OPINIÃO

Mortes por sarampo caem no mundo. Mas aumentam em Portugal e na Europa

Relatório da Organização Mundial de Saúde mostra sinais preocupantes. Depois de erradicado de Portugal e da Europa, o sarampo voltou a matar em 2017.

O mais recente relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), publicado ontem, dá notícia de um sério passo atrás na saúde pública. Depois de ser oficialmente erradicado em Portugal, o sarampo voltou a matar em 2017.

Enquanto o mundo vai conseguindo lutar contra a doença, na Europa a mortalidade cresce. Em 90 por cento dos casos por falta de vacinação.

Em Portugal houve uma morte e 27 casos registados no ano passado, contra zero no ano anterior. No total continental, foram 35 mortes, todas de crianças não vacinadas. E o número de contaminações quadruplicou num ano: uma subida de 2573 diagnósticos em 2016 para 21315 em 2017.

Roménia, Itália e Ucrânia apresentam os valores mais preocupantes, seguidos por Bélgica, Reino Unido, França Alemanha, Grécia e Rússia. Alguns destes países aprovaram entretanto leis para multar os pais que falhem os prazos de vacinação dos filhos.

Nos anos 1980 o sarampo matava 2,6 milhões de pessoas todos os anos. Erradicado da Europa, voltou com os movimentos antivacinação.

Assim que o estudo saiu, o New York Times apontou a causa mais provável para o fenómeno: a persistência dos movimentos antivacinação no Velho Continente.

Em Portugal a vacina do sarampo é gratuita, a primeira dose deve ser tomada até aos 12 meses de idade, a segunda aos cinco anos. Quem nasceu depois de 1970 e nunca sofreu sarampo, rubéola ou papeira também é aconselhado a tomar a vacina.

Apesar deste revés europeu, as mortes por sarampo atingiram globalmente o seu ponto mais baixo em 2017. Na década de 1980, era uma epidemia que 2,6 milhões de pessoas anualmente em todo o globo.

A introdução de campanhas de vacinação nos países em desenvolvimento a partir do início do milénio tem provocado bons resultados. Em 2016, as mortes mundiais por sarampo tinham caído para 89780 casos.

A vacina para o sarampo foi licenciada em 1963 e o seu uso massivo, sobretudo na Europa, permitiu a erradicação da doença na maioria dos países do continente. Nos últimos anos, no entanto, têm crescido os movimentos antivacinação. E, com eles, as mortes por sarampo.