Reduzir o consumo de calorias pode atrasar o envelhecimento?

A resposta é sim. De acordo com um estudo publicado no «Cell Metabolism», menos calorias podem desacelerar o metabolismo e até prolongar o tempo de vida.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia Shutterstock

O consumo de calorias pode estar diretamente associado ao metabolismo e à velhice? De acordo com um estudo do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos da América, chamado de CALERIE, publicado na Cell Metabolism, sim.

As pessoas que reduziram o consumo de calorias conseguiram diminuir o seu metabolismo e conseguiram prolongar a sua vida. O estudo já foi feito em animais de curta duração, tais como vermes ou moscas, mas é o primeiro feito em humanos num período tão longo.

«O CELERIE foi importante para voltar a estudar a questão e perceber se o ritmo do envelhecimento pode ser alterado nos humanos», disse Rozalyn Anderson, que estuda o envelhecimento na Universidade de Wisconsin-Madison, à revista Nature. «Este novo estudo mostra com evidência que tudo o que aprendemos com outros animais pode ser aplicado a nós mesmos», continuou.

Em média, cada participante que reduziu a taxa metabólica conseguiu emagrecer cerca de nove quilos, além de as análises clínicas mostrarem que houve uma diminuição em relação ao dano do envelhecimento.

Os participantes, com idades entre os 21 e os 50 anos, foram divididos em dois grupos. Um deles com 34 pessoas que reduziu a sua ingestão calórica em 15%, outro com 19 pessoas que comeram normalmente.

No final dos dois anos, os cientistas concluíram que o grupo de teste – que reduziu as calorias ingeridas – utilizava a sua energia de forma mais eficiente do que o grupo «controlo» – que não alterou a alimentação.

Em média, cada participante que reduziu a taxa metabólica conseguiu emagrecer cerca de nove quilos, além de as análises clínicas mostrarem que houve efetivamente uma diminuição em relação ao dano do envelhecimento.

Há já outros cientistas a experimentar restringir calorias apenas alguns dias por mês, isto porque se pensa que a restrição intercalada é tão eficaz quanto a contínua.

De acordo com a revista Nature, o CALERIE funcionou apenas dois anos e pretende mostrar se a dieta aplicada nos humanos resulta nas mesmas adaptações metabólicas, hormonais e genética que já se verificou noutras espécies em relação ao envelhecimento.

A coordenadora do estudo, Leanne M. Redman, garantiu à CNN que reduzir o consumo calórico «tem benefícios de saúde para toda a gente, independentemente do estado clínico em que se encontram».

De facto, é difícil que todas as pessoas consigam restringir a sua dieta tão rígida como aconteceu com os participantes deste estudo, mas para o especialista Rozalyn Anderson esta análise permitirá estudar «novas formas de intervir».

A revista norte-americana indica ainda que há já outros cientistas a experimentar restringir calorias apenas alguns dias por mês, isto porque se pensa que a restrição intercalada é tão eficaz quanto a contínua.

Recorde-se que em 2015, uma equipa de neurocientistas da Universidade de Coimbra descobriu que reduzindo 20% a 40% das calorias em ratos – sem que fiquem subnutridos – poderia atrasar o seu envelhecimento e prolongar a sua vida.

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