OPINIÃO

Amigos de estimação

O lugar dos animais na casa dos portugueses.

Ninguém sabe o que pensam, como pensam, o que sentem. Mas quem os conhece diz serem capazes de um afeto absoluto, que vai para além de toda a racionalidade. Os animais podem ser os nossos melhores amigos? Podem. E ganham cada vez mais espaço nas famílias portuguesas. Sem eles, dizem, não seria a mesma coisa.

A experiência de ter cães no passado foi decisiva para Marina Lobo: na sua pró­pria casa, se o namorado concordasse, teria de ha­ver um cão a dada eta­pa da vida do casal. Brin­cou muito com o dober­mann dos pais, Alibi, grande companheiro em miú­da. Já mais velha, franzina ao lado de Puma, maravilhava-a o cuidado com que o rottweiler abria a bocarra para ela e pare­cia sorrir. Gostava dos animais, da lealdade, da entrega, daquela alegria efusiva diante dos donos. Mas nunca nada a preparou pa­ra o amor que veio a sentir por Maktub desde que o buldogue inglês lhe entrou porta aden­tro, tinha então 2 meses e mais dobras do que um origami no corpinho redondo. São os dois verdadeiros amigos, pensem as pessoas o que pensarem da viabilidade de uma ami­zade entre espécies.

«Sempre tive cães quando vivia com os meus pais, mas nunca fui a pessoa respon­sável por eles. Só tinha de brincar», adianta a artista de computação gráfica, para quem o aumento das responsabilidades com Maktub tem sido largamente compensado pelos afe­tos nos quatro anos que levam juntos. «Este é o primeiro cão que tenho desde que fui viver com o Nuno e percebi que fazia parte da fa­mília no momento em que entrou em nossa casa. Confio nele a cem por cento. Acredito que se algum dia estiver numa situação que me ponha em risco de alguma forma, ele fa­rá tudo ao seu alcance para me ajudar como puder. É sem dúvida um dos meus melhores amigos, se não mesmo o melhor. Está sem­pre disponível para mim.»

Teresa Andrade, psicóloga clínica, formadora na área do luto e investigadora em pedagogia, confirma que um animal pode, de facto, ser o melhor amigo de uma pessoa, com sentimentos idênticos aos de uma amizade entre humanos, independentemente do que as pessoas prefiram chamar ao vínculo: «Pela natureza próxima da relação, creio que são como familiares muito chegados, companheiros de vida», diz. Nas crianças ajudam na socialização e maturidade, na capacidade para ultrapassar a solidão e proporcionam afeto incondicional. Nos idosos podem ser bons companheiros de passeios e do dia-a-dia, quase como filhos que nunca os deixam. «Os cães, sobretudo, veem-nos como familiares e estabelecem uma relação profundamente afetiva com os seus seres humanos. Para nós são amigos de vida; como tantos dizem, só lhes falta falar. Daí o abandono ser tão trágico. São realmente família.

Marina já perdeu a conta às vezes que o bul­dogue a tira do sério, tal é a sua vocação para o disparate (um dos episódios envolveu co­pos a voar numa festa ao ar livre porque o ca­chorro quis brincar). Mas também se lembra de que foram essas asneiras e o amor incon­dicional que a ajudaram a superar uma das fases mais difíceis da sua vida. «Foi quando a minha mãe estava doente, acabando por falecer de cancro há pouco mais de ano e meio», conta. «O Maktub não me deixava es­tar em baixo – inclusive nos momentos em que precisava mesmo de estar sossegada –, sempre a puxar por mim, a precisar da mi­nha atenção, a lamber-me as lágrimas da ca­ra ou a dar-me palmadas com a pata, como fazem os amigos quando querem confortar-nos.» Não lhe deu qualquer margem para se afundar na tristeza. «É verdade que as lim­pezas e a exigência aumentaram por aqui. Mas também o amor.»

