“Somos o que comemos.” Junho, o mês da saúde digestiva

É fundamental alertar a população para a importância da prevenção e deteção precoce de eventuais problemas de saúde do foro gastrintestinal (Foto: Freepik)

Mais de 60% da população portuguesa tem problemas digestivos. O stress, causado sobretudo pela ansiedade e pelo trabalho, tem um grande impacto. A Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia tem uma campanha em curso.

Entre as dez principais causas de morte no nosso país, três estão relacionadas com o aparelho digestivo. Mais de 60% da população portuguesa tem problemas a este nível. A Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG) volta a dedicar o mês de junho à saúde digestiva. Foi feito um filme para sensibilizar para várias questões que podem fazer a diferença. O músico Pedro Abrunhosa, o chef Rui Paula e o ex-jogador internacional Pedro Pauleta são os embaixadores da campanha.

Primeiro ponto. É fundamental alertar a população para a importância da prevenção e deteção precoce de eventuais problemas de saúde do foro gastrintestinal, no sentido de assegurar o diagnóstico precoce e o tratamento mais adequado. A SPG avançou com um inquérito sobre o tema, para perceber o panorama. Há boas e más notícias. Quase a totalidade dos inquiridos, 99%, revela um cuidado geral com a saúde digestiva e sabe quais as suas implicações na saúde.

Mas o dia-a-dia agitado traz consequências. O stress é indicado como o principal problema. Ou seja, 94% dos inquiridos estão preocupados com a ansiedade relacionada com o trabalho e com questões financeiras. O impacto na saúde não é bom e a pandemia não ajudou. Os resultados mostram que 57% garantem que os seus níveis de stress aumentaram neste período de confinamento e 69% afirmam que esta fase foi responsável pelo atraso nos exames de diagnóstico, fundamentais para a monitorização da saúde digestiva, nomeadamente através de endoscopias e colonoscopias. Além disso, apenas 29% consultaram um especialista e 49% fizeram-no há mais de três anos.

Estes problemas tendem a surgir de forma silenciosa. Sem sinal, sem aviso. E muitos não sabem que as perturbações e doenças do aparelho digestivo comprometem a qualidade de vida e reduzem a esperança de vida. Por isso, a campanha e iniciativas para incentivar a adoção de hábitos mais saudáveis para um melhor bem-estar. O chef Rui Paula sabe do que fala e deixa o aviso na campanha que circula pelo país. “Como somos o que comemos, é muito importante a alimentação, com equilíbrio e com preocupações com a saúde digestiva.” E acrescenta: “Temos de comer bem para que a nossa saúde digestiva fique também bem”.

Pauleta concorda. “A alimentação e o exercício físico são fundamentais para uma boa saúde digestiva.” Pedro Abrunhosa acrescenta outros pontos, alguns pessoais. “A minha profissão envolve o desempenho no palco, e o desempenho no palco é um desempenho físico, é um desempenho de alta competição. São duas horas e meia no palco e, por isso, é fundamental que o meu corpo também responda, intelectualmente e fisicamente. Tenho 60 anos, tenho vigiado a minha saúde digestiva regularmente – é muito importante que façamos esse rastreio de uma forma constante e rigorosa.”