OPINIÃO

Sabe o que é a antiginástica?

Não, não é uma terapia. Nem um desporto, apesar de a prática desportiva ter tudo a ganhar ao integrá-la. A antiginástica alonga o corpo, relaxa os músculos, recupera a flexibilidade e livra-nos das tensões responsáveis por inúmeros problemas de saúde. Isto, claro, sem impor posturas a ninguém.

Texto NM | Fotografias da Shutterstock

É o pão nosso de cada dia da maioria das pessoas: dores nas costas, nas pernas, nos braços. Articulações tão emperradas quanto os afetos. Uma relação com o corpo que é mais de estranheza que de intimidade. Quando finalmente reparamos que algo não vai bem connosco, já perdemos o equilíbrio físico, mental e emocional, presos de tensões que nos deixam doentes. E é aqui que a antiginástica mostra do que é capaz.

«Diz-se que é preciso transpirar muito, mas o que é necessário é perceber como o corpo funciona», diz Thérèse Bertherat.

«Diz-se que é preciso fortalecer o corpo, transpirar muito. Porém, o que é necessário à partida é abrir os olhos e darmo-nos ao trabalho de perceber como o corpo funciona», explica a fisioterapeuta francesa Thérèse Bertherat, a mentora da antiginástica, que criou ao desencantar-se com uma medicina incapaz de reconhecer que o corpo é uma cadeia muscular indissociável, não uma soma de partes.

Fazia-lhe falta uma técnica de fisioterapia que englobasse saberes tão diversos como a bioenergética, a acupuntura, a psicanálise, o rolfing (sessões de pressão manual para alinhar o campo gravitacional da Terra com o campo energético do corpo humano), a eutonia (prática corporal que trabalha a flexibilidade para equilibrar as tensões dos diferentes tecidos do corpo) e outras terapias alternativas.

A antiginástica não implica esforços impiedosos: os praticantes podem passar uma aula a imaginar que flutuam na água.

Na década de 1970, Thérèse acabou finalmente por criar de raiz este método único, que hoje continua a ser aperfeiçoado e ensinado pela filha, Marie Bertherat, e por profissionais certificados um pouco por todo o mundo – Portugal incluído.

De resto, a antiginástica não implica esforços impiedosos: os praticantes podem passar uma aula a imaginar que flutuam na água para aprenderem a respirar como deve ser. Ou trabalharem movimentos criativos, ao ritmo de cada um – embora precisos e respeitando a fisionomia do corpo –, para corrigirem más posturas, soltarem a rigidez das articulações, ganharem nova linguagem muscular e sintonizarem-se com a mente, que assim se torna também mais atenta aos sinais corporais.

A antiginástica não pretende fazer emagrecer, modelar o corpo ou criar massa muscular, porém os benefícios são incomparáveis.

E não, a prática não pretende fazer emagrecer, modelar o corpo ou criar massa muscular, por muito que possa ser extenuante tentar mexer zonas há muito tempo paradas. Mas se pensarmos que todas as nossas posturas resultam dos acontecimentos por que passamos ao longo da vida – as marcas físicas e psicológicas ficam gravadas no corpo –, percebe-se o muito que ela pode fazer por nós.

Espreite todos os benefícios da antiginástica na nossa fotogaleria.

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