Orientações para rastreio e vacinação contra o cancro

O "Consultório Médico" desta semana, por Dinis Brito.

Tenho 30 anos e possuo histórico de cancro na família. Que procedimentos devo fazer? Consulta no centro de saúde ou no hospital? Agora a vacina do HPV é de apenas uma toma, tem o mesmo efeito das três antigas?
Joana Martins, pergunta recebida por email

Cara leitora, as orientações do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas da Direção-Geral da Saúde estabelecem as medidas de rastreio preconizadas para a grande maioria da população. Contudo, em algumas situações, tais como a história familiar, o risco oncológico aumentado leva a propostas de rastreio e de vigilância individualizadas que poderão implicar metodologias e periodicidades de rastreio diferentes. O risco familiar de doença oncológica é determinado por diversas variáveis, nomeadamente, número de indivíduos atingidos, grau de parentesco, idade de diagnóstico dos mesmos e identificação na família de algum gene que predisponha ao cancro. Existem também alguns algoritmos que integram estas variáveis estimando o risco oncológico a nível individual.

O seu médico de família terá, pelo conhecimento que tem da sua história e da sua família, posição privilegiada para a poder aconselhar naquilo que deverá ser para si o melhor teste, a idade de início e a periodicidade de rastreio. Se necessitar de teste mais específicos, geralmente não disponíveis nas entidades convencionadas, poderá ser encaminhada para a consulta hospitalar.

O cancro do colo do útero é o quarto cancro mais comum entre as mulheres. Tem como principal fator de risco a infeção pelo vírus do papiloma humano (HPV). Ao prevenir a infeção pelo vírus, a vacinação contra o HPV tem como objetivo reduzir a mortalidade por cancro do colo do útero. Prevê-se também que tenha impacto na redução da incidência do cancro da vagina, da vulva, do ânus, da laringe e do pénis, assim como das verrugas da orofaringe e condilomas anogenitais. A vacina contra o HPV integra o Programa Nacional de Vacinação sendo proposta a meninas e meninos com dez anos de idade com um esquema de administração de duas doses. Se o esquema for iniciado após os 14 anos preconizam-se três doses. A vacina também poderá ser aconselhada a mulheres e homens sexualmente ativos com infeções anteriores, mas eliminadas de forma a prevenir lesões futuras. Como conselho final recomendo que fale com o seu médico de família para que possam estabelecer o programa de vigilância que lhe for mais adequado.

Até breve.

Dinis Brito, médico de família

*A NM tem um espaço para questões dos leitores nas áreas de Direito, Jardinagem, Saúde e Finanças pessoais. As perguntas para o Consultório devem ser enviadas para o email [email protected]