“Sem acordo, e com uma saída à força, gritamos todos ‘Mamma Mia’!”

Notícias Magazine

Esta semana a nossa convidada nas entrevistas que nunca fiz é a primeira-ministra do Reino Unido (agora, bastante desunido), Theresa May. Tenho aqui comigo o documento que, supostamente, oficializa o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia. É um grande calhamaço com 585 páginas.
585 é uma capicua. Pode ser que dê sorte, que bem precisamos dela.

Verdade. Por outro lado, os cerca de 44 biliões de libras que vão ter de pagar para abandonar a União Europeia também é uma capicua, mas não é um número agradável. Aliás, uma capicua é um palíndromo, uma palavra que vem do grego – palin – que significa “para trás, novamente” edromos “caminho, rua”. Não sei se não será isso que vai acontecer ao Reino Unido – percorrer um caminho que o vai fazer voltar para trás.
Ainda bem que fala nos gregos, acho que a Grécia é um bom exemplo porque a maioria dos ingleses votou “sim” no referendo do Brexit. A União Europeia não tem muito respeito pelas nações que dela fazem parte.

Ilustração: Marco Mendes

Mas, se calhar, se agora houvesse um novo referendo também voltavam para trás. Eu sinto que o referendo do Brexit foi um bocado como aquele programa da SIC, o Casados à Primeira Vista: as pessoas não faziam ideia no que se estavam a meter e agora anda tudo à batatada e ninguém se entende e já começam a ver que se meteram numa grande alhada. O Brexit foi uma espécie de Divórcio à Primeira Vista.
Eu sou contra um novo referendo, o povo votou está votado.

Tem toda a razão. Na realidade a única coisa em que o povo não votou mesmo foi em si para primeira-ministra. Mas eu, aqui há uns tempos, vi-a a entrar no congresso do seu partido a dançar o “Dancing-Queen” dos Abba. Não tem receio que este acordo ponha a União Europeia a cantar o “The Winner Takes It All”?
Se quer ir pelo caminho dos trocadilhos com músicas dos Abba, o que eu acho é que sem acordo, e com uma saída à força, gritamos todos “Mamma Mia”!

Também pode dar-se o caso disto acabar por ser o seu “Waterloo”.
Mas no Waterloo os ingleses venceram.

Raios, a senhora tem sempre uma resposta debaixo da língua. Se conseguir sobreviver a isto e fazer do Brexit um sucesso, a Margaret Thatcher, comparada consigo, vai parecer a Dama de… plasticina. Sente-se pronta para se reunir com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, para discutir a declaração sobre os termos da futura relação do Reino Unido com a UE?
Claro que sim.

Acha que o vai convencer? Vai apostar tudo nas suas qualidades diplomáticas?
Sim, mas, não arriscando, vou levar duas garrafas de aguardente.