A psicologia que nos ensina a ser felizes

Hoje comemora-se o Dia Internacional da Felicidade, um reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) à importância da felicidade na vida de todos. A psicologia positiva fornece as pistas acerca de como podemos ser mais felizes.

Texto Sofia Teixeira | Fotografia Shutterstock

Duas décadas de estudos e revisões sistemáticas da literatura no campo da psicologia positiva já produziram conhecimento em quantidade suficiente para ser possível avançar com conclusões acerca do que, geralmente, nos faz felizes.

Mas um estudo que data de 1978, muito antes do conceito de psicologia positiva existir, fornece uma das mais interessantes e surpreendentes pistas acerca da felicidade.

Os investigadores Philip Brickman, Dan Coates e Ronnie Janoff-Bulman fizeram uma comparação improvável entre dois grupos distintos: pessoas que tinham ganhado a lotaria há cerca de um ano e pessoas que tinham ficado paraplégicas na sequência de um acidente há cerca de um ano.

Concluíram que os níveis de satisfação com a vida de uns e outros eram idênticos – na verdade, os paraplégicos ficaram à frente, embora não de forma significativa.

Garantidas as necessidades básicas, as circunstâncias de vida têm pouco peso nos níveis de felicidade.

Ninguém duvida que uma destas realidades é objetivamente melhor e mais desejada do que a outra, mas o que o estudo mostra é que, apesar de nos meses que se seguiram aos eventos os paraplégicos sofrerem uma queda acentuada dos seus níveis de satisfação com a vida e os milionários um aumento exponencial, um ano depois os níveis de felicidade de uns e outros são idênticos.

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Quer isso dizer, por mais contraintuitivo que pareça, que garantidas as necessidades básicas, as circunstâncias de vida têm pouco peso nos níveis de felicidade.

O que pesa então? A componente genética não é de desprezar, mas a chave são os nossos comportamentos, pensamentos e atitudes intencionais: a felicidade não se encontra, cria-se todos os dias. Martin Seligman, um dos pais da psicologia positiva (ver caixa) defende que são cinco os principais pilares da felicidade que sistematizou no modelo PERMA:

  • Positive emotions (emoções positivas)
  • Engagement (envolvimento)
  • Relationship (relações)
  • Meaning (significado ou propósito)
  • Accomplishment (realização)

O NASCIMENTO DA PSICOLOGIA POSITIVA

O ponto de partida do movimento denominado por Psicologia Positiva deu-se em 1998, quando Martin Seligman, durante a sua presidência da American Psychological Asso ciation, começou a chamar a atenção para esse assunto, perguntando qual o sentido de insistir em centrar a psicologia só no transtorno, na disfuncionalidade, na doença e nos estados patológicos.

Durante décadas esse foi o foco e ganhou-se muito com isso: aprendeu-se mais sobre a patologia mental e encontrou-se forma de tratar muitas desordens. Mas a disciplina esqueceu-se de duas coisas: tentar melhorar a vida daqueles que vivem vidas normais – porque a ausência de patologia não significa uma vida feliz – e estudar aqueles que, apesar das circunstâncias adversas, eram felizes.

Foi este novo olhar que a disciplina inaugurou e este tem sido o seu foco desde então.

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