O vírus que provoca o cancro do colo do útero está em todo o lado

No nosso país, todos os anos, há cerca de mil novos casos de cancro do colo do útero. No início, não há queixas, os sintomas só se revelam numa fase tardia. Por isso, os rastreios são importantíssimos. Estamos na Semana Europeia do Cancro do Colo do Útero.

Texto Sara Dias Oliveira| Fotografia Shutterstock

O Papilomavírus Humano (HPV) é o principal responsável pelo cancro do colo do útero. É a infeção sexual mais frequente no mundo e qualquer pessoa sexualmente ativa, ou que já tenha tido relações sexuais, pode já ter contraído esta infeção por HPV – considerado o segundo carcinogéneo mais relevante a seguir ao tabaco. Este vírus não é esquisito: não escolhe idades e não escolhe géneros.

Não há muitos sinais numa fase inicial e, portanto, não há queixas. Mas um exame ginecológico simples, que analisa o colo do útero com um espéculo vaginal, ajuda a detetar alterações. «Antes de as células do colo se transformarem em malignas, passam por modificações que podem ser facilmente detetadas na citologia, o chamado Papanicolau, ou, mais recentemente, através da presença de infeções por HPV. Se as mulheres fizerem o rastreio, é possível identificar e tratar as lesões precursoras e, deste modo, nunca chegar à fase de cancro», adianta Paula Ambrósio, especialista em ginecologia e obstetrícia no Hospital Vila Franca de Xira.

Todos os anos, na Europa, surgem 60 mil casos de cancro do colo do útero, 30 mil são fatais.

A situação pode, contudo, piorar. «Quando as células já são invasivas, os sintomas mais frequentes são a hemorragia vaginal anormal (por exemplo, quando surge entre os dias normais do período menstrual, nas mulheres que ainda menstruam ou após as relações sexuais), o corrimento vaginal com odor intenso e sangue, e, em casos mais avançados, as dores na região pélvica e lombar», diz a especialista.

Não existem grupos de risco específicos para esta infeção, ao contrário das outras infeções sexualmente transmissíveis. E como é um vírus que está em todo o lado e que afeta praticamente todas as pessoas sexualmente ativas, explica médica, a sua incidência é muito elevada.

Cerca de 70 a 90% das pessoas será infetada ao longo da sua vida, desde que iniciam a sua atividade sexual. Atualmente, cerca de 20% das mulheres portuguesas, entre os 18 e os 64 anos, estão infetadas pelo HPV.

«Se as mulheres fizerem o rastreio, é possível identificar e tratar as lesões precursoras e, deste modo, nunca chegar à fase de cancro», diz Paula Ambrósio, especialista em ginecologia e obstetrícia.

«Este vírus transmite-se com muita facilidade através do contacto entre pele e mucosas, e o preservativo apenas protege a sua transmissão em cerca de 70% dos casos. Deste modo, a única forma de prevenir a infeção por HPV é fazer a vacina, pois esta permite adquirir imunidade contra o vírus e, assim, combater a infeção.»

O cancro do colo do útero, dependendo da fase em que é diagnosticado, pode ser tratado por cirurgia, por quimioterapia associada a radioterapia, ou apenas por radioterapia.

«A idade da doente, a fase da doença e os riscos e benefícios associados são os aspetos mais importantes na tomada de decisões,» adianta a especialista.

«Quando as células neoplásicas ainda não são invasivas, ou seja, quando ainda estão confinadas ao colo do útero e sem capacidade de se espalharem para outros órgãos, a conização é o tratamento mais eficaz». É uma pequena cirurgia para remover a porção do colo do útero em que se encontram as células alteradas e, habitualmente, é realizada sob anestesia local por um ginecologista especializado neste tipo de procedimento.

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