As nossas apostas: 12 nomes que vão dar que falar em 2018

Continuamos a cumprir a tradição de, na última edição do ano, eleger os 12 nomes em que apostamos para o ano seguinte. A escolha é feita por especialistas com provas dadas em 12 áreas. Da ciência à música, da literatura à gastronomia, do ambiente ao desporto, esta é a nossa seleção nacional de esperanças.

Textos Alexandra Tavares-Teles e Catarina Fernandes Martins

MÚSICA: Mariana Secca (MARO)

Rui Veloso aposta nela como revelação musical de 2018. Porque «compõe, toca e canta bem em várias línguas». E porque «tem uma voz rara». Aos 23 anos, Mariana Secca, lisboeta de ascendência italiana, irlandesa e cabo-verdiana, está a dias de licenciar-se em Música pela Berklee College of Music (Boston). Antes de viajar para os Estados Unidos, fez o ensino secundário em Ciências e Tecnologias e o Conservatório de Piano, que começou com 4 anos. Aos 11 compunha, aos 13 aprendeu sozinha a tocar guitarra, aos 14 dava aulas de piano, guitarra e formação musical. Porém, apesar de muito presente, a música não fazia verdadeiramente parte dos seus planos. Preferia jogar futebol ou ténis – e tinha decidido seguir Medicina Veterinária. A mudança deu-se num ano em que parou para fazer melhorias de nota. «Tive tempo para pensar na minha vida e descobri que não conseguia viver sem música. Percebi que era realmente feliz naquelas noites em que, tendo de estudar para o meu exame de Biologia ou Matemática, do dia seguinte às oito da manhã, ficava a tocar e a cantar até às quatro ou cinco sem perceber que tantas horas tinham passado.» Escolheu nome – MARO –, publicou uns vídeos no YouTube. Apresentou-se como artista, com temas originais, em 2015, na Berklee. Em 2016, deu o primeiro concerto completo. Agora, nova etapa traz novas promessas e estreias: a mudança de Boston para Los Angeles, onde ficará a viver pelo menos um ano. Nos próximos meses acontecerá o lançamento do seu primeiro álbum. Os próximos 12 meses serão «um investimento de corpo e alma nos sonhos», que passam também por um dia viver em Portugal. A.T.T.

ARTES PERFORMATIVAS: José Condessa

Não é fácil impressionar Diogo Infante. José Condessa, com apenas 20 anos, conseguiu: «Pelo talento bruto e pela invulgar capacidade de entrega ao personagem, ao momento, à emoção, sem medo e sem rede.» Conheceram-se nas gravações de Jardins Proibidos, e da impressão à convicção foi um passo: «É alguém de quem vamos ouvir falar em 2018, 19, 20, 21 e por aí fora.» José Condessa cresceu a ver o pai, ator amador, no antigo Teatro Camões. Sem saber ler nem escrever, decorou a primeira página de texto reproduzindo as palavras que ouvira ao pai, no palco. Aos 5 anos fez o primeiro monólogo. Em 2009 oficializou a paixão e entrou para o teatro infantil da Academia de Santo Amaro. Na altura de decidir o futuro académico não hesitou. Na Escola Profissional de Teatro de Cascais aprendeu «a arte da representação com os melhores». E desde cedo assumiu trabalhos de fôlego: ainda aluno, fez o Auto da Barca do Inferno e o Auto da Índia, foi protagonista numa peça de Ibsen (Peer Gynt), representou Shakespeare, Ricardo Boléo, Jean Genet. Gosta de ter a bola nos pés. E teve-a. Dos 5 aos 15 anos jogou futebol no Benfica, representando a seleção nacional do escalão. «Uma paixão que poderia ter sido o meu futuro se não tivesse tido uma lesão que me levou a parar um ano.» Depois de uma passagem pelo futsal, em 2016, decidiu dedicar-se a cem por cento ao teatro. A que se juntou a televisão. «Os projetos aparecem uns atrás dos outros, e eu não sei como agradecer nem a quem.» Isto ele sabe: quer deixar marca na representação. A.T.T.

