OPINIÃO

As primeiras mulheres operacionais da PSP

Em 1972, 229 mulheres entraram para a PSP.

Perante uma população expectante e pouco habituada a ver agentes do sexo feminino, pela primeira vez na sua história a Polícia de Segurança Pública admitia 229 mulheres operacionais entre as suas fileiras.

Depois de «oito semanas de maciça instrução ministrada na Escola Prática da PSP», o Diário de Notícias, de 9 de março de 1972, dava conta da primeira incorporação significativa de mulheres nas forças da Polícia de Segurança Pública. Mais de duas centenas de novas profissionais entravam ao serviço para funções maioritariamente de vigilância e regulamento do trânsito.

Cada candidata tinha entre 1,60m e 1,75m e teve de passar nas provas físicas que implicavam saltar 30 cm com os pés juntos ou correr sessenta metros em 15 segundos. Mas o teste mais temido era o ditado, em que qualquer pessoa chumbava se desse mais de seis erros.

A notícia poderá ter sido uma surpresa para um «público que em matéria de mulheres [na polícia] apenas sabe que existem há muito em diversos países estrangeiros, ignorando que há muitos anos uma dezena de agentes do sexo feminino vêm prestando serviço no comando distrital de Lisboa.»

Com efeito, décadas antes, em 1930, dez mulheres entravam pela primeira vez na PSP para desempenhar funções de cariz social, sobretudo tarefas de assistência a mulheres e crianças. Só quarenta anos mais tarde as agentes veriam as suas tarefas alargadas.

O DN fazia ainda referência ao cuidado na transição: «A distribuição das agentes em locais públicos será feita progressivamente de modo a habituar a população à presença de mulheres.» A igualdade de oportunidade chegava aos poucos. E em grupo.

 

OS NÚMEROS
Dos 21 879 elementos que a PSP tem hoje, 1681 são mulheres, setenta por cento das quais (1176) operacionais.

Texto Ana Patrícia Cardoso
Arquivo DN