O dia em que a guerra parou para se celebrar o Natal

A rubrica "Máquina do Tempo" desta semana recorda o ano em que os soldado entrincheirados fizeram uma trégua na Primeira Guerra Mundial para celebrar o Natal.

Em dezembro de 1914, as trincheiras geladas da Bélgica e de França eram palco da Primeira Guerra Mundial. A morte dançava entre os vivos. Mas, na véspera de Natal, um gesto surpreendente ficou para a história, quase como um milagre. Em pontos isolados da frente ocidental, os alemães ousaram adornar as trincheiras com árvores iluminadas.

Contra todas as ordens, os Aliados juntaram-se a eles, inaugurando uma trégua de Natal inédita. Um desafio audacioso aos éditos bélicos, uma explosão de humanidade proibida. Entre gritos de promessas e cânticos natalícios, os soldados aventuraram-se além das trincheiras, trocando apertos de mão sobre a terra já muito ensanguentada. Num pacto não escrito, concordaram estender a paz até ao dia 25, compartilhando a sombria tarefa de sepultar os companheiros caídos.

Inimigos que se tornaram aliados, compartilharam ainda comida, presentes, botões de uniformes e até risos em partidas de futebol improvisadas. Uma vez em paz já ninguém queria continuar a guerra. Contudo, as altas patentes ameaçaram os mais rebeldes. E assim, mal 1915 começou, o conflito retomou o seu curso macabro. Nas cartas para casa e nos diários, os soldados eternizaram o breve período como “maravilhosamente espantoso, ainda que muito estranho”.