DESPORTO: Sérgio Maciel

Um dos mais promissores atletas portugueses nasceu em Darque, Viana do Castelo, tem 19 anos, é eletricista, aprendeu a gostar de canoagem e que outro sonho poderia ter senão este: ser campeão do mundo e participar nuns Jogos Olímpicos. Os recentes pódio no mundial e no europeu, na categoria sub-23, e a obtenção de várias medalhas em competições internacionais na modalidade, provam que Sérgio Maciel está a fazer o caminho. Carlos Paula Cardoso distingue o jovem e chama a atenção para o talento do canoísta num elogio sem reserva: «Resistência, capacidade de trabalho e fair-play são palavras que ajudam a definir o Sérgio Maciel como um dos maiores talentos do desporto português.» Sérgio Maciel vive com os meus pais em Darque. Queria ser jogador de futebol e eletricista. Eletricista já é, com diploma passado. O futebol, esse, foi trocado pela modalidade de que aprenderia a gostar. O caso começou tinha Sérgio oito anos. Nas férias escolares, Carlos Maciel inscreveu o filho no clube de canoagem perto de casa. Apaixonou-se pelas canoas. De tal forma que arrastou toda a família: o pai começou a fazer canoagem aos 39 anos e o irmão, de 11, já está «viciado». Dos oito aos doze anos, Sérgio praticou a modalidade kayak – k1. Aos doze passou a fazer Canoa -C1. Sempre a conquistar títulos: campeão nacional de fundo e pista200mt C1em Cadete, campeão nacional de maratonas, campeão europeu e vice-campeão do mundo como júnior em 2016, bronze nos europeus de maratonas e prata do mundial de maratonas, em 2017. Rema todos os dias, duas a quatro horas e iniciou recentemente o curso de treinador de canoagem. Expetativas? Todas: «Tenho como projeto tentar o título de campeão do mundo de maratonas e o sonho de lutar pela qualificação para um lugar nos jogos olímpicos». A.T.T.

LITERATURA: Carla Pais

«A autora publicou em 2017 o seu primeiro romance, Mea Culpa, afirmando uma voz ainda em construção mas já consistente no panorama da mais jovem ficção portuguesa». É a aposta de Manuel Alberto Valente, que vaticina: «Acredito que em 2018 assistiremos à plena «confirmação do seu valor». Carla Pais. Diz da sua escrita que é «estranha». «Crua», também. Porque está cansada de paninhos quentes em tudo, de «tudo muito aprumadinho e certinho». O romance de estreia nasceu do desentendimento da autora com o preconceito, com o julgamento alheio. «Com os rótulos que colamos na testa do outro pela roupa que veste, pelo nome que carrega, pela profissão que exerce, pelos estudos que fez». Foi escrito em nove meses, num processo por vezes, demorado, por vezes, torrencial. «Sofrido também». Quer continuar a trabalhar e a escrever livros. «Não peço mais nada, nem perspetivo muito mais além disso. Se sou feliz assim, para quê mudar?» Mas gostaria de ver Mea Culpa traduzido no país que a acolheu: França. Carla Pais nasceu em 1979, numa pequena aldeia perto de Leiria. Aos dezassete anos abandonou a escola para ser mãe e casar. «Enquanto os outros adolescentes andavam a tirar cursos académicos já eu andava a criar filhos». Voltaria à escola mais tarde, para terminar o secundário, no horário noturno. Ainda se inscreveu na Universidade, mas abandonou ao fim dos primeiros meses «porque queria estar presente na vida dos meus filhos, do meu marido, queria fazer à minha maneira». Fez. «A vida não me deve nada, sempre me empurrou para os caminhos certos. Sempre tive os empregos que quis ter, mesmo quando em 2012 cheguei a França para fazer limpezas ou embalar salmão ou cuidar de crianças». Hoje tem um cargo de responsabilidade num Centro de Formação à Distância. Já em França, concorreu ao Prémio Literário Horácio Bento Gouveia na Madeira. Ganhou o prémio com o conto A alma do Diabo. Pensou então que talvez tivesse chegado o momento de «escrever um romance a sério». Iniciou Mea Culpa. A.T.T.