Conta a história que foi a 23 de setembro de 1870 que a célebre frase «o cão é o melhor amigo do homem» ganhou forma, após muitas lágrimas e muita desesperança. Charles Burden vivia feliz com o foxhound Old Drum, a cultivar as suas terras no Mis­souri, quando chegou uma noite a casa para encontrá-lo baleado a sangue-frio sobre o muro do vizinho, Leonidas Hornsby, um fa­zendeiro milionário que os odiava e ameaça­ra várias vezes matar o cão. Charles chorou a morte do amigo e prometeu fazer justi­ça. Longe de supor que seria multado e pre­so pelo assassínio do animal, Hornsby riu–se enquanto o Tribunal de Warrensburg minimizava a perda daquele dono e o viu recorrer até conseguir levar o caso ao Tribunal de Justiça do Estado.

Durante um ano, Charles preparou o julgamento, ciente de que a luta com o magnata seria desigual. Ao saber da visita à cidade de George Graham Vest, um con­ceituado advogado, pediu-lhe ajuda, sem querer acreditar na sua boa sorte quan­do ele aceitou uma defesa que os demais consideravam ridícula. Mal os represen­tantes de Hornsby resumiram a perda de Charles ao valor monetário de Drum, Vest levantou-se para provar que estavam en­ganados: «As pessoas dispostas a cair de joelhos aos nossos pés se o êxito nos sorri podem ser as primeiras a atirar pedras caso o fracasso nos atinja», proferiu, incisivo. «O único amigo absoluto que um homem pode ter neste mundo egoísta é o seu cão, e com isto digo que o cão é o melhor amigo do homem. Sabem porquê, senhores jura­dos? Porque o cão de um homem está com ele na prosperidade e na pobreza. Quando a riqueza desaparece e a reputação é que­brada, é constante no seu amor como o sol na sua jornada pelo céu.»

Rui Castro não tem dificuldade em per­ceber esta conclusão, ele que acaba de per­der um podengo português grande de pelo comprido que tinha há 14 anos, Rasa, e an­da anestesiado pela dor. «Na escola conti­nuam a ensinar às crianças que o homem é um animal racional e os outros, porque as pessoas não os compreendem, são irra­cionais», indigna-se o treinador e respon­sável da escola COMtakto, a funcionar no Centro de Instrução Canina do Norte, em Matosinhos. «Não conseguem olhar para os olhos de um cão ou de um gato e ver que eles pensam e comunicam.» Com Rasa foi assim nos seus últimos instantes de vida: o podengo a fixar o dono, a pedir-lhe que não esquecesse, e Rui a saber que era o adeus. «Ensinou-me tanto, tanto. O altruís­mo de­le fez-me ser melhor, capaz de ver as coi­sas por outro prisma.» Morreu há um mês e ele ainda está em negação. «A diferença que um animal pode fazer na nossa vida é total. Muda-nos completamente.»

Nos dez anos que tem passado a sociali­zar cães, Rui educa os donos para exerce­rem autoridade com justiça e consistência, usando recompensas em vez de castigos para estreitar o laço (nada de estrangula­doras nem teorias das dominâncias, im­próprias numa família que preze por igual os seus membros). Ele mesmo começou a treinar Rasacom o método tradicional antes de descobrir que havia alternativas eficazes menos suscetíveis de lhe ferirem os sentimentos. «Quando existe uma boa relação entre um dono e o seu cão, julgo que essa relação será mais forte e o cão estará disposto a fazer muito mais por ele do que o melhor amigo dessa pessoa», sustenta o especialista.

