Mundial 2018: uma bola prestes a entrar em órbita

Inspirada no esférico do Mundial de 1970, o primeiro a ter uma bola oficial, a Telstar 18 é uma espécie de regresso às origens, com o selo "hi-tech" que a modernidade impõe.

Texto de Ana Tulha

Se Pelé, Beckenbauer e Cubillas pudessem fazer uma “peladinha” com a Telstar 18, a bola oficial do Mundial que arranca na quinta-feira, o mais provável era que se sentissem protagonistas de uma espécie de “regresso ao futuro” com futebol ao barulho. E no entanto foram heróis do Campeonato do Mundo de 1970, a prova em que rolou a primeira Telstar. Só que desde essa prova – a primeira com bola oficial – até agora mudou quase tudo. Ou a história de como um esférico simples e minimalista, em tons de preto e branco, para se ver melhor na televisão, se tornou numa redondinha artilhada que é o último grito da tecnologia.

Entre os trunfos da Telstar contam-se o design moderno, com impressão metálica; o efeito gráfico com textura projetado para proporcionar desempenho e durabilidade melhorados; um sistema concebido para possibilitar que a bola tenha uma boa trajetória durante o voo; e um revestimento à prova de bala, que impede a absorção de água. O nome, esse, resulta da junção de “television” (televisão) com “star” (estrela). Também bebeu inspiração nos satélites homónimos, que em 1970 permitiram a transmissão televisiva de todos os jogos do Mundial.

Mas o tempo em que o último grito era a possibilidade de assistir a horas infinitas de futebol na caixinha mágica já lá vai. Volvidas quase cinco décadas, a tecnologia chega ao ponto em que esta redondinha tem um chip inédito que permite a quem a compra ligar-se através de um smartphone, para ter acesso a informações atualizadas sobre o produto. Já para os jogadores, o chip não serve de muito, visto que o sistema não fornece informações quanto à velocidade ou trajetória da bola. Modernices.

Para trás fica um longo histórico de bolas utilizadas em mundiais, que encerra episódios e peripécias para todos os gostos: desde o Mundial de 1930, em que Argentina e Uruguai não se conseguiram entender quanto à redondinha a usar na final e acabaram a adotar uma solução diplomática – uma parte com cada -, ao de 2010, quando a polémica à volta do esférico foi tanta que Júlio César, antigo guarda-redes da seleção brasileira, chegou a compará-la com “uma bola barata, que se compra no supermercado”. Agora, hora de “regresso ao futuro”: a Telstar 18 está prestes a entrar em órbita. lm

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