TECNOLOGIA: Diogo Teles

«Em 2018 devemos mantê-lo debaixo de olho», aconselha Simon Schaeffer, e a justificação vem de seguida. «A paixão e os planos do Diogo para esta área tecnológica e a sua aplicação a diversos sectores são visionários». Diogo agradece e sorri. Em 2009, com um iPhone programava aplicações mobile mesmo antes do boom nascido com a app store, o que o levou à blip.pt – startup do Porto, obra de um grupo restrito de amigos, não mais de 20, e que é hoje centro de centenas de pessoas. «um ano muito bem passado», conta Diogo, depois do qual decidiu arriscar e criar em parceria, um projeto mais pessoal. A aventura não correu conforme o previsto mas nem por isso foi infrutífera. Pelo contrário: Diogo considera o «falhanço/sucesso», como lhe chama, uma das etapas fundamentais da curta carreira. Aprendeu muito, suou muito. E, sobretudo, conheceu algumas das pessoas que mais o influenciaram, tendo partilhado a Startup Lisboa com alguns daqueles que são hoje os mais conhecidos novos empreendedores portugueses. Etapa seguinte: a Faber Ventures, fundo de investimento em tecnologia. É é aí que descobre o que agora é a sua paixão: a aplicação da tecnologia e a sua consequência num produto, empresa ou mercado. Depois de 3 anos na Faber, decidiu que era tempo de trabalhar numa empresa de escala. Escolheu a Booking.com e escolheu bem: hoje, depois de um ano e meio de «casa», lidera a New Product Development como Principal Product Owner. Aos 31 anos, vive em Amesterdão. Nascido no Ribatejo teve o primeiro computador aos 10 anos. «Jogava muito, nunca programei, nunca fui um empreendedor desde cedo. Foi apenas na universidade que comecei a entender e a descobrir tecnologia. Como aluno não era nada de especial, como programador também não, a única coisa que me apaixonava era a aplicação e consequência da aplicação dessas tecnologias». Em Aveiro, faz 4 anos e meio de engenharia de Computadores e Telemática deixando a universidade sem terminar a tese. Foi com autores como Orwell, Asimov, Huxley ou De Lillo, em livros como 1984, I Robot, Brave New World que se apaixonei pelas aplicações e consequências da tecnologia. A Booking.com leva já 20 anos de indústria hoteleira e quer agora mudar a forma como as pessoas vivem o mundo quando viajam. «Este é um desafio enorme, interna e externamente e isso é o que quero fazer no próximo ano, criar os produtos que vão ao encontro dessa mudança». De resto este ano, e nos próximos, quer acompanhar – «e se possível contribuir» – as mudanças que algumas das novas tecnologias vão trazer aos mercados «necessitados»: blockchain (tecnologia que suporta a bitcoin) e a sua relação com bancos, seguradoras, mediadores e governos. Por fim «e muito importante», deixa o desejo: «que a Europa não siga os Estados Unidos no ataque a uma internet livre». Fica registado. A.T.T.

AGRICULTURA: Luís Lopes

Dirk Niepoort elogia-lhe o «espírito aberto e a vontade de conhecer o mundo» e diz que «mais do que fazer vinho, é alguém que respeita a vinha; mais do que enólogo, é adegueiro, e isso é importante». As experiências no estrangeiro, depois da licenciatura em Enologia (UTAD, Vila Real), essa aprendizagem e o panorama nacional da viticultura, a enologia e o mercado do vinho foram marcos importantes do percurso de Luís. Assim como a colaboração com a Quinta da Pellada, as oportunidades que aí teve e das quais resultou uma experiência marcante: Moreish Branco 2015, um vinho «sem produtos», comercializado em Portugal e na França. Uma colaboração que terminou em outubro passado para se dedicar de outra forma à vinha e ao vinho. Enólogo e viticultor há dez anis, colabora, desde 2008, com a Herdade do Carvalhal de São Luís (Troviscais, Odemira) e com António Madeira (Santa Marinha, Seia, Dão), desde 2010. Nascido em Torres Novas em 1984, criado numa aldeia, sempre quis ter um emprego ao ar livre. Porque não enólogo ou viticultor? Afinal, desde os 9 anos que subia encostas de vinha, arrastando potes de vindima e, adolescente, já gostava de «desengaçar uvas na ciranda». Para ele, «terra, como a paixão, é um negócio que não existe sem sensações, vivências, dificuldades e alegrias». Defende a escrupulosa racionalidade na gestão dos ciclos de maneira que não se excedam os recursos. Até porque quer «deixar o mundo um pouco melhor» do que o encontrou. A.T.T.

