10 conselhos simples (e muito eficazes) para falar da morte às crianças

É Sexta-Feira Santa, o dia em que os cristãos celebram a crucificação e morte de Jesus no Calvário. Um dia tão bom como qualquer outro para falar sobre a morte aos nossos filhos, enquanto comemos umas amêndoas de chocolate que nos adocem as palavras.

Texto NM | Fotografias da Shutterstock

CONVERSA

A partir do momento em que o seu filho se confronta com a morte de um familiar ou animal de estimação, e fica na angústia de saber se sofreu, se os pais também vão morrer, se ele próprio vai morrer, o melhor é falar abertamente do tema, com verdade, tendo em conta a sua idade e perceção.

IRREVERSIBILIDADE

Um ponto fundamental a deixar claro é que a morte é irreversível. Não tem de ser um fardo impossível de carregar, mas é definitiva e não vale a pena dar à criança falsas esperanças de que um dia possa rever a avó ou o labrador César.

SOFRIMENTO

Da mesma forma, importa tranquilizá-la dizendo que quem morre já não sente nada. Tendemos a atenuar o embate dizendo que a pessoa agora está no céu, nos nossos sonhos, numa terra bonita, e se a criança for imaginativa pode angustiar-se ao pensar que estará a sentir-se sozinha ou com frio.

DOENÇA

Todos ficamos doentes de vez em quando, sobretudo as crianças, razão por que convém explicar-lhes que existem vários tipos de doenças e nem todas são graves. Esta distinção torna-se particularmente importante caso a morte do ente querido ou do animal se tenha devido a doença.

CULPA

Nunca é fácil lidar com a morte de alguém próximo e o luto pressupõe sentimentos como tristeza, raiva, isolamento, negação, medo, dor, saudade, angústia, incerteza e até culpa. O melhor é explicar à criança que faz tudo parte, é assim mesmo, e não há nada que ela pudesse ter feito para evitar.

EMOÇÕES

O mesmo princípio se aplica em relação às nossas próprias emoções: se as sentimos independentemente de sermos adultos, se são idênticas às dos nossos filhos, dizermos-lhes que estamos tão tristes como eles só vai ajudá-los a percebê-las melhor e a falarem delas.

PARTICIPAÇÃO

A partir de uma certa idade – talvez dos 10 anos, dependendo da maturidade e sensibilidade das crianças –, é importante que assistam a pelo menos um dos rituais mais leves, como irem à missa ou ao cemitério levar flores. Esta participação concreta ajuda-as a assimilar e até a aceitar a morte.

TRISTEZA

É algo que muitos pais fazem com a melhor das intenções: sobrecarregarem os filhos com atividades para não lhes dar tempo de sentirem a tristeza decorrente da perda. E isto quando é essencial respeitar os seus vazios e silêncios, permitindo-lhes lidar com as emoções ao seu ritmo.

BRINCADEIRA

Outro erro frequente é os pais verem a criança a querer entreter-se com algum brinquedo ou a rir-se, e ficarem zangados por pensarem que ela não sente a morte como eles. A única coisa que significa é que os pequenos não conseguem manter uma emoção durante tanto tempo como os adultos.

ALÍVIO

E por último, chegamos àquele que é o maior medo das crianças: perderem os pais. Se isto trouxer muita angústia ao seu filho, diga-lhe que isso só acontecerá quando vocês já forem muito velhinhos, e que mesmo aí haverá muita gente que os adora a querer tomar conta deles. Nunca ficarão sós.

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