Melanoma: o tumor agressivo que pode crescer de forma descontrolada

É a forma mais agressiva de cancro de pele, pode espalhar-se pelo corpo, e atacar vários órgãos. Atenção, muita atenção, à exposição solar. Os escaldões são muito perigosos. Hoje é o Dia do Euromelanoma.

Texto Sara Dias Oliveira | Fotografia Shutterstock

O melanoma é um tipo de cancro que se desenvolve sobretudo na pele. É agressivo e, por isso, pode espalhar-se para outros órgãos, para o cérebro, pulmões e fígado. Detetado numa fase inicial é curável. Hoje é o Dia do Euromelanoma. Mais um pretexto para relembrar os riscos da exposição solar inadequada e que é essencial manter o corpo hidratado.

Este tumor maligno cutâneo, que se caracteriza pela proliferação de células melanocíticas, pode surgir em qualquer idade, sendo frequente abaixo dos 30 anos. Nos homens é mais frequente no tronco, no peito e nas costas. Nas mulheres, ataca sobretudo os membros inferiores, a cara e o pescoço.

Sinais de alarme: assimetria no contorno, bordos irregulares, coloração escura, diâmetro acima de seis milímetros e a evolução da lesão (cor, forma, textura, sangramento, prurido local, crescimento)

Na verdade, pode surgir em qualquer local. «Este tumor surge mais frequentemente na pele, podendo aparecer noutras localizações como nas mucosas (nasofaringe, vulva e canal anal) ou nas células pigmentadas da retina», adianta à NM Mariana Inácio, médica oncologista no Hospital do Espírito Santo de Évora.

Os sintomas podem passar despercebidos. «Habitualmente, o primeiro sinal de alarme é a alteração das características duma lesão pigmentada cutânea preexistente: assimetria no contorno, bordos irregulares, coloração escura, diâmetro acima de seis milímetros e a evolução da lesão (cor, forma, textura, sangramento, prurido local, crescimento)», refere a médica.

A incidência da doença está a aumentar. Estima-se que no nosso país tenham sido diagnosticados 1.101 novos casos, o que corresponde a 2,2% de todos os cancros. A taxa de mortalidade situa-se nos 0,9%.

Um dos principais fatores de risco associados ao desenvolvimento do melanoma é a exposição à radiação ultravioleta. «A exposição solar intensa e intermitente, os chamados ‘escaldões’, na infância e adolescência, acarreta um maior risco. A frequência de solários está também associada a um maior risco», adianta a especialista.

Evitar a exposição solar é importante para todas as pessoas. Corpo deitado e desprotegido entre as 10h00 e as 16h00 nem pensar. É fundamental usar roupa para proteger o máximo de pele exposta aos raios ultravioletas, colocar chapéu e óculos de sol.

Nas áreas expostas, não esquecer protetor solar com FPS (Fator de Proteção Solar) igual ou superior a 30, que confira proteção contra os raios. Um creme para ser aplicado várias vezes ao dia, inclusive antes e após o banho. «É ainda essencial evitar os ‘escaldões’ e hidratar-se bem», refere a médica.

Homens com idade superior a 60 anos, pessoas com pele clara, com sardas ou com muitas lesões pigmentadas, gente com cabelos loiros ou ruivos e olhos azuis ou verdes, devem ter bastante cuidado.

«Embora seja raro, pode existir uma predisposição familiar para o desenvolvimento de melanoma, sendo que o risco aumenta quanto mais familiares diretos forem afetados», refere a médica oncologista Mariana Inácio.

O único tratamento curativo é a cirurgia com a excisão total da lesão, daí a importância da deteção precoce deste tipo de tumor. Se não for diagnosticado antecipadamente, pode espalhar-se, metastizando para os gânglios linfáticos e para órgãos como o cérebro, fígado ou pulmões. «Este tipo de tumor pode tornar-se muito agressivo, crescendo duma maneira descontrolada», avisa a oncologista.

Se a doença estiver disseminada, será necessário utilizar uma terapêutica que atue em todo o organismo, uma terapêutica sistémica. «Até há cerca de uma década, a quimioterapia era a principal terapêutica sistémica utilizada, mas as taxas de resposta tumoral eram muito insuficientes e o doente acabava rapidamente por ter uma progressão da sua doença maligna». Mais recentemente, surgiram terapêuticas inovadoras, como a imunoterapia e as terapias dirigidas a mutações de genes que podem estar ativas nestes doentes.

A imunoterapia ativa o sistema imunitário para que consiga reconhecer as células do tumor, evitando que elas se desenvolvam. «Este tipo de terapêutica, para além de apresentar taxas de resposta tumoral muito superiores às da quimioterapia, podendo prolongar o tempo de vida do doente, confere uma surpreendente qualidade de vida ao doente», sublinha a médica.

 

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