Da morte e do vazio que deixam, garante, a dor pode ser a mesma ou até maior do que a de se perder um ente querido, dependendo da ligação que os unia. «Eles são tudo, para eles o dono é tudo. Ainda agora, se vejo pelos do Rasa, paro de aspirar porque não quero ficar sem eles. Preciso do meu tempo para superar isto.» Teresa Andrade concorda: «Tenho a profunda convicção – por experiência própria e profissional, e por artigos que li acerca do luto nos primatas, elefantes e cães –, de que os animais mais evoluídos do ponto de vista cognitivo e com memória afetiva fazem luto de for ma muito semelhante à humana, embora sem a mesma elaboração porque não falam e nós também ainda não compreendemos bem o significado do seu comportamento. Quanto a nós, eles são nossos amigos de vida, pelo que o luto é idêntico ao de uma pessoa próxima.»

Segundo uma pesquisa divulgada neste ano pela Euromonitor International, em­presa especializada em análises de mer­cado, os portugueses estão a adotar mais animais de estimação e preferem os cães (1,8 milhões nas suas casas) aos gatos (um milhão), contrariando a primazia felina na Europa Ocidental. Os cuidados essenciais movimentam perto de 300 milhões de eu­ros por ano (15 por cento da média dos or­çamentos familiares) e prevê-se que a tendência se mantenha, apesar de os consu­midores estarem a prestar mais atenção aos preços em geral. Um estudo da Univer­sidade Azabu, no Japão, acrescenta ainda que não só cuidamos dos nossos cães como filhos, como também sentimos por eles o mesmo tipo de amor. Os pets vão preen­chendo as carências deixadas por separa­ções, bebés tardios e falta de tempo para socializar.

«Estamos a pender cada vez mais pa­ra um conceito de família multiespécie», sustenta Gonçalo da Graça Pereira, vete­rinário comportamentalista e presidente da PsiAnimal – Associação Portuguesa de Terapia do Comportamento e Bem-Estar Animal. «Esta nova geração de adultos foi um pouco castrada, no sentido de ter cres­cido a pedir aos pais um animal que lhe foi recusado, de maneira que na sua própria casa tinha de haver um.» A preferência pe­los cães deve-se ao facto de serem sociais, com um vínculo incontestável ao dono e capazes de nos interpretarem de uma forma que nós não sabemos interpretá-los a eles. Como se nos entendessem. «O julga­mento de caráter dos animais é um pon­to importante a observar», avisa o médico. «Se por acaso um que é meigo com toda a gente der sinais de agressividade ou medo diante de alguém, o mais certo é essa pes­soa ter alguma desordem de personalida­de que precisa de ser tratada.»

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Catarina Amaral com o Simba.

O tempo que Catarina Amaral levou a convencer os pais de que a família precisava de um cão foi longo para ela: 14 anos a pedir, a suplicar, uma vida inteira. E a mãe sempre a dizer que não, não havia vagar, e depois quem é que limpa a sujidade e toma conta do bicho? Neste ano, os pais concordaram enfim que um cão só poderia fazer bem à filha, introvertida por natureza e merecedora do animal (o pai ajudou a convencer: teve cães em miúdo e sentia a falta). Simba assenhoreou-se do coração de todos mais depressa do que demora a comer os biscoitos. «Tivemos um yorkshire terrier antes deste, Bart, mas morreu subitamente aos 3 meses e foi horrível», recorda a jovem dona, que chorou todas as lágrimas que tinha e não se julgava capaz de suportar a perda. «Depois acabámos por adotar o Simba, outro yorkshire que se tornou o menino de todos lá em casa, e é-me impossível viver sem ele. Sinto imensas saudades quando estou na escola, é um amigo. Custa-me muito aguentar o tempo que estou longe dele.»

A timidez de Catarina melhorou a olhos vistos com Simba, mas os efeitos terapêuticos de um animal de estima­ção vão mais longe: «Uma criança que aprenda a cuidar de um ser vivo irá fa­cilmente tratar melhor os seus seme­lhantes. Se tem problemas de aprendiza­gem ou socialização, ler e falar para um animal ajuda a desenvolver a confian­ça, por serem atentos e não fazerem juí­zos de valor. São facilitadores sociais pa­ra os donos, que se tornam menos isola­dos, mais exercitados e menos ansiosos», enumera Gonçalo da Graça Pereira. Um estudo publicado em 2012 pelo Journal of Personality and Social Psychology concluiu que os animais podem compensar a nega­tividade de experiências de rejeição tão bem quanto um melhor amigo humano. Ajudam ainda a melhorar o sistema imu­nológico, a autoestima, os quadros clíni­cos da diabetes, a capacidade motora, a expressão de sentimentos e o bom humor.

