Frio, gripes, máscaras e medidas preventivas

(Foto: Freepik)

O "Consultório Médico" desta semana, por Dinis Brito.

Com o tempo mais frio que potencia as gripes, estando nós ainda sob a ameaça da covid e a gripe aviária a aumentar, que precauções devemos tomar? Usar sempre máscara? Ficar em teletrabalho? E que cuidados devo ter com os meus filhos?
Elvira Martins, pergunta recebida por email

Cara leitora, as suas questões possibilitam-me esclarecer três aspetos importantes: a associação do frio com as infeções respiratórias sazonais; as medidas de prevenção; o papel da utilização de máscara em contextos comunitários.

Apesar da crença generalizada de que o frio nos torna mais suscetíveis à doença, os factos não apontam nesse sentido. É certo que alguma investigação refere um pior funcionamento das nossas defesas com baixas temperaturas, porém a associação do frio com a doença é multifatorial. O frio por si só não nos deixa doentes. Os principais responsáveis pelas infeções respiratórias são os vírus, que sobrevivem e se reproduzem mais facilmente no ar frio e seco do inverno. Além disso, o frio diminui o arejamento das habitações e favorece aglomerados, mantendo as pessoas dentro de casa facilitando a disseminação dos vírus. O regime de teletrabalho pode ter um papel na quebra deste ciclo.

As medidas preventivas recomendadas passam pela etiqueta respiratória que consiste em tapar a boca e o nariz com um lenço ou com o braço quando espirrar ou tossir e pela lavagem frequente das mãos, podendo utilizar uma solução alcoólica.

A utilidade de alguns alimentos na prevenção e na redução dos sintomas das infeções respiratórias tem sido discutida. A suplementação com vitamina C aparece tradicionalmente associada a uma menor duração dos sintomas. Mas, a evidência é controversa e não se recomenda a vitamina C com este objetivo. O mesmo se aplica a outros nutrientes tais como as vitaminas A e D, o zinco, os ácidos gordos ómega 3 entre outros. Certo é que a dieta diversificada e rica nestes alimentos não constituirá nenhum prejuízo e, na dúvida, poderá ter benefícios na prevenção e duração dos sintomas das infeções respiratórias. A medida preventiva mais eficaz é, indubitavelmente, a vacinação de grupos vulneráveis.

Por fim, a função da máscara facial foi sempre muito discutida pelo papel que teve (e ainda tem) no controlo da pandemia por SARS-CoV-2. A Direção-Geral da Saúde recomenda a sua utilização obrigatória nas seguintes situações: em estabelecimentos de serviços de saúde; em estruturas residenciais ou de acolhimento para populações vulneráveis, pessoas idosas ou pessoas com deficiência; nos contactos com casos confirmados de covid-19 durante 14 dias após a data da última exposição. Poderá usar a máscara noutras situações sobretudo se contactar com pessoas vulneráveis (como por exemplo, imunodeprimidos, idosos e doentes crónicos). Até breve!

Dinis Brito, médico de família

*A NM tem um espaço para questões dos leitores nas áreas de Direito, Jardinagem, Saúde e Finanças pessoais. As perguntas para o Consultório devem ser enviadas para o email [email protected]