App móvel gratuita ajuda a lidar com a saúde mental

Depressão e ansiedade são as doenças psiquiátricas mais comuns

O objetivo da nova aplicação para telemóvel é que o paciente consiga fazer uma auto-avaliação de sintomas e seja aconselhado com exercícios ou até marcação de uma consulta. A inovação surge pela mão do Centro de Medicina Digital P5, que tem também um website disponível.

O Centro de Medicina Digital P5, um projeto da Universidade do Minho, lançou uma aplicação para telemóvel focada no cuidado da saúde mental. O objetivo é ajudar qualquer pessoa que sinta necessidade de acompanhamento a autoavaliar e a automonitorizar sintomas, com foco nas duas doenças psiquiátricas mais comuns: a depressão e a ansiedade. Destina-se à população geral e é de acesso totalmente gratuito.

Pedro Morgado, que liderou a equipa responsável pela inovação, acrescenta que há ainda “uma série de funcionalidades relacionadas com o bem-estar, incluindo técnicas de relaxamento e de melhoria do sono, que ajudam a prevenir outras doenças”. O objetivo é também aumentar a literacia em saúde mental, promovendo conhecimento sobre como lidar com pensamentos e emoções. “A disseminação de informação correta e a criação de ferramentas que facilitem o acesso à informação e a interação com os utilizadores são fundamentais para a melhoria do bem-estar e da saúde mental das populações.”

A aplicação é de uso intuitivo e funciona através de um algoritmo simples, “não existindo qualquer ação manual”, elucida o psiquiatra, que realça o trabalho desenvolvido por investigadores e profissionais de saúde que asseguram ao projeto uma base científica sólida.

Pedro Morgado, psiquiatra e vice-presidente da Escola de Medicina da Universidade do Minho, liderou a equipa responsável pela aplicação móvel P5

A aplicação móvel foi desenvolvida por investigadores do Centro de Medicina Digital P5 e do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde, uma equipa multidisciplinar que incluiu psiquiatras, psicólogos, neurocientistas e também especialistas em informática. O projeto P5, iniciado em 2020, desenvolveu inicialmente um website sobre a temática, que deu agora origem à aplicação móvel. Segundo Pedro Morgado, a página web do P5 conta já com mais de 100 mil utilizadores e a app, apesar de recentemente criada, “recebeu mais de mil downloads só nos primeiros dias após o lançamento”.

O também psiquiatra e vice-presidente da Escola de Medicina lembra que Portugal tem “um longo caminho a percorrer no que diz respeito à promoção da saúde mental, à prevenção da doença psiquiátrica e ao diagnóstico precoce”, acreditando que são iniciativas como o projeto, o website e a aplicação P5, “com um potencial muito significativo”, que podem fazer a diferença na vida das pessoas.

O psiquiatra Pedro Morgado acredita que exemplos como o Centro de Medicina Digital P5 são fundamentais para “alavancar” projetos que unam tecnologia e saúde. “Precisamos de mais estímulos à cooperação entre instituições e também de mais financiamento”, conclui.