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Como viver com a dor reumática

A doença reumática provoca dor, limita a capacidade funcional, e piora a qualidade de vida. Rigidez matinal que prende movimentos do corpo é um dos sinais.
Fadiga, cansaço extremo e falta de energia, sem explicação aparente, são os sintomas mais frequentes de quem sofre de doenças reumáticas.
A depressão também é frequente nos doentes que sofrem de dor reumática. A vida altera-se perante as incapacidades.
Nas últimas décadas, as dores lombares e do pescoço têm vindo a aumentar. São, neste momento, uma das principais causas de incapacidade.
Segundo vários estudos, as pessoas com doenças reumáticas têm um risco acrescido de desenvolvimento de cancro, nomeadamente cancros hematológicos, cancro do pulmão, cancros colorretais e hepáticos.
A adoção de estilos saudáveis reduz alguns dos fatores de risco associados às doenças reumáticas. De qualquer forma, os sintomas iniciais não devem ser desvalorizados.
Em Portugal, as doenças reumáticas têm uma prevalência de 56%. São responsáveis por 40 a 60% das situações de incapacidade física prolongada e perda de autonomia.
Há uma bolsa de 10 mil euros para novos projetos centrados nas pessoas com doenças oncológicas e nas doenças crónicas ou debilitantes do foro reumático e do sistema nervoso. As candidaturas abrem a 15 de maio.

Texto Sara Dias Oliveira | Fotografia Shutterstock

As doenças crónicas são responsáveis por 88,5% dos anos vividos com incapacidade e os problemas músculo-esqueléticos carregam a maior percentagem. Os doentes reumáticos são doentes para toda a vida. Não há cura e a artrite reumatoide provoca uma elevada incapacidade funcional.

«As pessoas com doença reumática sentem dor, que limita a sua qualidade de vida e capacidade funcional; em alguns casos, sentem rigidez matinal que se traduz numa sensação de movimentos presos», refere à NM Elsa Frazão Mateus, presidente da Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas.

No nosso país, as doenças reumáticas são responsáveis por 43% do absentismo no trabalho e por entre 35 a 41% das reformas antecipadas.

A fadiga, a sensação de cansaço extremo, a falta de energia, sem razões aparentes, são os sintomas mais frequentes de quem sofre de doença reumática. A depressão também pode bater à porta. E a dor reumática não passa com o repouso.

«Estes sintomas, a progressão da doença, por vezes também os efeitos secundários da medicação, têm um enorme impacto na vida das pessoas. Muitas vezes, a sua capacidade de trabalho é afetada, principalmente em alturas de crises, a que se junta a necessidade de procurar cuidados de saúde – consultas, tratamentos, exames complementares de diagnóstico», adianta Elsa Mateus.

«Por outro lado, segundo o Colégio Americano de Reumatologia, nas suas formas mais severas, as doenças reumáticas podem originar infeções fatais, como a pneumonia, e um risco significativamente aumentado de desenvolver outras doenças associadas, incluindo doenças cardiovasculares e cancro», sublinha.

Os custos relacionados com o diagnóstico, tratamento, medicamentos, cuidados, dispositivos auxiliares, são das despesas de saúde mais caras para os sistemas de saúde europeus.

A doença reumática afeta a vida a vários níveis e a depressão é bastante frequente. Um estudo recente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto comparou doenças reumáticas com outras crónicas. Uma das conclusões é que as doenças reumáticas são responsáveis por 10% das despesas não comparticipadas do doente por cerca de 7,5% da utilização frequente dos cuidados de saúde.

«Apesar de crónicas, as doenças reumáticas podem ser bastante imprevisíveis, mesmo sob tratamentos adequados: o agravamento da doença pode acontecer sem razão aparente. E se é um desafio compreendê-las, é um desafio maior viver e conviver com elas diariamente, na primeira pessoa», refere a presidente da Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas.

«É essencial que não se ignorem os sintomas iniciais, que sejam diagnosticados o mais cedo possível», alerta Elsa Mateus, presidente da Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas.

Impacto na vida, impacto no trabalho, impacto no corpo. A adoção de estilos saudáveis – uma vida sem tabaco, sem álcool, sem quilos a mais na balança – reduz alguns dos fatores de risco associados às doenças reumáticas.

«Em qualquer caso, é essencial que não se ignorem os sintomas iniciais, que sejam diagnosticados o mais cedo possível, pois os tratamentos atuais permitem reduzir o prognóstico de incapacidade associado às doenças reumáticas e logo, o impacto nos indivíduos, nas suas famílias e na sociedade.»

Mecanismos mais ágeis

Há ainda muito para investigar nesta área para um diagnóstico mais cedo e de forma mais precisa. «Apesar de existirem atualmente melhores tratamentos que permitem reduzir a atividade da doença e, em alguns casos, atingir a remissão sustentada, não existe ainda uma cura.» Por isso, o acesso atempado aos tratamentos mais adequados e a gestão da doença são pontos fundamentais.

«Mas depende também de uma maior sensibilização do público em geral para as doenças reumáticas que atingem pessoas em qualquer idade e fase da sua vida, incluindo crianças e jovens, e dos decisores políticos para que possam ser criados mecanismos mais ágeis de proteção social, de adaptação do posto de trabalho, oportunidades de reconversão vocacional, de acesso às consultas de especialidade e tratamentos, entre outras medidas”, refere Elsa Mateus.

Procuram-se soluções inovadoras para as necessidades não clínicas dos doentes e dos seus cuidadores.

A biofarmacêutica Celgene tem uma bolsa de 10 mil euros para novos projetos centrados nas pessoas com doenças oncológicas e nas doenças crónicas ou debilitantes do foro reumático e do sistema nervoso.

As candidaturas dirigem-se a instituições portuguesas sem fins lucrativos, como associações de doentes, sociedades científicas e profissionais e outras entidades coletivas, e estão abertas entre 15 de maio e 15 de junho.

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