Nuno Resende: o mestre dos rinques

Maria João Gala/Global Imagens

Texto de Sara Oliveira

Aos seis anos, quando começou a patinar na AD Sanjoanense, Nuno Resende não imaginava o futuro, mas já queria imitar os craques dos tempos áureos do hóquei em patins. Era muito pequeno. No entanto, sempre teve a ideia de que queria fazer da modalidade modo de vida.

Formou-se em Educação Física e Desporto e, ao mesmo tempo, somou experiência e êxitos. Como jogador, ao serviço da UD Oliveirense, conquistou uma Taça de Portugal, troféu que voltou a ganhar na época de estreia como treinador, ainda ao serviço do emblema de Oliveira de Azeméis.

O sonho seguiu, “alimentado por uma grande paixão”, e foi em Itália que Nuno Resende voltou a provar o sabor da glória, ao comando do Amatori Lodi, clube pelo qual se sagrou campeão nacional nas duas últimas épocas. É a segunda equipa italiana que treina, depois de ter passado pelo Matera.

“Nessa primeira experiência, ficou a sensação de que numa equipa maior, num projeto diferente, pudesse ganhar.” Surgiu o Lodi que, no ano anterior, havia conquistado a taça e chegado à final do campeonato, competição que não ganhava há 35 anos. Era uma pressão extra.

E não podia ter corrido melhor: “As coisas começaram muito bem, pois ganhámos a supertaça. Depois, seguiu-se uma época muito positiva e, na final, no quinto e último jogo do play-off, nas penalidades, conseguimos o tão desejado título de campeão nacional.” Esse foi o ponto de viragem. “Marquei uma posição. Consegui deixar claro que, com o meu tipo de trabalho, podia ganhar, confirmando isso, neste ano, com a renovação do título”, relata.

Em Lodi, cidade que o acolheu em 2016, Nuno Resende é reconhecido pela população, até porque por lá “o hóquei é a modalidade mais importante, está acima do futebol”. “Emigrante de excelência”, assume, sem rodeios, usufruir de boas condições, mas não esconde que “é difícil estar longe de Portugal, principalmente pela questão familiar”.

Com a mulher e as filhas distantes, Nuno Resende, de 43 anos, foca-se “no trabalho” e tem na Internet e nas redes sociais “duas aliadas para ajudar a matar saudades”.

A primeira experiência internacional foi em Angola, como selecionador nacional sub-20, uma aventura “aquém do esperado” em termos profissionais, mas “muito gratificante” a nível pessoal.

O técnico trabalha diariamente “com o objetivo de regressar a Portugal”. Uma viagem ainda por marcar. Para já, na agenda do sanjoanense, o dia 27 de agosto está em destaque. É a data em que arranca a nova temporada. Ou o início de uma rota que tem, mais uma vez, o sucesso por destino. A vontade de conquistar o tricampeonato de Itália é tão grande como as saudades de casa.