Perfil de Hélio Sousa: campeão e boa pessoa

Reuters

Texto de Alexandra Tavares-Teles

Quando, em 2010, assume o comando de uma seleção nacional, a de sub-18, Hélio Sousa mais não faz do que regressar à sua segunda casa, a casa onde duas décadas antes, então um miúdo de 20 anos, celebrara um feito inédito – a vitória numa final de um campeonato do mundo, escalão sub-20, conquistada em Riade, Arábia Saudita, ao lado de Paulo Sousa, João Vieira Pinto e Fernando Couto, alguns dos protagonistas de uma geração considerada de ouro.

Com a camisola oito, o jovem jogador destacava-se pela discrição eficaz e pela capacidade de concentração, rara em idades tão jovens, que em campo o levavam a estar sempre onde era preciso. Hélio Sousa, o “fininho” (por ser muito magro) e tímido rapaz de Setúbal, era consensual entre treinadores e colegas de equipa: “Fora e dentro de campo uma boa pessoa.”

Aprende cedo a ganhar finais e a celebrar vitórias históricas. De regresso à FPF, agora na função de treinador, comanda um grupo de talentosos rapazes na conquista dos títulos europeus nos escalões sub-17, em 2016, e sub-19, há uma semana, a 29 de julho, novo feito inédito de Portugal.

Imediatamente após a vitória portuguesa sobre a Itália, Carlos Queiroz, o treinador campeão em Riade, escreve no Facebook, sobre o ex-pupilo: “Fez uma excelente carreira enquanto jogador, sendo sempre homem e profissional exemplar. (…) Parabéns, mas, acima de tudo, obrigado, porque é um orgulho e uma felicidade ter cruzado a minha vida com o Hélio (…).”

O Vitória de Setúbal é a sua primeira casa. Chega ao Bonfim com apenas 12 anos, estabelecendo um vínculo que durará toda a carreira de jogador, relação rara no mundo da bola. No Bonfim, descobre capacidade de liderança e talento para se fazer ouvir sem necessidade de levantar a voz. Por isso, é eleito capitão de equipa e cedo lhe vaticinam futuro como treinador.

A estreia dá-se em 2005, ainda e sempre no Vitória, depois de selar 24 anos de carreira com um triunfo na Taça de Portugal. Depois de uma breve passagem pelo Covilhã, chega o convite da FPF, que nos traz até hoje e à vitória que Hélio Sousa acaba de alcançar.

“Fizemos história com esta geração, única, na Europa”, diz. Pai de André Sousa, um dos jogadores que deixou de fora da lista de convocados, lembra que o segredo está no trabalho e acredita que o futuro do futebol português “está garantido”. Para si, recusa elaborar grandes planos. “O meu futuro é o imediato.”

Que o imediato seja para o ano, com a seleção sub-20, no Mundial da Polónia.