Beatriz Silva, com o Kiko

Beatriz Silva, com o Kiko

Beatriz Silva é uma dessas crianças agraciadas com um gato malhado que a deixa tratá-lo como um peluche, cheia de instintos maternais. «Fomos buscar o Ki­ko quando tinha 3 meses, a uma ninhada em risco, e foi amor à primeira vista entre os dois», conta Marina Silva, a mãe, fasci­nada com a resiliência do animal. «Ele fez agora 1 ano, ela faz 3 em novembro, e o Ki­ko adotou-a ao ponto de deixá-la fazer de­le gato-sapato sem se assanhar.» A menina senta-o na cadeirinha de comer, faz chás de bonecas, dá-lhe banhos na banheirinha do Nenuco. À noite, espera que se enrosque aos seus pés ao deitar; de dia ele segue-a como a própria sombra. «Quando chega do infantário ou de casa dos avós, Kiko é o primeiro nome que a Bia chama, a saber onde está. O facto de ela o tratar como um bebé não o incomoda minimamente. São inseparáveis.»

Gonçalo Pereira admite que a tendên­cia para antropomorfizar os animais po­de redundar em problemas comportamentais em certos casos, embora tudo de­penda da relação que têm com os donos e de haver, ou não, regras claras e consisten­tes. Rui Castro aplaude: «Não vejo mal ne­nhum numa pessoa dar beijinhos e abra­ços ao seu cão, desde que ambos se sintam bem com isso e nenhum saia prejudicado», aponta o socializador, que distingue entre bom mimo – o de recompensa ou afeto pu­ro sem razão – e mau mimo – o que se dá mesmo que o animal quebre uma regra, sugerindo-lhe não haver consequência. «Faz-me menos confusão ver essas ma­nifestações de amor do que donos aos pu­xões à trela pela rua fora, aos pontapés no abdómen como veem o Cesar Millan fazer na televisão, para obrigá-los a andar ao la­do do “líder” da matilha.»

Miguel de Sousa também prefere ensi­nar animais problemáticos com comida, elogios e festas do que recorrendo à for­ça. «Eles são muitas vezes o melhor ami­go que uma pessoa pode considerar ter, o substituto do filho ou da família, uma re­ferência de felicidade», aponta. Já foi trei­nador de cães militares na Polícia Aérea antes de abrir, há quatro anos, a sua esco­la de treino, terapia e reabilitação na Ver­dizela – a HousePet, centro de instrução canina da Margem Sul. Aí regista repe­tidamente o amor de muitos donos pelos seus animais, o seu empenho na relação com eles e casos muito especiais em que o cão retribui de forma efusiva a alegria de estar com o dono. Como ele próprio com Xena, o pastor-alemão de 4 anos a quem só falta falar.

«A Xena foi-me oferecida uns meses de­pois da morte da Nina, veio substituir um vazio que tinha ficado em casa», revela o instrutor. Tem outros animais: Iron, um pastor-belga malinois de ano e meio com­prado a um criador; Ema, sem raça defi­nida, «resgatada da conhecida “casa dos horrores” de Palmela após ter sido des­mantelada»; e o Riscas, um gato encon­trado na HousePet e adotado com 5 me­ses. Mas Xena é única. «A nossa relação é de respeito, de carinho, com afetos na al­tura certa.» É a melhor parceira que po­dia ter na escola, sobretudo nos casos de problemas comportamentais com outros cães, pela sua energia serena, assertiva, firme. «Às vezes, quando a olho nos olhos, tenho a tentação de vê-la como humana. Ela é mesmo assim, tenho essa felicida­de.» Nenhum treino no mundo podia tor­ná-la a amiga que é.

