COP28: um passo histórico numa longa caminhada

Pela primeira vez em 30 anos, texto final da conferência contempla abandono dos combustíveis fósseis. Avanço mereceu elogios, mas resultados não agradaram a todos.

 

O entendimento
Evento ficou marcado por um acordo inédito, que chegou já muito fora de horas. No texto, ficou então vincada a ideia de uma “transição dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos, de forma justa, ordenada e equitativa, acelerando a ação nesta década crucial, a fim de alcançar a neutralidade de carbono em 2050 em acordo com recomendações científicas”.

O senão
Apesar de, pela primeira vez, haver um apelo a todos os países para que abandonem os combustíveis fósseis até 2050, não foram estabelecidas metas para que estes sejam eliminados gradualmente, algo que era desejado por vários países e organizações.

“GOSTEM OU NÃO, A ELIMINAÇÃO PROGRESSIVA DOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS É INEVITÁVEL. ESPEREMOS QUE NÃO VENHA DEMASIADO TARDE”
ANTÓNIO GUTERRES
SECRETÁRIO-GERAL DA ONU

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Acordo também prevê triplicar a produção de energia renovável. Isso e duplicar até 2030 a taxa média anual global de melhoria da eficiência energética.

Entre os elogios e os mas
O texto final mereceu aplausos de várias nações, entre as quais Portugal, EUA, França, Espanha e Países Baixos. Outras, como a Austrália, lamentaram o facto de o acordo ter ficado aquém do desejado. Ativistas, organizações não-governamentais e académicos presentes também se mostraram pouco entusiasmados.