O novo sinal de trânsito que parece gritar: “Acorda, estúpido!”

Não, ainda não falam, mas já há sinais de trânsito que escondem mensagens de reprovação pela atitude pouco consciente dos peões. Para onde é que olha quando vai na rua?

É, literalmente, um sinal dos novos tempos. No coração de Estocolmo surgiu uma nova sinalética de perigo destinada a alertar os condutores para a existência de zonas onde prevalecem os transeuntes desatentos.

Não é por acaso que, de acordo com um estudo realizado pela DEKRA Accident Research (entidade alemã de testes, inspeção e certificação de veículos), esta cidade sueca é a capital europeia com o maior índice de utilização do telemóvel por parte dos peões (23,55%). Contudo, Lisboa não surge muito atrás: 15% dos peões atravessam as estradas distraídos com o telemóvel, segundo dados da Prevenção Rodoviária Portuguesa.

Independentemente do local, a tendência é a mesma: a imprudência e falta de atenção geradas pelos dispositivos tecnológicos são grandes culpadas de parte considerável dos atropelamentos atuais. Não é, por isso, exagerado afirmar que esta dependência nos pode custar a vida.

O artista sueco Jacob Sempler, por exemplo, não ganhou para o susto. Enquanto caminhava pelo centro de Estocolmo com o olhar absorvido pelos estímulos do seu smartphone, atravessou a rua de forma desatenta e escapou, por pouco, ao automóvel que se aproximava. O incidente serviu-lhe de alerta e de inspiração.

“Reparei que não era o único a ter este tipo de comportamento e que o assunto devia ser abordado de alguma forma”, afirmou. Estavam lançadas as bases para a criação de um novo sinal de trânsito a alertar os condutores para a proximidade de uma zona onde é habitual haver peões agarrados ao telemóvel.

Se no início os sinais despertaram alguma estranheza nos habitantes, agora já fazem parte do dia-a-dia. Aliás, as autoridades suecas acabaram mesmo por incluí-los, oficialmente, no código da estrada.

No Twitter há até quem lamente que eles “não possam gritar: ‘Ei, acorda, estúpido!'”. Quem sabe se essa não será a próxima inovação a chegar às cidades, dominadas pelo vício de estar online.