OPINIÃO

Da horta para o prato

Saber-se o que se come é um luxo.
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Cultivar os próprios legumes – em casa ou numa horta urbana – é uma alternativa saudável e sustentável, capaz de proporcionar um prazer cada vez mais raro: saber-se exatamente o que se come.

Enfiar as mãos na terra, plantar, cuidar, ver crescer, apanhar e, por fim, saborear. O ciclo envolvido em cultivar uma parte do que se come é saudável, sustentável, terapêutico e bastante mais fácil do que parece. Para quem vive na cidade, as hortas urbanas e as hortas em casa – habitualmente na varanda – são as duas grandes opções. Em alternativa, quem não possa ou não queira cultivar os seus alimentos tem sempre os mercados biológicos.

O fenómeno começou nos países nórdicos como uma reação à industrialização. São pequenas parcelas de terreno, localizadas nas cidades, que são alugadas a particulares, seja para consumo próprio ou para venda em pequena escala em mercados. A Holanda será talvez um dos países onde o fenómeno se estendeu de forma mais vaste e, hoje, cerca de trinta por cento da produção de vegetais sai das cidades. Na Grande Lisboa já existem mais de setenta mil hortas urbanas, muitas apoiadas pelas autarquias, outras em terrenos baldios. Só a capital conta com dez parques hortícolas que servem mais de quatrocentas famílias – o parque hortícola do Vale de Chelas é o maior, com perto de quatro hectares. Os talhões têm um preço simbólico e todos os anos têm sido abertos concursos para os atribuir a quem queira.

O QUE PLANTAR E SEMEAR NOS PRÓXIMOS MESES?
Maio, junho e julho são tempo de semear ou plantar agriões, alfaces, cenouras, coentros, couves (brócolo, galega e de bruxelas), pimentos, rabanetes, repolho, salsa e beterraba.

PARA O HORTELÃO PRINCIPIANTE
Mesmo para quem vive num apartamento, com ou sem varanda, é viável ter uma horta caseira.

1. ESCOLHA BEM O SÍTIO
Quando escolher o local para os vasos, lembre-se de que a luminosidade deve ser um critério de peso: a maioria dos hortícolas precisa de pelo menos cinco horas de luz por dia. Uma opção para quem tem pouco espaço pode ser uma horta vertical.

2. RECIPIENTES: REUTILIZE
Pode e deve aproveitar recipientes que já tenha em casa, mas o tamanho pode importar: vasos mais pequenos podem ser mais práticos de deslocar e arrumar, mas obrigam a regas mais frequentes porque não retêm tanto a água. Seja criativo e use recipientes diferentes: latas velhas, pneus, calhas de plástico, barris de madeira são algumas das opções que fogem à monotonia dos vasos e cumprem a função.

3. A ARRUMAÇÃO DOS VASOS
Coloque os vasos de forma a que as plantas mais altas, em relação ao sol, fiquem atrás das mais baixas, para não as taparem com a sua sombra.

4. A GESTÃO DA PLANTAÇÃO
Não plante ou semeie cada cultura no mesmo dia, ou vai ter também a colheita na mesma altura, o ideal é ir dando duas semanas de intervalo para garantir uma boa rotatividade e ter sempre legumes frescos para apanhar.

5. IDENTIFICAÇÃO
Identifique os vasos com pequenas placas ou etiquetas, se não o fizer vai acabar por não saber o que está semeado e ter mais dificuldade em dar o tratamento adequado à sementeira.

6. BIODIVERSIDADE, MAS COM REGRAS
A biodiversidade na horta é essencial, mas para tudo correr bem deve informar-se sobre regras básicas de consociação de culturas, ou seja, que plantas pode ou não misturar num mesmo vaso para que a convivência seja benéfica. A regra base é juntar plantas com necessidades de rega e luz semelhantes.

7. UM PASSO DE CADA VEZ
Escolha espécies que use e que não exijam muitos cuidados. Para quem está a começar, algumas espécies recomendadas são manjericão, alecrim, hortelã, salsa, tomate, morangos, beterraba, pimento e alface.

8. A IMPORTÂNCIA DAS ROTINAS
Crie uma rotina de cuidados à horta e integre-a no seu dia-a-dia. Não se esqueça de que para colher vai ter de cuidar. Envolva toda a família nestas atividades

HORTAS URBANAS: BOAS PARA SI, BOAS PARA O AMBIENTE
+ Melhoram a qualidade da alimentação.
+ Reatam a ligação entre campo e cidade e colocam-nos em contacto com a terra.
+ Podem ajudar a diminuir a despesa com o orçamento familiar.
+ Permitem acrescentar conhecimento às crianças e aumentar os momentos de convívio em família.
+ Diminuem o impacto ambiental da cadeia de logística associada ao transporte de produtos hortícolas, contribuindo assim para a sustentabilidade ambiental.
+ Ajudam à manutenção do espaço urbano desaproveitado.
+ São um hobby que não tem custos. É uma atividade retemperadora e que proporciona um alívio do stress.

MERCADOS BIOLÓGICOS

_BIOCOOP
Rua Salgueiro Maia, 12 (Figo Maduro, Prior Velho), Lisboa. Das 10h00 às 20h00 (ao sábado abre às 09h00). Encerra ao domingo.

_MERCADO BIOLÓGICO DO CAMPO PEQUENO
Jardim do Campo Pequeno, Lisboa. Sábado, das 09h00 às 14h00.

_MERCADO BIOLÓGICO DO PRÍNCIPE REAL
Jardim do Príncipe Real, Lisboa. Sábado, das 08h00 às 14h00.

_NATUROCOOP
Travessa Corujeira de Baixo 480, Porto Segunda a sexta-feira, das 13h00 às 20h30. Sábado, das 09h00 às 17h00. Encerra ao domingo.

_MERCADO SALOIO, CABAZES DE FRESCOS
Disponível online em mercadosaloio.blogspot.pt. Entregas das 15h00 às 22h00