OPINIÃO

Novas descobertas no tratamento dos tremores

Movimentos involuntários no pescoço, lentidão no corpo, mãos que tremem. Os sinais surgem sem aviso, não há medidas para evitar, e o tratamento passa sobretudo por medicação e cirurgia por estimulação cerebral profunda. Os médicos continuam atentos.

Texto Sara Dias Oliveira | Fotografia Shutterstock

Parkinson, distonias, tremores, ataxias. Tudo doenças do movimento que alteram o cérebro e afetam a mobilidade. As mãos tremem quando pega num copo de água? Há partes do corpo que tremem quando fazem alguma tarefa? Chama-se tremor essencial e é a doença do movimento mais frequente, causada por uma alteração cerebral.

O pescoço ou outra região do corpo, como os pés ou as pálpebras, fazem movimentos anormais e involuntários, e ficam em posições esquisitas? São distonias. E as ataxias são doenças genéticas e hereditárias que desequilibram o andar, como acontece na doença de Machado-Joseph.

As doenças do movimento, doenças neurológicas, são frequentes e podem causar incapacidade e complicações de saúde. Entre elas, está a doença de Parkinson, a segunda doença neurodegenerativa mais comum e que afeta perto de 20 mil portugueses.

É uma doença que provoca lentidão dos movimentos. «Muitos doentes têm tremuras quando estão em repouso. É uma doença que aparece entre os 50 e os 60 anos e só 5 a 10% dos casos são hereditários», diz à NM o neurologista Miguel Coelho.

Cerca de 30% dos doentes com Parkinson não têm tremor. A fisioterapia e o exercício físico são aconselhados em várias situações.

O diagnóstico do Parkinson é importante uma vez que permite que os doentes sejam orientados para consultas especializadas. Cerca de 30% dos doentes não têm tremor. E a fisioterapia e o exercício físico ajudam a que o corpo não fique perro tão rapidamente.

«É importante pensar na doença de Parkinson, uma doença muito frequente, e não olhar para a dificuldade motora como um problema da idade ou apenas associado a patologia da coluna ou a patologia articular», refere o neurologista Alexandre Mendes, presidente da Sociedade Portuguesa das Doenças do Movimento (SPDMov).

A simplificação da sequenciação do ADN permitiu descobrir genes associados às doenças do movimento.

«A revolução que ocorreu no conhecimento da genética nos últimos 20 anos permitiu conhecer genes que causam ou predispõem para algumas doenças do movimento», afirma Alexandre Mendes.

Entre vários avanços significativos a nível da genética, o especialista destaca as novas técnicas que vieram simplificar a sequenciação do ADN e permitiram a descoberta de genes implicados nestas doenças do movimento.

O tratamento das doenças do movimento passa sobretudo por medicação e por cirurgia por estimulação cerebral profunda. Miguel Coelho sublinha que «há boas notícias porque há um medicamento novo que entrou há cerca de nove meses». E há um outro fármaco, já anunciado e apresentado, a caminho.

Esta sexta e sábado, dias 2 e 3 de março, a SPDMov reúne-se para o seu congresso anual, no Hotel Curia Palace, em Aveiro. É um encontro que junta especialistas portugueses, alguns dos quais que trabalham em laboratórios no estrangeiro, nomeadamente no Canadá e na Alemanha, que vão debater os avanços no conhecimento sobre as doenças do movimento, em particular sobre a genética. Haverá, aliás, um curso sobre genética especificamente centrado nas doenças do movimento.

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