O segredo para aprender qualquer coisa (mesmo qualquer coisa) num mês

Entre trabalho, casa, família, filhos, amigos, atividades quanto tempo resta do dia para se dedicar a alguma coisa nova? Lembra-se da última vez que aprendeu algo diferente? Uma nova língua, um instrumento musical, uma arte, um desporto. É importante para o nosso cérebro continuarmos a definir situações e desafios com regularidade. A grande desculpa para para não o fazer é sempre a falta de tempo. Mas, e se lhe dissermos que não precisa mais do que 20 horas para aprender algo novo? Já se imagina de guitarra na mão?

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia Shutterstock

Sempre teve o sonho de aprender uma nova língua mas continua a dizer para si mesmo que não tem tempo para esta atividade? Isso pode mudar depois de ler este artigo.

A boa notícia é que só precisa de 20 horas para se tornar conhecedor do que quiser. Sim, é verdade. Segundo o diagrama de 1885 do filósofo alemão Hermann Ebbinghaus (que ainda hoje é usado em empresas para avaliar a qualidade do trabalho) citado no El Pais, 20 horas são o suficiente para nos colocar num ponto suficientemente confortável em relação à curva de aprendizagem.

Josh Kauffman, escritor e conferencista, explica no seu livro As Primeiras 20 horas. Como Aprender Qualquer Coisa Rápido, que existe um período inicial (20 horas) em que se apreende a maioria dos conhecimentos numa matéria.

Mas, atenção: 20 horas dão-lhe o conhecimento necessário para saber defender-se no que decidir aprender, não vai logo dar concertos em estádios ou ser intérprete de alemão. Ou seja, não se torna instantaneamente um perito.

Josh Kauffman, escritor e conferencista, explica no seu livro As Primeiras 20 horas. Como Aprender Qualquer Coisa Rápido, que existe um período inicial (20 horas) em que se apreende a maioria dos conhecimentos numa matéria. A partir daí, o tempo dedicado à atividade é de aperfeiçoamento.

A questão seguinte que se impõe é: «Onde vou buscar 20 horas a uma agenda já preenchida?» Benjamin Franklin, inventor americano do século XVIII já tinha resposta para si. Chamou-lhe a «regra das cinco horas», ou seja, uma hora por dia, de segunda a sexta-feira, dedicada somente à aprendizagem de alguma coisa.

Michael Simmons, autor do livro The Student Success Manifesto e colaborador das revistas Forbes, Fortune e Time, afirma que o segredo está em encontrar o tempo certo até estarmos mesmo ocupados – ou mesmo sobrecarregados – e não nos deixarmos levar por distrações. Outro conselho importante é ir praticando o que está a aprender para não ser imediatamente esquecido.

Para Simmons, estas horas que reservamos para nós são muito importantes para o bem-estar psíquico e mental. Para além do saber adquirido, a confiança em si também é restabelecida.

Gemma Ramirez, autora do livro Claves del coaching: Herramientas que te ayudaran a sacar lo mejor de ti (a Chave do Coaching: Ferramentas que te ajudam a sacar o melhor de ti), defende uma técnica a que chamou de «reset»: durante aquela hora, esvazie a cabeça de quaisquer preocupações ou problemas que possa ter.

Por uma hora, a única coisa que importa é aquela nova aprendizagem. Não consegue? Gemma sugere uma forma de o fazer: «Durante 15 minutos, anote tudo o que lhe vem à cabeça. Sem critério, sem pensar muito. Anote tudo. No final desse tempo, não só vai sentir-se mais leve como vai perceber a quantidade de ‘lixo mental’ que está a acumular».

Para Simmons, estas horas que reservamos para nós são muito importantes para o bem-estar psíquico e mental. Para além do saber adquirido, a confiança em si também é restabelecida, uma vez que cumpriu o desafio a que se propôs. Uma hora por dia, cinco dias por semana, durante quatro semanas e estará pronto para dizer que já sabe algo novo. Há melhor sensação que essa?

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