O cenário trágico do plástico que invade os oceanos

Os alertas têm sido constantes. As quantidades de plástico nos oceanos têm afetado seriamente várias espécies marinhas e prevê-se que em 2050 a quantidade de lixo seja superior ao número de peixes.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia Shutterstock

As quantidades de plástico que se têm espalhado afetam não só o meio ambiente, como também os oceanos. Nestes últimos, o plástico tem ameaçado espécies marinhas e os humanos. De acordo com o Ocean Conservancy, cerca de oito milhões de toneladas de plástico entram no oceano, além dos 150 milhões de toneladas que circulam atualmente no mar.

Um estudo desenvolvido pela fundação Ocean Cleanup, que envolveu investigadores de instituições na Nova Zelândia, Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha e Dinamarca, indica que quase 80 mil toneladas de detritos de plástico estão no Oceano Pacífico, entre a Califórnia e o Havai.

Uma das amostras mais chocantes em relação ao assunto foi captada por Rich Horner, mergulhador que mostrou o estado do mar na Indonésia. «Garrafas de plástico, copos de plástico, folhas de plástico, baldes de plástico, saquetas de plástico, palhas de plástico, cestos de plástico, sacos de plástico, mais sacos de plástico, plástico, plástico, muito plástico», escreveu, em março – altura em que publicou o vídeo (ver em baixo), na sua página de Facebook.

Um dos graves problemas deste tipo de poluição está relacionado com o facto de estes plásticos, como cotonetes, palhinhas ou sacos de plástico, se deteriorarem e, através do peixes, chegarem à cadeia alimentar humana.

A organização Ocean Conservancy estima que, em menos de 10 anos, existam 250 milhões de toneladas de plástico nos oceanos, sendo que em 2050 poderá haver mais plásticos que peixes, caso nada seja feito.

Apenas 9% do plástico é reciclado, com o acréscimo que grande parte não é biodegradável e, por norma, leva mais de 400 anos a degradar-se.

«Acreditamos que a solução a longo prazo para o plástico nos oceanos seja transformar o papel que o plástico desempenha na economia mundial. Mas com oito milhões de toneladas despejadas no oceano todos os anos, não se pode esperar por soluções a longo prazo e precisamos agir», pode ler-se no site oficial da associação norte-americana.

De acordo com o Independent, são produzidos atualmente cerca de 300 milhões de toneladas de plástico por ano, sendo que deste número há uma grande quantidade que vai parar aos oceanos. A mesma fonte indica que cerca de 50% do plástico que é criado é usado apenas uma vez e descartado – afetando quase 700 espécies.

O jornal britânico acrescenta ainda que atualmente apenas 9% do plástico é reciclado, com o acréscimo que grande parte não é biodegradável e, por norma, leva mais de 400 anos a degradar-se.

Enzima limpa plásticos dos oceanos

Uma Universidade Pourtsmouth, no Reino Unido, informou que foi criada uma enzima, intitulada de PETase, capaz de decompor politereftalato de etileno, o mesmo plástico usado em garrafas.

Esta nova técnica poderá «abrir um novo caminho» para se fazer uma reciclagem rápida e de baixo custo para compostos artificiais.

Os resultados da investigação, que promete revolucionar um dos maiores problemas ambientais, foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Em Portugal, há também um projeto inovador criado por três jovens de Cascais pretende eliminar as palhinhas de plástico. A solução? Palhinhas de papel. «Custam cerca de 3 cêntimos por palhinha, sendo que as de plástico custam menos de 1 cêntimo. No entanto, há estudos que mostram que quando a palhinha não é fornecida inicialmente, apenas 1/7 dos clientes a pede, o que até levaria a uma efetiva redução de custos», explica Carolina, uma das jovens envolvidas no projeto.

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