TAP tem de emagrecer para levantar voo

A presidente executiva Christine Ourmières-Widener garante que o Porto “nunca será uma segunda base da TAP”

O plano de reestruturação da TAP foi aprovado pela Comissão Europeia, mais de um ano depois de ter sido entregue e já após cortes nos trabalhadores. Há ajustes, mas a companhia aérea portuguesa vai continuar a cruzar os céus. Só que bem mais magra.

Corte de 18 slots por dia em Lisboa
A Comissão Europeia aprovou o plano de reestruturação da TAP, mas impôs condições. A principal é a disponibilização de 18 slots (faixas horárias para aterrar e levantar voo) por dia no aeroporto de Lisboa, que vão a concurso. É o equivalente a 3400 voos de ida e volta por ano, 5% dos slots da TAP. Ryanair e EasyJet são fortes candidatas, só uma pode ganhar.

“Sem a TAP, o país perderia centralidade, porque o seu desaparecimento levaria a que Madrid assumisse as funções de único hub ibérico”
Pedro Nuno Santos
Ministro das Infraestruturas e Habitação

Reduzir frota e desinvestir
O plano prevê ainda a separação entre a aviação, que junta TAP SA e Portugália, dos restantes negócios. A companhia também terá de reduzir a frota para até 99 aviões e desinvestir no negócio da manutenção no Brasil, no catering e na Groundforce (tem 49% do capital).

Futuro não passa pelo Porto ou ilhas
A presidente executiva Christine Ourmières-Widener garante que o Porto “nunca será uma segunda base da TAP”, porque a empresa terá de escolher rotas rentáveis. O autarca Rui Moreira já reclamou compensação financeira para captar companhias para a Invicta. Mas a Madeira e os Açores também devem ser sacrificados, já que, segundo a SkyExpert, a TAP não terá frota suficiente para os slots que tem. E sendo Lisboa o principal ativo, a solução será retirar aviões a outras rotas.

2,55 mil milhões de euros
É a ajuda estatal aprovada à empresa (o Governo tinha proposto 3,2 mil milhões), valor a que acrescem os 462 milhões que já entraram nas contas este ano, mais os 107 milhões de Bruxelas para fazer face à pandemia.