Safa, a borracha que quebra moléculas

A safa é um objeto corrente

Apaga o que se escreve a lápis e a caneta (como por magia). É uma ferramenta de trabalho que se usa quando é necessário emendar a mão.

Comece-se pelo motivo que lhe dá origem. O lápis tem um depósito de grafite que, na fricção com a folha, escreve o que a cabeça dita e a mão cumpre. Mas nem sempre o que se escreve ou desenha é exatamente o que se pretende e é necessário reverter o processo. A grafite cola-se à borracha de apagar que quebra as moléculas que ligaram esse material cinzento-aço à página. E o que estava escrito ou desenhado desaparece. Palavras, linhas, traços.

É um objeto corrente, está em milhares de lugares, em mãos de alunos e professores, estiradores de arquitetos, ateliês de artistas e engenheiros. É um instrumento de trabalho e a sua composição explica o seu poder. As borrachas começaram por ser feitas a partir do látex, um leite extraído das seringueiras, árvores que nascem sobretudo no Brasil (entretanto, o petróleo começa a ser usado para evitar a exploração da Natureza), e têm ainda um polímero sintético e outros compostos, como enxofre e óleos. Com estas matérias, os fragmentos da borracha soltam-se no momento de apagar, de forma a desprender a grafite com facilidade e a não borratar a folha. Antes do século XVIII, usava-se miolo de pão para apagar o que se escrevia, depois disso, em Inglaterra, dão-se os primeiros passos para o aparecimento da borracha. Mais tarde, nos Estados Unidos, Charles Goodyear (sim, o dos pneus) inventava um processo de vulcanização da borracha e aumentava o poder de apagar sem rasurar o papel. No final do século XIX, várias empresas norte-americanas e alemãs produzem o material em grande escala.

Apagar a tinta de esferográfica e de lápis de cor parece, à primeira vista, tarefa complicada. A parte azul das borrachas tem essa missão, os seus cristais pontiagudos e uma maior carga abrasiva dão conta do recado. O que acontece é que a borracha desgasta a tinta da caneta no papel e, assim, é fácil removê-la sem danos.

A safa existe para apagar enganos, corrigir erros, emendar desenhos e palavras. O que se quiser. Com uma fórmula feita à medida, como um passe de mágica, e com vários formatos, cores e até cheiros (a frutas, por exemplo).