Trabalho devia terminar sempre com fim de semana de três dias, diz a ciência

E isto porque só os dois da praxe chegam a custo, passam a voar e deixam-nos com a indolente sensação de que não repousámos nada, como é possível? O ideal seriam semanas de quatro dias de trabalho e três de descanso, bem mais produtivas por estas razões.

Texto NM | Fotografias da Shutterstock

EMOÇÕES

Não era preciso ser a ciência a dizer-nos algo que já todos pudemos comprovar sozinhos, porém sabe bem ter argumentos sólidos na hora de explicar ao chefe porque estamos a recusar mais aquela tarefa. E aqui, de facto, vários estudos reforçam que quem trabalha demasiado fica mais propenso a irritar-se, discutir com os colegas e ter dificuldades em recuperar emocionalmente da tensão laboral, além de resistir a perceber as emoções de quem o rodeia. Todos saem a ganhar com trabalhadores descansados. A começar pelos próprios.

CORPO

É também a ciência que o diz: da mesma forma que o foro emocional se ressente, o físico não lhe fica atrás, a avaliar por uma pesquisa publicada na revista médica The Lancet que diz que quem trabalha 55 horas por semana tem 33 por cento mais probabilidades de vir a sofrer um derrame cerebral, quando comparado com os indivíduos que trabalham menos de 40 horas semanais. Excesso de trabalho aumenta ainda em 13 por cento a propensão para se desenvolver tromboses e ataques cardíacos.

SONO

Segundo um outro estudo divulgado no periódico Sleep, trabalhar mais de 40 horas por semana implica dormir menos tempo e quase sempre uma maior dificuldade em adormecer, em relaxar – fator importante para prevenir a insónia – e em acordar repousado para mais um dia de trabalho. Tudo razões que interferem significativamente com o desempenho laboral, de que lhe falamos já a seguir.

PRODUTIVIDADE

Parece uma incongruência diante da crença generalizada – e incorreta – de que trabalhar sem descanso durante muitas horas significa maior eficácia, mas a verdade é que até isto a ciência desmistificou. Segundo a investigadora Sarah Green Carmichael, diretora da revista Harvard Business Review, já no século xix se tinha chegado a esta conclusão quando os sindicatos forçaram os donos das fábricas a limitar a jornada laboral a 10 horas, e depois a 8: «As direções surpreenderam-se ao descobrir que não só a produtividade aumentou, como diminuiu o número de acidentes e erros humanos que saíam caros às empresas», diz. O mesmo sucede agora.

EQUILÍBRIO

Graças à tecnologia disponível, podíamos inclusive trabalhar 32 horas semanais, e até menos, sem comprometer a eficiência, com benefícios inegáveis no equilíbrio entre a vida pessoal e laboral de cada um, defende a especialista em política social Anna Coote. Uma pesquisa australiana acrescenta que trabalhadores com mais de 40 anos apenas deveriam trabalhar três dias por semana, devido aos elevados índices de stress e exaustão a que o cérebro está sujeito. Também a Suécia, sempre à frente em matéria de produtividade e qualidade de vida dos funcionários, já iniciou a semana laboral de 30 horas.

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