Miguel de Sousa, com a Xena.

Miguel de Sousa, com a Xena.

ANIMAIS QUE JÁ TODOS QUISEMOS PARA AMIGOS

LASSIE Se não é o cão mais famoso do mundo, é-o o suficiente para que as pessoas vejam um rough collie na rua e lhe chamem Lassie. Vários exemplares desta raça deram vida à heroína peluda, leal e afetuosa, sempre pronta a defender o seu pequeno dono Timmy Martin (Jon Provost) nas muitas aventuras que viviam.

BEETHOVEN A imponência do são-bernardo impressiona tanto quanto a quantidade de baba que larga ao longo do filme (e dos seis que se seguiram). Mas na memória fica sobretudo a relação do cão com a família Newton, cujos problemas ajuda a superar com uma amizade à altura do seu tamanho.

MARLEY O casal John e Jenny era fe­liz, despreocu­pado na recen­te vida a dois, quando decidiu levar para casa um labrador bebé. Em breve ti­nha a seu cargo um gigante de 43 quilos, amarelo e com que­da para a asneira, mas também puríssimo no seu amor à famí­lia. A história dos Grogan na vi­da real inspirou a ficção e cati­vou o mundo.

BABE Não é um cão, mas acreditava que era e chegou mesmo a conseguir inscrever-se num campeonato de cães pastores. O filme australiano de 1995 foi a primeira comédia infantil a ter um porquinho como protagonista. E ainda por cima um leal aos seus amigos.

FLIPPER A história de amizade incondicional entre o adolescente Sandy Ricks e o golfinho Flipper fez muita gente chorar, muita gente querer nadar com um e muita gente questionar-se sobre os laços que unem humanos e animais. Que atire a primeira pedra quem não tiver sentido uma inveja boa daquela relação entre espécies.

WILLY O animal é maior, mais robusto e tem dentes mais cortantes que o Flipper, mas houve igualmente muitas pessoas a querer nadar com orcas no fim do filme. Quem vê a dedicação de Jesse (Jason James Richter) a Willy, dando tudo de si para libertá-la do cativeiro, não duvida do sentimento verdadeiro que une estes dois

TIM Desde os anos 1960 que Os Cinco marcaram a infância dos portugueses e certamente nenhum se esqueceu da Zé e do Tim, amigos inseparáveis idealizados pela autora Enid Blyton. Zé adora os primos Júlio, David e Ana, mas não há nada que suplante o seu amor pelo cão, por quem seria capaz de se isolar do resto do mundo.

BLACK BEAUTY Apaixonado por cavalos que se preze não perdia um episódio de As Novas Aventuras de Black Beauty (1990), narrando as aventuras de Vicky Denning (Amber McWilliams) e do seu garanhão negro Black Beauty. Vicky era devotada ao animal, que por sua vez estava sempre pronto a tirar a cavaleira de apuros.

OS INSEPARÁVEIS DAS CELEBRIDADES

PICASSO: apaixonado pela arte e por mulheres, o pintor espanhol estava longe de imaginar que um pequeno dachshund (salsicha) iria domá-lo como mais ninguém foi capaz. Lump chegou pela mão do fotógrafo David Douglas Duncan à casa de Picasso e foi amor à primeira vista. Ficou para a história por ter comido um coelho pintado pelo dono no jardim.

GEORGE BYRON: reputado poeta britânico conhecido como Lord Byron, dedicou (em 1808) um memorial ao seu melhor amigo Boatswain, um terra-nova que morreu de raiva: «Ele possuía Beleza sem Vaidade / Força sem Insolência / Coragem sem Ferocidade / e todas as virtudes do Homem sem os seus Vícios.»

