OPINIÃO

O madeiro que aquece o Natal beirão

O madeiro de Natal continua a ser uma tradição na Beira Baixa. Esta noite, no adro de dezenas de aldeias e vilas, será lançado fogo aos troncos de sobreiro ou azinheira recolhidos no dia 8 de dezembro — e ali ficarão em brasa até ao Dia de Reis. No concelho de Idanha­‑a­‑Nova, o fotógrafo beirão Valter Vinagre captou os momentos de uma herança que se mantém.

Fotografias de Valter Vinagre

O madeiro de Natal continua a marcar o espaço físico das aldeias do concelho de Idanha­‑a­‑Nova. Seja pela imponência dos grandes toros de azinho ou sobreiro amontoados nos adros das igrejas e capelas, seja pelo convívio da população ao seu redor, o madeiro permanece um momento chave da expressão coletiva nas comunidades desta região beirã.

Já não há «rapazes das sortes», mas, a cada ano pelo 8 de Dezembro, as populações congregam­‑se, como podem, para ir buscar ao campo as árvores que hão de aquecer o Menino Jesus na noite da Consoada, partilhada pelas comunidades reunidas em celebração festiva. A comer, a beber e a cantar à volta da grande fogueira, afasta­‑se o frio e a escuridão da grande noite de inverno, abençoados pelo nascimento do Salvador, luz nova a resgatar velhos costumes e anseios.

Na miríade de cenografias natalícias contemporâneas, esta tradição adapta­‑se e regenera­‑se, garantindo a sua continuidade fundamental entre um golo de vinho e uma trinca na filhós.

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