Mário Cordeiro: «A música é uma completa dependência»

Começou a aprender a tocar piano aos quatro anos, desistiu dez anos depois, retomou aos 40 anos, quando os filhos mais velhos iniciaram aulas desse instrumento. Continua a tocar e a inventar, agora sem professor. E há ainda o violino, um fascínio antigo.

Texto Sara Dias Oliveira | Fotografia Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

A música é uma companhia de todos os dias, de sempre, de manhã à noite. «É uma completa dependência», diz o pediatra Mário Cordeiro, que ouve música compulsivamente, sobretudo clássica. E também faz. «A música é a arte perfeita e é a melhor chupeta para a alma. Toco pelo prazer de me aperfeiçoar e vou muito, desde criança, a concertos de vária índole e contextos, para poder fruí-la ao vivo», conta.

Aos 4 anos, começou a aprender piano com uma professora «à moda antiga». Desistiu das aulas dez anos depois, mas continuou a tocar e até a inventar temas. «E, aos 40, quando os meus filhos mais velhos começaram a ter aulas, retomei eu também.» Toca de forma disciplinada, menos horas do que gostaria, agora sem aulas.

Não há só o piano, há também o violino que começou por ser uma miragem e um enorme desejo. «Nunca tinha pegado num até a minha mulher me oferecer um», recorda. Há dois anos, começou a ter aulas de violino. «E voltei a saborear o gozo de aprender, praticar, corrigir, ser corrigido, ver os avanços e evoluir de música.»

O pediatra começou a ter aulas de piano aos 4 anos. Desistiu dez anos depois mas continuou a tocar. Aos 40, quando os filhos começaram a ter aulas, retomou também.

Não há apenas um hobby nos dias do pediatra e escritor: jardinagem, fotografia, pintura, passear pelo simples prazer de o fazer, também lhe ocupam os dias. Sempre se interessou por muita coisa e, diz, os passatempos são uma forma de canalizar «frustrações profissionais». «Como o não ser jornalista, que teve a sua quota-parte num hobby que depois passou a profissão: escrever.» Com 45 livros já publicados, em várias áreas, romance, teatro, poesia, escrever deixou de ser um hobby.

Um homem, várias artes, uma vontade imensa de aprender, de querer alargar horizontes. «O homem do futuro terá de ser o homem do Renascimento, que além da profissão se multiplicava por diversas atividades, ao contrário dos androides que nunca usarão a criatividade e a diversidade espontânea.»