O meu objeto: a estatueta de Amália de José Gonçalez

José Gonçalez apresenta “Em casa d’Amália”, na RTP1, desde abril de 2020

O objeto escolhido pelo apresentador e fadista.

“O meu objeto é uma estatueta em cerâmica que tenho há 36 anos. Comprei-a na primeira edição da Feira Internacional de Agropecuária de Estremoz, a minha terra. Esta estatueta é de tal forma importante na minha vida que desde que a adquiri, e já mudei de casa e de cidade quatro vezes, nunca a abandonei. Penso mesmo que é o único objeto que mantenho nestes últimos 36 anos da minha vida. O que tem de tão especial? É uma estatueta, com a visão do artesão – que não sei quem é – de Amália Rodrigues. Sim, Amália Rodrigues. De pé, de xaile, a tocar guitarra portuguesa. Uma versão romantizada certamente pelo autor, já que Amália nunca tocou nenhum instrumento, nem mesmo guitarra portuguesa, mas é uma estatueta lindíssima. Feita a cinza e preto, que, mesmo sendo meio naïf, nos leva de imediato para Amália, e nos transmite tudo o que havia em Amália. Mistério, segredo, talento, luz, carisma, génio.
Quando adquiri a estatueta, era um amador animador da rádio local. Comecei aos 14 anos a fazer um programa de fado na Rádio Despertar Voz de Estremoz, e durante muito tempo levava todos os sábados a estatueta comigo para estúdio. Tornou-se numa espécie de amuleto.
Como nota final, e porque a vida tem estas coincidências, e mais uma vez lá está Amália. Amália faleceu no dia 6 de outubro, eu nasci dia 6 de outubro!”

Apresentador e fadista
54 anos