SOLIDARIEDADE: Francisca Onofre

«A Francisca é uma miúda muito magrinha. Pergunto-me sempre quando vai partir-se.
É uma missionária de vocação, vive para os outros, dá até à exaustão, sem olhar a meios, com a garantia de que os fins serão alcançados. Só é pequenina fisicamente, enquanto ser humano é enorme. Acredito que, esteja onde estiver, fará a diferença.» Foi com este elogio rasgado que Conceição Zagalo escolheu Francisca Onofre, 32 anos, como o nome a acompanhar na solidariedade em 2018. Francisca, que se estreou no voluntariado aos 9 anos a distribuir refeições aos idosos apoiados pela Santa Casa da Misericórdia, quis ser freira. Durante dois anos fez o noviciado na Congregação do Sagrado Coração de Jesus, mas acabou por perceber que a sua vida não passaria por ali. «Queria ser voluntária e estar ao serviço», diz. Depois do incêndio de Pedrógão Grande, em junho deste ano, organizou a Missão Aqui e Agora, com o apoio dos jesuítas, para ajudar as vítimas. Tem vivido entre Lisboa e Castanheira de Pera desde então. A dedicação ao interior do país depois das tragédias de junho e outubro fizeram-na perder o emprego num colégio onde acompanhava alunos de educação especial em Lisboa. «Disseram-me que nunca me tinham visto tão feliz e realizada e acho que perceberam que eu ia continuar a pedir licenças para acompanhar as vítimas. Perceberam que eu não era a melhor aposta agora. Fiquei triste porque tenho contas para pagar, mas temos de arriscar e confiar no que a vida nos vai dando.» C.F.M

GASTRONOMIA: Vasco Coelho Santos

«O Vasco está a fazer uma carreira perfeita. Quer ser um chefe de renome e vai ser. Em 2018 vai ganhar uma estrela Michelin», diz Ljubomir Stanisic sobre Vasco Coelho Santos, 30 anos. Vasco começou por estudar Gestão na Universidade Católica do Porto, mas acabou a fazer um curso de cozinha no Atelier de Cozinha Michel em Lisboa, onde se deixou cativar «pela adrenalina e pelo stress». Trabalhou com Olivier, estagiou com Avillez no Tavares Rico e mudou-se para Espanha para trabalhar nos conceituados Mugaritz, Arzak e El Bulli. Após uma viagem de exploração turística e gastronómica na Ásia, testou o estilo de cozinha em jantares privados no Porto e pouco depois montou o primeiro restaurante – Baixopito. Nova viagem até ao Japão daria origem ao Euskalduna, inaugurado em 2016, onde Vasco não apresenta menu, cozinhando apenas o que lhe apetece, com a condição única de os produtos serem cem por cento portugueses. «Não fazemos cozinha portuguesa, mas cozinhamos como se fazia antigamente, a baixa temperatura, como a minha avó fazia, no tacho, lentamente», diz. Em 2018, Vasco não tem planos para novos restaurantes, preferindo concentrar-se nos que tem em mãos. «Tenho pensado em abrir uma coisinha diferente, mas é surpresa.» Possíveis novidades em 2018, já que Vasco não parece conseguir estar muito tempo parado. C.F.M.

ARTES PLÁSTICAS: Luís Lázaro Matos

«O Luís entrega-se inteiro nas fragilidades e nas forças, que são os mesmos sítios. Isso nota-se nos temas que aborda, no facto de não ter medo do ridículo, na inexistência de autocensura.» Foi essa a primeira impressão de José Pedro Croft ao ser júri da candidatura de Luís Lázaro Matos a uma bolsa Fulbright para estudar nos Estados Unidos. A impressão do artista plástico foi confirmada pelos restantes membros do júri, que atribuíram a bolsa ao jovem. Luís deveria estar a concluir esse programa de estudos, mas desistiu a meio porque não gostou da experiência. Luís Lázaro Matos, 30 anos, quis ser arquiteto como o pai, mas decidiu ir para Artes Plásticas para evitar um destino num meio empresarial. Nem o curso de Escultura nem o de Pintura nas Belas-Artes o satisfizeram e Luís acabou por mudar-se para Londres para estudar no Goldsmiths College. Em 2012, ao fim de quatro anos no Reino Unido e numa altura em que muitos jovens deixavam Portugal devido à crise, Luís apercebe-se da precariedade da vida em Londres e faz o caminho inverso, intuindo que a qualidade de vida em Lisboa lhe daria o espaço necessário para desenvolver a criatividade. «Lisboa permite-me estar bem emocionalmente para ser produtivo», diz. A nomeação para o Prémio EDP em 2013 colocou-o no mapa de novos artistas e pouco depois aceitou o convite da Galeria Madragoa, que o representa até hoje. Em maio de 2018 será publicado o primeiro livro de Luís relativo à exposição que esteve na ArteMadrid e na mesma altura o artista lançará a nova exposição, inspirada na morte de Luís II da Baviera. C.F.M.