ISABEL II: a rainha de In­glaterra não abre com fre­quência brechas na arma­dura de líder, mas os seus cães welsh corgi pembroke têm esse dom. A entrega da soberana aos patudos é de tal ordem que lhes re­servou um quarto do Palá­cio de Buckingham.

FREDDIE MERCURY: o cantor era apaixonado por gatos ao ponto de, em tournée, ligar para casa pa­ra falar com eles. Tinha no­ve: Oscar, Tom, Jerry, Go­lias, Tiffany, Miko, Romeu, Lily e Delilah, a preferida, a quem dedicou uma canção.

PAUL McCARTNEY: quem também ganhou uma can­ção do dono foi a cadela de raça pastor-inglês, Martha. Martha, My Dear foi escrita em 1968, mas só em 1997 o ex-Beatle revelou ser-lhe dedicada.

DREW BARRYMORE: a re­lação que a atriz tinha com a labrador Flossie era de grande cumplicidade. Após 16 anos inseparáveis, Drew lançou parte das cinzas da sua amiga canina ao rio Ganges, na Índia.

VALENTINO: quem quer vê-lo feliz é na companhia dos seus pugs, que não dis­pensa nem nas muitas via­gens pelo mundo. Depois da morte de Oliver, que ho­menageou dando o seu no­me a uma coleção, o estilis­ta agarrou-se a Maude.

DITA VON TEESE: «diver­gências irreconciliáveis» resultaram num divórcio feio entre a artista burles­ca e o músico Marilyn Man­son. Mais do que pelo di­nheiro, a batalha na justiça travou-se pela guarda dos gatos, Lily e Aleister. Cada um ficou com o seu.

CITAÇÕES

«Os cães nunca mordem. Os homens sim», Marilyn Monroe

«A grandeza de uma nação e do seu progresso moral mede-se pela forma como trata os seus animais», Mahatma Gandhi

«Gosto de porcos. Os cães olham-nos de baixo. Os gatos olham-nos de cima. Os porcos tratam-nos como iguais», Winston Churchill

«Um cão é o único ser à face da terra que gosta mais de ti do que de si próprio», Josh Billings

«Se os animais falassem, o cão seria um tipo gabarolas, já o gato teria a rara graça de nunca dizer uma palavra a mais», Mark Twain

«As pessoas falam da cruel bestialidade dos homens, mas isto é extremamente injusto e ofensivo para com as bestas. Nenhum animal seria tão cruel como um homem, tão artisticamente cruel», Fyodor Dostoyevski

«Sabem, às vezes o mundo pode parecer um lugar muito mau. É por isso que os animais são tão fofinhos.», Bill Watterson

«Diz-se que o homem é um animal racional. Toda a vida procurei provas que pudessem suportar esta ideia», Bertrand Russell

SUGESTÕES DE LEITURA

_A Minha Gata Jessie, Jayne Dillon; Vogais Editora, 2014.
_Marley & Eu, John Grogan; Editora LeYa, 2013.
_De Bagdade, com Amor…, Jay Kopelman; Porto Editora, 2007.
_Oogy, Larry Levin, Livros d’Hoje, 2010.
_Enzo, Garth Stein; Difel, 2008.
_O Cão Que Não Conseguia Deixar de Amar, Jeffrey Moussaieff Masson; Sinais de Fogo Publicações, 2010.
_Flint – O Cão Que Mudou a Minha Vida, Stanley Coren; Matéria-Prima Edições, 2011.
_Uma Amiga como Shiva, Marta Curto; Livros d’Hoje, 2008.
_As Nove Vidas de Dewey, Vicky Miron; Editora Caderno, 2010.
_Cleo, Helen Brown, Editora Caderno, 2010.
_Alex & Eu, Irene M. Pepperberg; Editora Caderno, 2009.
_A Odisseia de Homer, Gwen Cooper; Pergaminho, 2011.
_A Minha História com Bob, James Bowen; Porto Editora, 2012.

Ana Pago
Fotografia: Diana Quintela/Global Imagens