ovulação estão associadas a modificações do ambiente hormonal e provocam alterações em vários sistemas. “Além da sintomatologia associada à menopausa, a ausência de estrogénios facilita o aparecimento de osteoporose e doenças cardiovasculares, além da atrofia genito-urinária, que pode acarretar disfunção sexual e urinária importante, bem como o aparecimento de defeitos do pavimento pélvico, evidenciados pela incontinência urinária e prolapso”, adianta Alexandre Lourenço.

E também há, naturalmente, doenças malignas do sistema reprodutivo. Pela sua frequência nas mulheres mais novas, as alterações do colo do útero, nomeadamente o cancro cervical, são muito relevantes. No entanto, graças à citologia cervical (ou seja, o papanicolau), um sistema de rastreio sistemático implementado há décadas, este cancro, que há 60 anos era o mais frequente na mulher, tem agora deteção e tratamento muito precoces, sendo importante nas mulheres sem vigilância frequente. “Com o aparecimento da vacina contra o HPV [papilomavírus humano], podemos mesmo prevenir o seu aparecimento.”

Depois dos 40, 50 anos, o cancro mais habitual é o da mama e há programas de rastreio para revelação precoce que permitem reduzir significativamente a mortalidade, evitando mutilação excessiva e melhorando a qualidade de vida. O cancro do endométrio e do ovário são menos recorrentes. Segundo Alexandre Lourenço, “enquanto o do endométrio tem um crescimento mais lento e está associado precocemente a hemorragias vaginais na pós-menopausa (o que permite diagnóstico precoce com taxa de cura superior a 80%), já o cancro epitelial do ovário tem uma progressão mais rápida e inicialmente sem sintomas, o que acarreta uma maior mortalidade. Felizmente, é o mais raro dos quatro.”

Os pólipos e miomas são doenças benignas, mas podem ter uma repercussão variável na saúde feminina.

Sintomas detetados, é hora de marcar consulta no ginecologista assistente. “A vigilância em saúde, ou seja, assintomática, pode diagnosticar precocemente estas situações e ter um tratamento mais precoce e manter uma boa qualidade de vida”, refere o ginecologista.

O exame mais importante, em muitas situações pélvicas, é a ecografia ginecológica. É um exame barato, inócuo, fácil de realizar e repetir, e que imediatamente pode dar muitas informações morfológicas do útero e ovários e perceber se a doença tem um substrato orgânico (alteração do órgão) ou funcional (órgão de morfologia normal, mas com alterações do seu funcionamento). A mamografia e a ecografia mamária são fundamentais no diagnóstico das doenças mamárias.

Impacto na fertilidade
Os tratamentos são muitos e variados. Desde logo, a adoção de hábitos e estilos de vida saudáveis. Boa alimentação, exercício físico, evitar a obesidade, o tabaco ou comportamentos de risco. O tratamento pode ser farmacológico ou cirúrgico, de acordo com as doenças encontradas. “Normalmente, as alterações funcionais necessitam de medicamentos que reponham a função hormonal normal. A pílula ou a terapêutica de substituição são os exemplos mais frequentes”, adianta o médico. O procedimento é cada vez mais personalizado e adequado aos anseios e estilos de vida das doentes.

As doenças ginecológicas, em particular na idade reprodutiva, podem ter impacto significativo na fertilidade. “Em especial, as alterações funcionais do ovário que impedem ou dificultam a ovulação, as infeções pélvicas e as doenças que modifiquem a estrutura do útero e das trompas – miomas e pólipos, malformações congénitas, endometriose.”

“Estas doenças, que podem ter ocorrido anos antes das tentativas de engravidar, são cada vez mais frequentes e surgem em especial se adiamos a data da primeira gravidez para depois dos 35-40 anos. Por esta razão é aconselhado com frequência a vigilância de rotina e, na sua ausência, pelo menos uma visita pré-concecional”, refere o especialista.

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