TURISMO: Rui Bento

«O Rui está e vai continuar a liderar nas questões fundamentais do setor do turismo – os desafios à regulação existente e o aumento da liberdade de escolha dos consumidores», diz Adolfo Mesquita Nunes sobre Rui Bento, 33 anos, diretor-deral da Uber para a Península Ibérica. Rui Bento estudou Ciências Computacionais e obteve um MBA na Universidade de Berkeley, na Califórnia trabalhou como consultor na McKinsey e na Apple para a Europa, Médio Oriente, Índia e África. A nomeação de Adolfo Mesquita Nunes surpreendeu Rui, acabando por levá-lo a pensar no paralelismo entre a Uber e o turismo. «Estamos a concentrar-nos em ser uma constância na vida das pessoas que viajam, oferecendo-lhes simplicidade e familiaridade», diz. Ao ser o rosto da Uber em Portugal, Rui Bento enfrenta uma guerra aberta com os taxistas, mas desvaloriza a questão. «A mobilidade tem mudado muito nos últimos anos e é natural que diferentes países se adaptem de formas diferentes e a ritmos diferentes. Estamos empenhados em garantir que em Portugal seja aprovado um novo quadro regulatório para o setor da mobilidade», diz. Antecipando o ano de 2018, Rui Bento fala na segunda pessoa: «Queremos descobrir áreas de crescimento além da área tradicional. Queremos ir além da mobilidade, como fizemos neste ano com o Uber Eat ou como já tínhamos feito com o Uber Green, em que Portugal foi o primeiro mercado de todo o mundo a disponibilizar o serviço dos carros cem por cento elétricos.» C.F.M.

AMBIENTE: Helena Santos

«A Helena é extremamente dedicada à causa do ambiente e conservação da natureza e sinto que vai conseguir fazer a ponte entre a geração anterior e o futuro», diz Serafim Riem sobre a sua aposta para o ambiente em 2018. Helena Santos, 29 anos, acabou de concluir o doutoramento em Biologia da Conservação, tendo estudado espécies crípticas de morcegos na Península Ibérica. O foco de Helena nos morcegos tem que ver com a raridade da investigação em torno desta espécie, mas acima de tudo com o facto de serem um grupo «com vantagens a nível ecológico e para a sociedade, alimentando-se de pragas agrícolas e de espécies que podem ser nefastas para o ser humano como os mosquitos ou as traças», diz. Como membro da direção do FAPAS, Helena tem-se empenhado em angariar mais jovens para a associação, tarefa que não é fácil, diz. «A importância dada ao ambiente em Portugal é quase nula – há pouca gente a trabalhar com ambiente e há muito pouco voluntariado», diz. Situação que, contrariamente ao que Helena esperaria, não se alterou substancialmente depois dos incêndios de 2017. «É um assunto urgente e é preciso chamar a sociedade e particularmente as gerações mais jovens, que infelizmente não conseguem muitas vezes dar do seu tempo para o ambiente porque as associações não têm fundo, não têm possibilidade de se desenvolver como deveriam.» C.F.M.

CIÊNCIA: Zita Santos

«Escolhi a Zita porque admiro o seu entusiasmo e a curiosidade científica que brilha nos seus olhos. A sua inquietude científica tem-na feito sair da “caixa” da sua especialidade e atravessar pontes para outros campos. Essa inquietude levou-a várias vezes a fazer descobertas importantes», diz Jorge Carneiro sobre Zita Santos, 33 anos, bióloga e investigadora no Laboratório Comportamento Alimentar e Metabolismo na Fundação Champalimaud. Zita, que fez o curso de Biologia microbiana e genética na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e o doutoramento no Instituto Gulbenkian para Ciência, está a estudar como o estado metabólico dos animais influencia o seu comportamento e apetite. Utilizando como modelo a mosca da fruta, a linha de investigação da equipa em que Zita trabalha pode ter impacto ao nível de doenças como a obesidade, a diabetes e o cancro. A formação e o trabalho de Zita têm sido dentro de Portugal até agora. Ao escolher o seu nome, Jorge Carneiro referiu estar «inquieto para saber se o sistema científico nacional tem capacidade para a assimilar, guardar e estimular para fazer novas descobertas». Zita Santos acha que, «em geral, a qualidade da ciência em Portugal é muito elevada, apesar de não haver muitas opções para cientistas investigadores fazerem carreira académica», diz. O sonho de Zita é ter o próprio laboratório e «ficar em Portugal, a fazer ciência». No fim de 2018, quando termina o pós-doutoramento financiado pela FCT, Zita estará mais próxima de perceber se esse sonho pode ou não ser cumprido. C.F.M.

 

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