Greves: contra as injustiças parar e marchar

A rubrica "Máquina do Tempo" desta semana recorda as greves de 8 e 9 de maio de 1944, durante o regime de Salazar.

As greves de 8 e 9 de maio de 1944 foram o culminar de uma série de protestos relacionados com a escassez de alimentos, especialmente pão, em todo o país. Os protestos eram a resposta ao facto de os alimentos essenciais não estarem a ser justamente distribuídos à população, já que eram frequentemente retidos por grandes especuladores, que contavam com o apoio do regime fascista de Salazar.

É ainda importante destacar que parte desses alimentos, como o pão, era também direcionada para a Alemanha nazi durante a Segunda Guerra Mundial, agravando a revolta da classe operária e restantes trabalhadores da cidade e do campo, homens e mulheres, que sofriam com dificuldades. Os protestos levaram dezenas de milhares de operários e camponeses da região de Lisboa e do Baixo Ribatejo a dizerem sim à convocatória pública do Partido Comunista Português (PCP) para protestar contra as injustiças económicas e sociais. “Fazer grandes manifestações e marchas de fome”, destacava um dos cartazes da época.

Hoje, as classes que se manifestam são também de outro estatuto social. Na realidade, muitas das reivindicações são antigas. Greve dos médicos, greve dos professores. Ambas fazem parangonas há dias, semanas, há meses. O pão está mais caro. A guerra na Ucrânia e o pós-pandemia continuam a justificar aumentos dos preços dos bens essenciais. A conjuntura, dizem, congela progressões na carreira, baixos salários, aumento da inflação, crise na habitação, baixo poder de compra. O PCP perdeu força, a política toda, no geral, perdeu credibilidade. A contestação, por outro lado, parece cada vez mais forte.