OPINIÃO

1940: Uma visita à Maternidade Alfredo da Costa

Em abril de 1940, oito meses depois do início da Segunda Guerra Mundial, ninguém antevia as proporções que o conflito iria tomar. O número de nascimentos em Portugal não sofreria grandes alterações nesses anos. Mas quando comparados com o ano de 2017…

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de Arquivo JN

No início da década de 1940, a Maternidade Alfredo da Costa (MAC) era uma jovem instituição com apenas oito anos. No dia 8 de abril, o hospital encheu-se de ilustres para homenagear Neville Chamberlain e elogiar o esforço de paz do então primeiro-ministro britânico. O Diário de Notícias marcou presença para fazer a reportagem e como patrocinador do evento. E com isso pagou uma cama (e respetiva placa) que levou o nome do político.

A distinção vinha no seguimento do que tinha ocorrido a 29 de setembro de 1938: o Acordo de Munique, que contou com a presença de Hitler, de Chamberlain, do primeiro-ministro francês Édouard Daladier e do chefe do governo italiano Benito Mussolini, estabelecia que a Checoslováquia seria concedida à Alemanha na tentativa de controlar os avanços nazis na Europa. A Checoslováquia não teve voto na matéria, Hitler não demorou muito para desrespeitar o pacto e avançou para a Polónia no ano seguinte.

Naquele 8 de abril, porém, Chamberlain ainda era primeiro ministro e no quarto onde estava aquela cama (que ficou conhecida como «leito de Chamberlain») foi aplaudido.

Naquele 8 de abril, porém, Chamberlain ainda era primeiro ministro e no quarto onde estava aquela cama (que ficou conhecida como «leito de Chamberlain») foi aplaudido. Um mês depois, a 10 de maio, demitia-se e era substituído por Winston Churchill, que teve um papel determinante na vitória dos aliados.

A MAC não fora escolhida ao acaso. Em tempos de guerra era importante garantir a natalidade. Nesse ano, em Portugal, registaram-se 187 892 nascimentos. Durante os anos do conflito os números mantiveram-se estáveis e em 1945 chegaram a 209 131 partos. O facto de Portugal não ter entrado no conflito fazia a diferença. Mas o número tem vindo a diminuir nas últimas sete décadas e em 2016 registaram-se apenas 87 577 nascimentos.

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