“Não vou defender o Ronaldo. Ele confia na defesa da Dona Dolores”

Notícias Magazine

Esta semana o meu convidado das entrevistas que nunca fiz é o advogado David Chesnoff. O americano, de 63 anos, já defendeu casos de várias celebridades como o cantor Bruno Mars, o pugilista Mike Tyson e agora o produtor Harvey Weinstein. Não é meu advogado porque eu sou tímido e raramente abuso seja do que for. Eu até peço, dá-me licença, para dar um beijo na minha mãe.
Felizmente não são todos assim ou eu morria à fome.

Percebo perfeitamente. Este movimento #MeToo está para si como o novo Sporting para o Sobrinho.
Eu vivo da testosterona. Já pensei em ser patrocinado pela Prozis.

Sem dúvida, disso e da cultura machista. Dizem que elas é que andam a ganhar dinheiro com isto, mas acho que quem mais tem ganho massa com esta revolução é o senhor.
Não me posso queixar. Só não arrisco fazer reuniões num quarto de hotel com o Harvey Weinstein. Nunca se sabe. Eu tenho um cabelo sedoso.

Ilustração: Marco Mendes

Não deve ser fácil defender o Harvey Weinstein.
Mais ou menos. O mais complicado foi defender o mágico David Copperfield (acusado de ter violado a modelo Brittney Lewis). Pagou-me, mas depois o dinheiro desaparecia e transformava-se em pombas.

E, afinal, vai ou não vai representar o Cristiano Ronaldo?
Acho que não. Segundo sei ele confia na defesa da mãe, a Dona Dolores, que até fez uma corrente de fé no Facebook com o Cristiano vestido de Superman.

Se calhar fazia mais sentido vesti-lo de Hulk. Esse é que tinha por hábito rasgar roupa. Mesmo não representando o Cristiano, acha que ele pode estar inocente?
Essa parte da inocência a mim não me diz nada. Sou advogado de estrelas de Hollywood. O importante não é terem razão, é terem massa.

Mas acha que esta estratégia do Ronaldo de agora vir dizer que não foi ele que fez aqueles ferimentos na Kathryn Mayorga mas uma terceira pessoa é boa ideia?
Se ele convencer o cunhado a dizer que foi ele, e ele alinhar em cumprir a pena por ele, talvez. Mas isso é o tipo de pareceres que eu não vou dar. A senhora recebeu 375 mil dólares por aquilo. Eu só para sentar o rabo numa cadeira e ouvir o que me têm para dizer levo o triplo.

Se eu fosse o Cristiano punha a culpa no contabilista do BES. Ou dizia que as lacerações no ânus tinham sido causadas por ter posto a senhor a ouvir o disco da irmã para tentar criar um clima. Se aquilo causa danos irreparáveis nos tímpanos, acho que os juízes iam acreditar.