Maradona na capital dos traficantes

REUTERS/John Sibley

de Pedro Emanuel Santos

Maradona é polémico, quase todos sabem. E gosta de desafios inusitados, o que também não é propriamente novidade. Depois de há dois meses ter assumido a presidência honorária do desconhecido Dinamo Brest, clube da Bielorrússia, o astro argentino anunciou agora que acumulará a função com a de treinador do Dorados de Sinaloa, do México.

Podia ser apenas mais uma aventura maradoniana, mas esta envolve riscos acrescidos. O Dorados está sediado em Culiacán, cidade de 850 mil habitantes e capital daquela que é considerada a região mais perigosa do México, Sinaloa, onde só no ano passado foram mortas cerca de 1000 pessoas em ajustes de contas relacionados com o tráfico de droga.

A província dá nome ao mais temido grupo de narcotraficantes mexicano, o Cartel de Sinaloa, formado na década de 1980 por Joaquín Guzmán, “El Chapo”, conhecido por rocambolescas fugas da prisão e avaliado pela revista “Forbes” como um dos 700 homens mais ricos do mundo. Depois de várias tentativas frustradas, as autoridades dos Estados Unidos conseguiram capturá-lo em janeiro de 2017.

Além de dominar boa parte do território mexicano, o Cartel de Sinaloa tem fortes ramificações na América do Sul, África e Europa. Mas é em Culiacán, a cidade do Dorados, que possui a maior e principal base. Decapitações, corpos desfeitos em ácido sulfúrico, execuções em massa ou assassinatos à queima-roupa de opositores são algumas das práticas recorrentes, o que levou o cartel a ser um mais temidos no México.

É neste ambiente violento que Diego Armando Maradona vai viver enquanto estiver à frente do Dorados, atualmente na II Liga e com o registo nada alegre de zero vitórias em três jogos disputados. Longe, portanto, de uma performance que lhe permita ter grandes esperanças de ascender ao principal escalão do futebol mexicano, grande objetivo traçado pela direção do clube.

Maradona vai, até, treinar um jogador que passou por Portugal. O equatoriano Vinício Angulo alinhou pelo Paços de Ferreira em 2012/13 – época histórica em que os pacences, então orientados por Paulo Fonseca, ficaram em terceiro lugar no campeonato.

Quem também já passou pelo Dorados foi o espanhol Josep Guardiola. O atual técnico do Manchester City fez parte do clube em 2005/06, a sua última época como jogador.