Inflação. Os preços a esticar e o poder de compra a encolher

Orçamento do Estado (OE) para 2022 confirma revisão da taxa de inflação em alta, para os 4%. Subida acentuada dos preços dilui suposto impacto positivo da descida do IRS e outros impostos.

Tempestade perfeita
A pandemia, a guerra na Ucrânia e o aumento dos preços das matérias-primas e da energia compõem o cocktail que ajuda a justificar a subida acentuada da inflação.

Revisão em alta em duas semanas
A atualização da taxa de inflação prevista para os 4% traduz-se numa revisão em alta de 0,7 pontos percentuais no espaço de apenas duas semanas, visto que no final de março, quando apresentou o Programa de Estabilidade 2022-2026, o Executivo apontava para os 3,3%. Já a previsão inscrita no OE de outubro, que foi chumbado, ficava-se pelos 0,9%.

“Quando há um aumento dos preços e o aumento de salários não acompanha, isso significa uma perda de rendimento. Isso transforma-se […] numa austeridade encapotada ou indireta”
Jorge Paulo Oliveira
Deputado do PSD

0,8%
A redução da remuneração real média estimada pelo Ministério das Finanças para 2022, segundo o relatório do Conselho das Finanças Públicas.

Polémica com os salários
Enquanto Oposição e sindicatos pedem aumentos salariais que ajudem a combater a subida dos preços, António Costa defende que os mesmos poderiam gerir uma espiral inflacionista.